Onze minutos das oito da manhã do fatídico sábado, 7 de Outubro, Libi tentava fugir pela Rota 232, com a amiga, Adi Maizel.Uma bala, três balas, entraram no corpo de uma moça de 22 anos. Gravemente ferida, telefonou para os pais e, com cadência calma, fez saber que havia sido baleada. Esvaída em sangue disse vou morrer, ia morrer num telefonema de amor. Despediu-se de cada membro da família com uma tranquilidade pouco explicável. Pediu à mãe que parasse de gritar e que apenas a escutasse: era a melhor mãe que alguma vez uma filha poderia ter tido. Ao pai jurou que estava para vir ao mundo outro pai que seja mais amado. Mensagens de ternura imensa para a pequenina irmã Maya e para o seu irmão gémeo, Tomer. A morte colada à alma não lhe dava segundos. Seguiu os apelos desesperados dos pais que lhe pediram para fingir-se de morta. Os terroristas aproximaram-se e repararam, aquela rapariga com o abdómen aberto, queria estancar com a mão a hemorragia abdominal. As últimas palavras foram um sussurro: “Mãe, eles estão a voltar para me dar mais tiros.” Terroristas do Hamas voltavam para finalizar a matança. De seguida, os pais ouviram gritos em árabe e disparos de metralhadora à queima-roupa. A chamada telefónica gravou o fim de uma jovem cheia de luz, alegria e generosidade terminou. O epitáfio da amiga Adi nasceu nesse minuto sangrento. Metralhada ao som de risos canibais. Ambas tinham ido dançar ao Festival Nova, que grande pecado fizeram, que grande ameaça representavam para os amigos e amiguinhos dos activistas que só activam betume. Libi e Adi, como tantos jovens, durante o ataque tentaram sair do local de automóvel. Mortas, assassinadas, à beira do chão de um Opel, por quem tem merecido flotilhas, manifestações de apoio, crónicas efusivas de cronistas racistas, a loucura da relatora especialíssima da ONU e discursos com espuma anti Israel, ditos com sotaque de inglês macarrónico, do ainda infelizmente secretario-geral da ONU, uma casa mal frequentada, como diria, o saudoso António Ribeiro Ferreira. Veja-se o júri que atribuiu o Nobel da Paz . Um quarteto não recomendável. Entregaram à senhora que presidiu uma comissão da ONU, tida como Independente, sem o ser, que concluiu que Israel cometeu genocídio contra os palestinianos na Faixa de Gaza. Escandaloso. Navi Pillay classificou a violação como arma de guerra, mas minimizou os crimes sexuais do Hamas. Cavalgadura. O relatório teve a produção da senhora Nobel, recordista em afirmações antissemitas, do indiano Miloon Kothari, a criatura que não se cansa de jurar que o lobby judaico controla as redes sociais e a Chris Sidoti, o australiano que pede ali, aqui e acolá boicotes a Israel.
É fácil perceber a razão de Guterres ter sido escolhido para liderar a ONU. Países teocratas e ditatoriais é milho-verde. China, Cuba, Irão, Coreia do Norte, Birmânia, Síria. Há mais na lista. Contam-se 21 países árabes como membros de pleno direito e cerca de 56 países de maioria muçulmana. Liberdade, por tais bandas, é ovni.
Portanto, condiz com o panorama da ONU o primeiro abre boca, duas semanas após a carnificina, do político do pântano: os ataques do Hamas não aconteceram num vácuo, e acrescentou que o povo palestiniano se sujeitava a uma ocupação sufocante. Não faz mal nenhum reavivar a memória dos comilões de queijo: Guterres desculpou, justificou o terror perpetuado em Israel por terroristas do Hamas no sétimo dia de Outubro de 2023. Ele, António Guterres, é que sufoca com a doença cerebral chamado antissemitismo. Vácuo lembra o pior, e, lembra que nesse cargo que Guterres ocupa, já se sentou um oficial de inteligência na Wehrmacht, cuja unidade esteve directamente envolvida em brutais campanhas contra partisans na Jugoslávia, massacres de civis e na deportação de 40 mil judeus de Salónica, na Grécia, para campos de concentração e de extermínio na Alemanha é Polónia. O que sufoca verdadeiramente são os detalhes da última chamada telefónica de Libi Cohen-Megur, divulgados publicamente pela mãe, Sheli Meshal-Yogev. Está no YouTube. Está também a garota de sete anos a chorar a morte da mãe e a pedir aos terroristas do Hamas para pouparem o pai e o irmão. E a cabeça de uma idosa fora do corpo. Uma família inteira, mãe, pai, filhos e filha. Todos assassinados.
Não basta remendar o estrume; foi um mal interpretado, disse Guterres sobre as suas frases. Não foi, não foi. Sobre o crime bárbaro de 1200 pessoas e dos reféns levados para os confins de Gaza, onde foram fuzilados, esquartejados, metidos em túneis abaixo da terra, eis, pois, a hipocrisia do ministério dos negócios estrangeiros português, a maldade da Aparício, a modelo do século passado, que julga as vítimas merecedoras da tragédia, as feministas desinteressadas das israelitas violadas, os chanfrados que reúnem o séquito em solidariedade com palestinianos e contra um genocídio que existe em filmes de canais piratas. Não querem saber de palestinianos coisa nenhuma. Querem saber deles próprios. Porque se quisessem, jamais apoiariam o Hamas. Os desvairados de sempre, felizmente em extinção, rabiscam com os tornozelos teorias de conspiração. O massacre de 7 de Outubro teve o conhecimento prévio do primeiro-ministro israelita. Se fosse Ehud Barack a alucinação mantinha-se. É suficiente ser israelita e judeu. Esta conclusão antissemita vem embrulhada num papel sedento com ausência total de matéria civilizacional. O que enruga a voz torta do escritor que escreve escritos racistas, é a continuação do verbo viver lá em Israel, não obstante tantos pais, filhos, maridos, namoradas, mulheres, amigos, companheiros, colocarem pedra em cima das tumbas dos seus queridos. Com a morte na sombra, a rotina segue de mãos dadas com o substantivo que desgraça os pseudo intelectuais encardidos: esperança.