No mês em que se celebra o envelhecimento ativo, afirmamos: envelhecer é um privilégio! Felizmente que envelhecemos. Envelhecer é uma condição que deve ser celebrada, uma realidade a compreender e quando bem acompanhada, pode ser uma fase rica, ativa e profundamente significativa.

É por isso importante refletir sobre as crenças sobre o envelhecimento, para que se possa viver mais, mas melhor. Num país onde cerca de 23% da população tem mais de 65 anos, encarar esta fase da vida como uma oportunidade — e não como uma perda — é essencial. Envelhecer é uma realidade maravilhosa, a compreender.

A psicóloga e investigadora de Yale, Becca Levy, mostrou em mais de 20 anos de estudos que as crenças que temos sobre o envelhecimento influenciam diretamente a nossa saúde física e mental. Quem vê a idade como sinónimo de crescimento, aprendizagem e contribuição tende a viver 7,5 anos a mais do que quem internaliza estereótipos negativos.

Levy demonstrou que o simples ato de acreditar que somos capazes de envelhecer com vitalidade melhora a memória, o equilíbrio físico e até a recuperação após doenças. Pelo contrário, quem encara o envelhecimento como um fardo tem maior risco de desenvolver depressão, doenças cardiovasculares e demência.

Durante décadas, fomos expostos a mensagens que associam a idade a um fim, a perda de competências e ou capacidades. Rugas são vistas como defeito, cabelos brancos como sinal de fraqueza, e a reforma como fim da utilidade. Estas crenças negativas alimentam a discriminação contra os mais velhos, ainda amplamente tolerada, presente na nossa vida e até na linguagem quotidiana.

Mas há uma evidência clara: a forma como pensamos sobre envelhecer tem impacto direto na saúde, na participação social e na longevidade. Crenças negativas sobre a idade estão associadas a um maior risco de desânimo, desesperança. Por outro lado, crenças positivas, ambientes e comunidades, que valorizam a experiência e promovem o envolvimento dos mais velhos contribuem para uma longevidade com mais qualidade.

É, por isso, urgente mudar mentalidades, reeducar-nos para incentivarmos crenças positivas quanto ao envelhecimento. Trabalhar em comunidade para reduzir a solidão não desejada e o isolamento social, criando rotinas, encontros e espaços de partilha que devolvem propósito, presença, escuta e dignidade às pessoas mais velhas. A mudança cultural começa na prática e logo desde cedo. Juntar gerações, fomentando a interação natural entre gerações. levando os mais velhos às escolas para partilhar saberes e experiências com crianças e jovens, é um excelente ponto de partida para quebrar estereótipos e a criar um vínculo real.

Esta intergeracionalidade, com os mais velhos como protagonistas que ensinam, orientam e partilham a sua experiência, permite uma valorização direta e é uma forma concreta de fomentar as crenças positivas— e de ativar o potencial social da longevidade.

Se aceitarmos — e valorizarmos — o processo natural do envelhecimento, se ajustarmos crenças ultrapassadas, libertamo-nos do medo e abrimos espaço para uma vida mais longa, saudável e feliz. Mudar essas crenças é uma necessidade prática, porque envelhecer não é o fim, é a continuidade.

*A Fundação Alegria de Viver nasce de uma consciência e da vontade de participar na capacitação das comunidades, procurando a melhoria na qualidade de vida, no conforto, no bem-estar emocional de pessoas acima dos 65 anos, em comunidade. Criamos atividades coletivas de convívio que incentivam o combate à solidão, desenvolvidas com o objetivo de proporcionar uma rotina de pequenas alegrias – estabelecendo laços, afinidades, relações, dinâmicas e rotinas, entre as várias gerações.