Tumba! E eis que temos polémica no mundo da museologia! Para desenjoar das controvérsias da política e do futebol, um cheirinho de sarrafusca em torno da nomeação de directores de museus. Trata-se de bruaá bem justificado, diga-se. É que a ex-deputada do Partido Comunista, Rita Rato, foi nomeada directora do Museu do Aljube, um espaço “dedicado à história e à memória do combate à ditadura e ao reconhecimento da resistência em prol da liberdade e da democracia”. Ora, pôr uma comunista à frente de um museu que celebra a liberdade e a democracia é mais ou menos como colocar um celíaco a dirigir o Museu do Pão. Ou a Greta Thunberg a chefiar o Museu da Revolução Industrial. Ou um nudista a comandar o Museu do Traje. Ou um pré-adolescente a administrar o Museu da Água. Ou um golden retriever a gerir o Museu do Chocolate. Enfim, creio que dá para ter uma ideia do despautério.

Boa parte da controvérsia em torno desta nomeação deve-se ao facto de Rita Rato ter afirmado, em tempos, que desconhecia o que era o Gulag. No entanto, e por isso mesmo, creio que esta escolha poderá revelar-se até bastante didática. Uma vez que a ex-deputada comunista ignora o horror dos campos de concentração da União Soviética de Estaline, onde morreram milhões de pessoas, no Aljube começa com um projecto mais modesto, para se ir familiarizando com este tipo de sistemas de terror. E, daqui a um tempo, quando já tiver a tripa bem calejada, pode, então sim, começar a investigar as maravilhas do Gulag. Sucedendo tal, todos iremos dizer “Irra, resolveu-se a repugnante renitência em rejeitar o regime repressivo russo revelada reiteradamente pela Rita Rato”. Se calhar não diremos todos. Dirá quem conseguir, vá.

Ainda na senda dos governos com ambições totalitárias, o de António Costa já avançou para a monitorização do discurso de ódio online. Na sequência daquela rixa, aqui há dias, na praia do Tamariz em Cascais, o executivo entrou, de imediato, em acção. Os novos burocratas bufos, os bufocratas, recolheram as imagens dos distúrbios que circulam nas redes sociais e estão, neste momento, a investigar se algum daqueles meliantes terá, porventura, enquanto semeava o pânico entre os banhistas incautos, dirigido qualquer tipo de impropério odioso a um bandido do gangue rival. Naifadas, pontapés nas ventas, ou roubos por esticão, tudo bem, o Governo está-se a borrifar para isso. Mas se calha algum daqueles gandins ser apanhado na net a proferir dichotes indecentes a um seu congénere, ui, aí está lixado com o Costa. Ah, pois é, gandulagem, não há cá mais chistes ofensivos para ninguém, meus meninos. Armas brancas ameaçando transeuntes desprevenidos, siga. Agora, remoques chocantes no ciberespaço? É que nem pensar. É desta que estes patifes entram na linha.

E segundo uma notícia do jornal Público, o Governo vai recorrer à ajuda das universidades, convidadas para este autêntico festim de chibaria, no sentido de perscrutar a internet para detectar e punir aqueles que incorram no que ao oráculo socialista convier designar por “discurso de ódio”. É uma soberba medida. Não só se faz desta a geração mais delatada de sempre, como ainda se poupa em material escolar. Sim porque, além de acesso à net, os alunos arregimentados para este projecto só precisarão mesmo de se munir de um lápis azul.

O meu único medo é que esta recém descoberta vocação universitária para silenciar opiniões online venha a retirar tempo precioso a docentes do calibre de um Boaventura Sousa Santos para silenciar opiniões offline. Por agora, num artigo recente subscrito por um grupo de investigadores que inclui Boaventura Sousa Santos, um estudo académico sobre o Chega foi acusado de promover a “normalização, legitimação e branqueamento de um partido racista e com desígnios antidemocráticos”. A propósito disto, constou-me que Boaventura Sousa Santos até compôs uma canção:

Ai chega, chega, chega
Do Chega do Ventura pulha
Afasta-o, afasta-o, afasta-o
Afasta-o da corrida presidencial
Doideira que em mim borbulha
Ó sim, é ver uma Venezuela em Portugal!

Hum. Como cantautor é fraquinho. Já como palermadoutor é fortíssimo.