Foi, esta semana, celebrado com muita dignidade uma data fundamental da nossa democracia, o 25 de Novembro.

Nesse dia, em 1975, terminou um período muito negro da revolução feita em Portugal a 25 de Abril de 1974.

A grandeza da revolução feita em abril foi a conquista da liberdade e essa não teria subsistido sem o 25 de Novembro.

Mas aquilo que me deixa perplexo é a absurda reacção da esquerda a este reconhecimento da relevância desta data.

Se, no que respeita aos partidos da esquerda radical, que em todos os discursos se manifestam defensores da liberdade, se compreende o sentimento de derrota do seu projecto totalitário de domínio da sociedade portuguesa, tal já não é compreensível por parte do partido socialista que, tendo participado nestas celebrações, o fez com um ar amuado de quem foi obrigado a festejar.

Na verdade, aquilo que se passou depois de 25 de Abril de 1974, foi um percurso de encaminhamento para um regime comunista que utilizava os valores da democracia como bandeira, mas que em nada pretendiam que esta fosse existir em Portugal.

Depois de uma entrada de grande animação e convívio entre todos os que celebraram o dia da liberdade, durante todo aquele ano de 1974, em Março de 1975 deu-se início a uma contra revolução dominada pelo partido comunista e pelos militares que lhe eram afectos, que tentaram de todas as formas encaminhar Portugal para um sistema muito mais tirano que aquele que haviam criticado durante as décadas anteriores.

E de tal maneira assim foi que, ainda hoje, aqueles que representam o espírito do conselho da revolução desse tempo, vêm hoje à rua tentar denegrir aquilo que nos salvou das suas garras e que nos permitiu continuar a viver em liberdade, coisa que nunca pretenderam para o povo português.

E é aqui que, uma vez mais não se entende a posição da esquerda mais moderada que, tendo sido essencial ao êxito daquele movimento e até mesmo à sua liderança, parece que se arrependeu hoje da liberdade que se manteve em Portugal.

Lendo Zita Seabra, que nunca deixou de assumir as suas responsabilidades durante todo o tempo em que foi parte daqueles movimentos que pretendiam o comunismo como sistema político para Portugal, até ao momento em que teve consciência do seu engano, não há qualquer dúvida de que era esse o grande objectivo de Álvaro Cunhal, de Otelo, de Vasco Gonçalves, de Vasco Lourenço e de todos quantos com eles estavam neste projecto de destruição do nosso país.

Compreende-se a azia que lhes pode ir na alma por terem que reconhecer que este povo que, durante anos e apesar da maldade que lhes preparavam manteve um certo respeito por terem assumido serem eles a origem do 25 de Abril, neste momento deixou de ter medo de os confrontar e decidiu festejar aquilo que realmente importa e que é a liberdade prometida pelo 25 de Abril e reconquistada em 25 de Novembro.

Mais lhes dói verem que é atrás de uma proposta do CDS a quem sempre consideraram ser o inimigo das suas ideias, que se celebrou um dia fundamental para a liberdade em Portugal.

E festejou-se com rosas brancas, em nome da paz e não de vermelho que é o sangue do povo.

Sem Abril não haveria Novembro e sem Novembro não existiria liberdade.

Mas para todos esses que hoje se revoltam contra a celebração do 25 de Novembro, nunca se esqueçam que novembro só existe e é celebrado porque em 11 de Março tentaram matar o povo de Portugal.