No início deste ano, em Davos, o Fórum Económico Mundial destaca, uma vez mais, a importância da Tecnologia. Para além da conhecida protagonista, a inteligência artificial, aparecem também acompanhantes de destaque como a computação quântica (CQ). A computação quântica é uma das maiores promessas da tecnologia no futuro. Num momento em que a União Europeia anuncia fundos direcionados a esta tecnologia, e países como os Estados Unidos e China traçam estratégias claras para dominar este campo, fica por ver até que ponto Portugal está disposto a apostar na sua vanguarda.
A computação quântica tira partido das leis da mecânica quântica. Mas, ao invés de usar bits clássicos (0 ou 1), os computadores quânticos usam qubits que podem representar 0s ou 1s simultaneamente. Ora, devido a esta característica, entre outras desta tecnologia, torna-se possível realizar cálculos de maneira exponencialmente mais rápida. Neste sentido, a computação quântica tem o potencial de transformar indústrias: na saúde, pode acelerar a descoberta de medicamentos; na energia, pode otimizar o uso de recursos renováveis; nas finanças, pode prever movimentos de mercado com uma precisão sem precedentes.
Esta transição de promessas tecnológicas para realidade concreta exige, acima de tudo, uma visão pragmática. Nos últimos anos, Portugal tem demonstrado ser um terreno fértil para a inovação, especialmente nas áreas das tecnologias emergentes, tendo a capacidade necessária para recolher o potencial económico da computação quântica. A previsão é que este mercado movimente dezenas de milhões de dólares até 2030, com impactos significativos em setores-chave como a saúde, a energia, as finanças e até a segurança. A União Europeia já reconheceu o valor estratégico da computação quântica, com o lançamento da Quantum Flagship e a alocação de fundos significativos. Contudo, os investimentos em inovação não podem ser apenas uma “moda” ou uma tentativa de seguir as tendências globais, precisamos de um plano claro e bem estruturado que coloque Portugal no radar dos investimentos internacionais nesta área. A aposta na computação quântica exige uma enorme expansão da investigação, investimento em infraestruturas e em parcerias com grandes empresas tecnológicas e governos de outros países.
No campo da computação quântica, o país pode estar pronto para dar um grande passo e liderar ou permanecer à margem. O futuro depende de uma decisão: abrir a caixa ou continuar na incerteza.
O Observador associa-se aos Global ShapersLisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, irão partilhar com os leitores a visão para o futuro nacional e global, com base na sua experiência pessoal e profissional. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da Comunidade dos Global Shapers, ainda que de forma não vinculativa.