1 Há quatro anos, a vitória de Moedas sobre Medina foi a pequena pedra que iniciou a derrocada do Partido Socialista. Durante quase sete anos, Medina usou Lisboa como palco para a sucessão de Costa. Indiferente aos problemas reais da cidade, ocupou-se em fazer obras que causassem impressão no resto do país.
Para desgraça de Costa, que sabia que, para os socialistas se eternizarem no poder, precisava de um centrista como ele, o seu Delfim, contra todas as expectativas, perdeu para Moedas, perdendo assim qualquer esperança de alcançar a liderança do PS. O resto já sabemos: PNS tomou o poder e reduziu o PS a terceira força política.
Por isso, é natural o desespero com que Alexandra Leitão e a sua frente de esquerda, com o apoio dos comentadores e jornalistas seus simpatizantes, atacam Moedas. Sabem que ganhar Lisboa é a única forma de começar a reconquista do poder perdido. Sobre isto, não vale a pena ter ilusões: a Alexandra Leitão pouco lhe interessa a cidade de Lisboa; esta é apenas um degrau para o seu verdadeiro objectivo — liderar um governo da frente de esquerda.
2 Eu gostava que estas eleições fossem apenas sobre diferentes visões para a cidade de Lisboa. E percebemos que, para Carlos Moedas, é assim. Há quatro anos que trabalha por Lisboa, que ouve Lisboa. Mesmo em minoria, deixa mais habitação, mais saúde, mais ensino em quatro anos do que o Partido Socialista em catorze. E é evidente que quer fazer ainda mais: o projecto do Vale de Chelas, concluir o Túnel de Drenagem, acabar com a descentralização absurda na limpeza da cidade, entre tantos outros projectos.
Infelizmente, não é isso que Alexandra Leitão quer. A sua campanha baseia-se, resumidamente, em atacar de forma rasteira Carlos Moedas e em gritar com João Ferreira por este não a apoiar. Ideias para a cidade? As mesmas promessas vagas de Medina: milhares de casas que nunca serão construídas, mais poderes para as Juntas (que rendem mais cargos para apoiantes) e a promessa de “gerir melhor”. Curto. O que é natural, já que o seu interesse não é toda Lisboa, mas apenas um palacete em São Bento.
3 Como todos sabemos, a Câmara é ganha por quem tem mais um voto. Por isso, no dia 12 de Outubro, a escolha em Lisboa é entre Alexandra Leitão e Carlos Moedas. E o que significa isso?
De um lado temos a pessoa cuja obra política mais relevante foi a destruição de vários colégios com contratos de associação, que foi afastada do governo de Costa por ser demasiado à esquerda, que se manifestou publicamente contra a polícia e sempre viu no Bloco um aliado natural. Uma pessoa para quem Lisboa é apenas o ensaio para levar a frente de esquerda até ao poder, e que usará Lisboa como laboratório das suas ideias: estatismo, fronteiras abertas, promoção da agenda woke, etc.
Do outro lado temos Carlos Moedas, que tem sido um defensor convicto da parceria entre o poder público e a sociedade civil, que defende a livre propriedade, que apoiou como ninguém a Jornada Mundial da Juventude, que tem trabalhado com as associações locais, que ouve as pessoas.
Para mim, a escolha parece bastante simples: qualquer eleitor de Lisboa que seja contra o estatismo socialista e a agenda woke só tem uma opção — votar em Carlos Moedas. Qualquer outra opção é ajudar à possibilidade do regresso da frente de esquerda ao poder em Lisboa. E, como vimos há quatro anos, às vezes basta uma pequena pedra para que o ciclo de poder mude no país inteiro.
Jurista