As presidenciais de 2025 são o retrato perfeito de um país exausto, como um telemóvel antigo que já só aguenta 12% de bateria mesmo depois de uma noite inteira a carregar — e ainda por cima insiste em abrir apps que já não correm.

De um lado, Gouveia e Melo, o general que encara Portugal como um porta-aviões: grande, pesado e imutável. Ideal para ordens gritadas ao vento. Tem a flexibilidade de um capacete: sólido, resistente e quase ornamental em tempos de paz. Pede “visão de futuro” e repete “coesão social” como um funcionário público do sistema que decorou o manual de serviço, mas continua instalado nas névoas dos “igrejos avós”, como se o país fosse uma reconstituição histórica sem fim. Enquanto o mundo discute o impacto da inteligência artificial, ele parece mais interessado em calcular quantas faxinas são necessárias para que o quartel esteja impecável na próxima inspeção.

Depois, o inefável Marques Mendes, o homem que conhece o “sistema” tão bem que já devia acumular milhas por cada corredor político percorrido. Um candidato que já esteve em tantos bastidores que ninguém sabe se quer governar o país ou se está apenas a aquecer para comentar o seu próprio mandato ao Domingo seguinte.  É o USB político: encaixa em qualquer governo, nunca avaria, mas também nunca faz nada de novo — serve para copiar ficheiros antigos, não para inovar.  Quanto à tecnologia, IA, competitividade global? Para ele, Portugal deve lutar com unhas e dentes… para não atualizar o Windows.

Entra António Filipe, o candidato PCP, que surge como aquele tio político que olha para o futuro e vê… 1977. Fala ao país como quem promete devolver a todos a nostalgia de filas intermináveis — não as do SNS, mas as do pão racionado. Num mundo de chips quânticos e computação avançada, ele parece querer reinstalar o “Sistema Operativo Brejnev 1.0”.

E finalmente, André Ventura, o megafone humano. Fala ao país como um vendedor de feira a leiloar soluções milagrosas embaladas em papel colorido. Especialista em transformar indignação em programa político, vende atalhos para problemas profundos, como se o país fosse uma tábua onde ele pudesse serrar sem antes tirar medidas.

É política instantânea, tipo noodles: três minutos de água quente e já está — e sim, o sabor é previsível.

E enquanto o resto do mundo tenta perceber como sobreviver à ascensão tecnológica da China, ele funciona como um vírus político: instala-se rápido, replica mensagens simples e contagia quem estiver distraído… mas nunca resolve nada. Para ele, a resposta continua a ser gritar mais alto e culpar os imigrantes.

E eis a ironia suprema: num mundo em que IA, automação e geopolítica definem o futuro, nenhum deles fala disso. É como se Portugal fosse uma pequena jangada a flutuar no Pacífico e achasse que consegue remar mais depressa que o porta-contentores chinês que vem aí. Juntos, oferecem ao eleitorado uma escolha filosófica ao estilo menu de cantina: rigidez, redundância, passado ou apenas ruído.

Portugal em 2025 não tem falta de candidatos; tem é a sensação de estar a escolher entre quatro GPS avariados:

— um que te obriga a usar mapas de papel,

— outro que recalcula sempre para o mesmo ponto de partida,

— outro tenta enviar-te para uma estrada que deixou de existir há três décadas.

— e o último que grita contigo a cada bifurcação, como se isso resolvesse a falta de sinal de satélite.