Portugal enfrenta um dos maiores desafios da sua história: estamos a desaparecer. A taxa de natalidade é uma das mais baixas da Europa e o envelhecimento da população acelera ano após ano.

Basta olhar para o que já acontece em países como o Reino Unido ou França. Londres tem hoje mais de 50% da população de origem imigrante, e o mesmo caminho repete-se em Paris e noutras grandes cidades europeias.

E quando um país deixa de gerar as suas próprias crianças, perde o seu futuro e a sua identidade.

A natalidade é o motor base para a sobrevivência de qualquer nação. Não há volta a dar. Sem crianças, não há escolas, não há inovação, não há quem pague as pensões de amanhã. É uma questão de sobrevivência económica, social e cultural.

A Polónia entendeu isso e decidiu agir. O Presidente Karol Nawrocki aprovou uma medida simples e poderosa: “imposto zero” para famílias com dois ou mais filhos, até um limite de cerca de 33 mil euros anuais. Uma política objetiva, com impacto direto no rendimento familiar e que recompensa quem escolhe investir naquilo que mais importa — a continuidade da sociedade.

Em Portugal, o tema arrasta-se há mais de 20 anos. Desde que Cavaco Silva perguntou, em 2007, “porque nascem tão poucas crianças?”, nada de relevante foi feito.

Como sempre, criaram-se comissões, estudos, relatórios e grupos de trabalho.

Faltou o essencial: agir.

Continuamos a viver num país que tributa o trabalho, sufoca a classe média e penaliza as famílias que querem ter filhos.

Enquanto isso, o Estado aposta em soluções imediatistas, como abrir fronteiras de forma descontrolada, na esperança de resolver com imigração aquilo que só se resolveria com política familiar séria e sustentável. É o caminho mais fácil, mas também o mais perigoso — porque destrói a base demográfica sem criar estabilidade a longo prazo.

O problema da natalidade é também cultural. O país precisa de voltar a valorizar o sentido de família, estabilidade e futuro. Precisamos de políticas que tornem viável e digna a decisão de ter filhos.

Ter filhos é talvez o ato mais revolucionário e esperançoso da nossa época. É a maior contribuição que alguém pode dar à sociedade. É, no fundo, o único legado que deixamos quando partimos.

A Polónia agiu. Portugal continua parado, a observar o problema, a “gizar soluções” que nunca chegam.

Mas a realidade é simples e dura: sem filhos, não há futuro.