É essencial que a ciência na escola se aproxime da comunidade e ultrapasse a barreira das salas-de-aula, os conteúdos programáticos das disciplinas e a importância dos testes de avaliação. A ciência na escola é vista como uma atividade circunscrita às quatro paredes da sala-de-aula ou aos laboratórios. Por norma, os laboratórios são os locais destinados à componente prática da ciência. No contacto que fui tendo com alunos que terminaram o ensino secundário e com os seus pais, tenho constatado que, para eles, a ciência se resume à resolução de exercícios e à realização de algumas atividades laboratoriais, com pouco impacto na vida diária.

A extensão e a complexidade dos conteúdos programáticos limitam o aprofundamento dos temas previstos no currículo e dificultam a aprendizagem. Um currículo menos extenso tem a vantagem de libertar tempo para a sistematização dos conhecimentos e para a sua aplicação em situações do quotidiano dos alunos.

Os testes de avaliação não avaliam algumas aprendizagens. No entanto, são a principal fonte de preocupação da maioria dos alunos porque, normalmente, são os instrumentos de avaliação que têm maior peso. É frequente os alunos questionarem “ó professor, sai no teste?”. Se sai no teste, estão atentos; se não sai, desligam. Os testes levam a que os alunos tenham um estudo intermitente, provocando o esquecimento mais ou menos rápido dos conteúdos, como mostram os resultados dos testes-diagnóstico realizados no início de cada ano letivo.

A escola tem de mudar. Tem de valorizar menos os testes escritos, porque não desenvolvem o pensamento crítico e criativo dos alunos e não fomentam a sua participação ativa na vida pública (científica, política, económica, social e cultural). A abordagem aos conteúdos programáticos tem de motivar os alunos e aproximar a ciência da comunidade, mobilizando competências que permitam a tomada de decisões conscientes e a intervenção proativa num mundo em rápida transformação. A criação de clubes de ciências pode contribuir para a mudança.

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