Rádio Observador

Incêndios

Um fogo que se apaga

Autor
  • Vera de Melo
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Como podemos preparar as crianças para lidar com os incêndios? Como as podemos ajudar e tranquilizar? Aqui ficam algumas dicas.

Nenhum de nós, comum dos mortais, está preparado para lidar com um desastre natural, como um incêndio. Pode afetar a nossa saúde e bem-estar psicológico e, até há bem pouco tempo, todos achávamos que era uma realidade muito distante e que, provavelmente, nunca nos tocaria a nós.

Os acontecimentos nos últimos anos mostraram-nos, infelizmente, o contrário, pelo que urge os pais estarem cientes que comportamentos devem adotar na presença da ameaça de um incêndio, para que as crianças lidem da melhor forma possível. Eis algumas dicas:

1. Prevenção primária, ou seja, explicar às crianças o que fazer se acontecer um incêndio, explicar que comportamentos devem adotar e porquê. Recorrendo a livros, desenhos ou até mesmo só ao diálogo sem sobressaltos e de forma clara, explicar os perigos, riscos e o que é que cada elemento da família deve fazer.

2. Não mentir. É fundamental não mentir, a mentira quebra a relação de confiança existente e prejudica a manutenção do equilíbrio emocional da criança. Não minta, nem omita, seja verdadeiro/a de forma a que a criança perceba que pode confiar e que no momento em que lhe pedir que adote um ou outro comportamento saiba que, efetivamente, o tem de fazer sem hesitar. Em situações críticas, esta ação pode fazer a diferença.

3. Explicar de uma forma clara e com uma linguagem adequada à faixa etária da criança o que está a acontecer e o que pode vir a acontecer. O desconhecido gera ansiedade e origina que se construa realidade e se apele à fantasia. É importante ter cuidado quando conversar sobre o incêndio na presença das crianças, uma vez que estas podem interpretar mal o que ouvem e ficar desnecessariamente assustadas.

4. Manter a calma e a tranquilidade. Apesar de ser muito difícil, afinal é uma situação atípica, mantenha a calma e a tranquilidade, recorde-se que enquanto adulto funciona como modelo e o seu estado vai ser imitado pela criança. É fundamental a criança não sentir o perigo, pode tornar-se traumático e deixar sequelas futuras. Não adote postura de super-herói, pois não é realista, mas demonstre que sabe o que fazer, pois isso dá segurança à criança.

5. Evitar instruções duplas, elevar a voz ou até mesmo descontrolar-se emocionalmente. Estes comportamentos a acontecerem criarão outro problema, como a criança ficar agitada, inquieta, sendo difícil acalmá-la. Dê instruções claras, recorrendo a frases simples e diretas. Não tenha expectativas muito elevadas que a criança vai fazer tudo certo, afinal trata-se de uma criança e é muito difícil estar preparada para lidar com um incêndio.

6. Procure que a criança se distraia. Pode ser um jogo, ler um livro, ouvir música. O facto de a criança estar distraída vai permitir-lhe focar a sua energia para avaliar corretamente o risco e criar cenários de intervenção, ou seja, refletir sobre o que fazer.

Por último, depois do incêndio, algumas dicas importantes:

1. Falar sobre o que aconteceu, ajudar a criança a expressar os seus medos e sentimentos. Esta conversa permite que a criança perceba que é natural sentir “coisas” que não costuma sentir, mas que gradualmente vai voltar às rotinas habituais.

2. Recordar que nenhum elemento da família é responsável ou culpado pelo que aconteceu. Tal permite à criança lidar com a situação e eliminar qualquer sentimento de culpa.

3. Manter as rotinas, a fim de dar segurança à criança e lhe devolver a estabilidade.

4. Ser paciente. O assunto do incêndio pode surgir muitas vezes ao dia e, exatamente da mesma forma, podendo, inclusive, ser exatamente a mesma pergunta. É fundamental ser paciente e permanecer disponível para responder a todas as perguntas, demonstrando interesse.

5. Limitar a exposição aos media, protegendo as crianças de imagens, por vezes, chocantes e testemunhos desnecessários.

6. Dar segurança. Assegurar às crianças, através de palavras e comportamentos, que estão seguras, ajudando, assim, a diminuir ansiedades.

7. Dar muito suporte, seja através de brincadeiras que ajudem a aliviar a tensão, seja através de um apoio extra na hora do deitar, altura em que as crianças ficam mais ansiosas. Leia mais uma história ou dê uns mimos extra.

A imagem e a vivência de uma situação de um incêndio serão difíceis esquecer, mas está nas suas mãos torná-las numa memória com efeitos construtivos ou destrutivos na personalidade da criança.

Vera de Melo é psicóloga clínica

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