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Muito se tem falado de comunicação, sobretudo dos problemas da comunicação e das críticas ao modelo paternalista assumido pelos governantes. Mas o que precisamos é de soluções e essas passam por dar aos cidadãos as ferramentas que necessitam para serem, também eles, agentes de Saúde Pública, para terem um papel ativo no regresso e manutenção da normalidade (possível) da vida social e económica.

Sim, cada pessoa pode desempenhar um papel relevante na sua própria proteção, dos que lhe são mais próximos e de outros que, não sendo tão próximos, fazem ainda assim parte do círculo de convívio. Para isso, basta saber o que fazer quando tem sintomas (mesmo os que lhe parecem menos importantes), o que fazer quando esteve em contacto com alguém infetado (mesmo que ache que não foi um contacto de risco) e — muito importante — saber o que fazer quando tem um teste positivo (porque pode começar a proteger os seus contactos muito antes de ser contactado pelas autoridades de saúde).

O primeiro passo é mesmo esse, dar o passo e não ficar à espera de ser contactado para saber o que fazer. Até ter a certeza que não está doente nem vai colocar os mais próximos em risco, o melhor mesmo é fazer algumas alterações à vida diária. E quanto mais depressa o fizer, mais depressa retomará a normalidade. Avalie os sintomas, pense no que significa um teste positivo, isole-se se for caso disso e alerte as pessoas com quem esteve recentemente para que façam o mesmo. Para o ajudar, siga este esquema, um pequeno guia passo a passo. Em caso de dúvida, pode sempre contactar o SNS24.

Antecipar etapas e avisar aqueles com quem esteve durante o período que pode ser considerado de maior risco de transmissão é uma das formas mais eficazes e mais dirigidas de controlar a pandemia. Além disso, é uma das que tem menos consequências sociais negativas. Não é fácil, é verdade. Depende muito do cuidado e colaboração de todos, da testagem das pessoas mesmo com sintomas ligeiros — e, claro, das de alto risco —, de um excelente rastreio de contactos e não dispensa o cumprimento de todas as medidas de segurança na vida pública. Não é fácil, mas é algo que está ao nosso alcance. E o esquema, passo a passo, serve exatamente para mostrar que pode fazê-lo.

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Claro que, ainda assim, será sempre fundamental ter equipas de rastreio suficientes nas Unidades de Saúde Pública, que façam a avaliação final em relação à identificação de contactos e determinações do isolamento. Mas a decisão de comunicar sintomas ou de ser testado começa na própria pessoa (em si). E os rastreadores também dependem dos cidadãos para fazerem a identificação das pessoas com quem estiveram em contacto. Faça a lista, nomes e contactos telefónicos, e metade do trabalho estará feito.

Cada pessoa, potencialmente infetada ou não, é um parceiro fundamental na estratégia de contenção das cadeias de transmissão. Isolar-se, avisar os mais próximos e, eventualmente, ter um teste positivo para o coronavírus não tem de ser algo que leve a sentimentos negativos. Muito pelo contrário. Um teste feito no mais curto espaço de tempo possível e uma identificação rigorosa dos contactos é um verdadeiro serviço de Saúde Pública do qual se pode orgulhar. Estará a salvar vidas mesmo sem se aperceber.