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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto.
Bem-vindos à "App da Vizinha". Estamos em modo Web Summit. Terminamos hoje as séries especiais deste podcast. Hoje tivemos alguns regressos aqui ao Parque das Nações. Margrethe Vestager, a Comissária Europeia para a Concorrência, também Marcelo Rebelo de Sousa, que vai encerrar esta Web Summit. Vamos ainda falar de dados, de privacidade com Daniela Braga. Ela é uma portuguesa que criou uma empresa, primeiro em Portugal, e que depois se mudou para os Estados Unidos e que poderá entrar em bolsa em breve. Esta empresa chama-se DefinedCrowd. Acredita Daniela Braga que será possível chegar aqui a um meio-termo no que toca à privacidade. É uma conversa para ouvir mais daqui a pouco. Temos também o geek do dia, aquela ideia que quer revolucionar o nosso dia a dia e render algum dinheiro. Mas para já vamos ao pitch com a Ana Pimentel. Ana Pimentel, bem-vinda.
Olá, Ricardo.
Neste pitch fazemos sempre o balanço do dia. Hoje vamos fazer dois balanços, o do dia e o desta edição. Queres começar pelo dia, pela edição?
Começo mais pelo dia. Com este encerramento triunfal de Marcelo Rebelo de Sousa, como temos vindo sempre a habituar-nos, foi um bom dia. Aliás, eu acho que foi o melhor dia da Web Summit até agora. Teve painéis bastante interessantes para todos os gostos. Teve alguns virados mais para empreendedores e para investidores, o que foi bom, era uma coisa que ainda não tínhamos visto muito aqui durante o evento. Teve também uma talk muito interessante sobre o vício na tecnologia, a dependência tecnológica. Falou-se da regulação das grandes tecnológicas no mundo todo e o papel que a Comissão Europeia pode ter neste caminho. Ouviu-se também o responsável pela tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios.
E esse com recados muito dirigidos, não é?
Sim, muito dirigidos. Michael Kratsios veio num registo muito diferente daquele que estamos habituados a ver ali no palco da Web Summit. Ele veio muito formal, de fato e gravata, tinha o seu discurso impresso em papel, estava num palanque, não esteve à conversa com ninguém, portanto foi literalmente um discurso, e fez críticas duríssimas ao governo dos Estados Unidos. Falou inclusive na Huawei.
Isto quando estamos aqui no meio da guerra com a Huawei, se assim se pode dizer.
É verdade. E não nos podemos esquecer que o chairman da Huawei esteve na sessão de abertura.
Exatamente.
A falar precisamente sobre o 5G. Ele é um dos homens fortes de Donald Trump. A reação na sala não foi tão unânime como foi, por exemplo, com a comissária europeia Margrethe Vestager. Houve ali alguns assobios e foi também um dos momentos altos.
E quanto a esta Web Summit, já podemos fazer um balanço, Ana, sobre como foi?
Acho que sim. Bem, isto já acabou, não é? Portanto, não há volta a dar. A Web Summit não começou tão bem como as anteriores, na minha opinião. Acho que este último dia foi forte, foi bom. Ontem o dia foi muito morno, mais frio até do que morno. Da abertura também se esperava mais. Foi uma edição muito política. E sim, a tecnologia está-se a tornar cada vez mais política.
A tecnologia e a política estão cada vez mais mãos dadas.
Exatamente. Mas isso foi um dos pontos que mais foi falado aqui na Web Summit. E acho que vai ser um desafio para Paddy manter o nível de entusiasmo.
E de interesse.
E de interesse, e também de atualidade. Tentar trazer cada vez nomes mais diferentes do que os habituais, porque há alguns que já começam a cansar. Ainda ontem eu falei disso, da Robo Sophia.
Margrethe Vestager, já veio pela segunda vez. Tony Blair.
Apesar de ser sempre uma intervenção muito boa, mas a verdade é que quando é demais também nós nos cansamos e, portanto, ele vai ter que ter aqui um reforço para inovar nas próximas edições. Vamos ficar à espera disso.
E também nesta "App da Vizinha" temos feito um balanço sobre a surpresa do dia. Qual é que terá sido a surpresa do dia ou a surpresa desta edição, Ana Pimentel?
A surpresa do dia eu acho que foi o cão robô da Boston Dynamics.
Aquele que parece uma aranha, uma coisa assim mais estranha.
É verdade. Ele apareceu ali no meio do Altice Arena a correr sozinho. Subiu sozinho para o palco para ir ter com o seu criador, o Marc Raibert, que é o CEO da Boston Dynamics, e foi um momento marcante, até porque se ontem eu escrevia no termômetro da Web Summit, que está no site do Observador, que da Robo Sophia nós não temos grande medo, nem nos assusta, até já estamos um bocadinho cansados dela, aqui neste caso, isto impôs respeito. Sim, a forma como ele se movimenta, como reproduz os movimentos humanos.
Sobrescados.
É verdade, ele dança e tudo. Eles depois mostraram os vídeos dos outros robôs. Não sei se sabes, há um episódio de Black Mirror com cães-robôs que foram inspirados neste cão que já existe da Boston Dynamics. Portanto, foi um momento Black Mirror.
Foi um momento Black Mirror desta Web Summit. Ana Pimentel, editora de startup do Observador e proprietária desta "App da Vizinha". Já a seguir voltamos para falar de dados e de privacidade com quem faz disso um negócio de milhões. Ana Pimentel, vamos conversar com quem?
Ricardo, vamos conversar com a Daniela Braga. Ela é a presidente executiva da DefinedCrowd, é uma empresa que já conta com vários milhões. Nasceu em Portugal, tem sede nos Estados Unidos e já tem escritórios em Seattle, Lisboa e Tóquio.
E vive dos dados, numa altura em que se discute tanto as questões dos dados e da privacidade dos cidadãos.
É verdade, mas Daniela tem uma posição até mais otimista em relação a este ponto. Mas acho que para percebermos melhor o que ela acha sobre tudo isto, é ouvir a conversa.
Vamos a isso.
Olá, Daniela, bem-vinda.
Olá, Daniela, bem-vinda.
Olá, é um prazer estar aqui convosco.
Daniela, antes de mais, explica-nos o que a DefinedCrowd faz.
Muito bem. A DefinedCrowd é uma plataforma de treino, de colecção e anotação de dados para inteligência artificial. Nós colecionamos dados de voz, de texto e de imagem para treinar o que se chamam os cognitive services, que são todos os sistemas de diálogo, os sistemas de reconhecimento de voz, as Siris, as Amazons, as Alexas, as Cortanas, os Google Assistants do mundo. Que cada vez estão mais presentes em toda a nossa interação com as máquinas.
E os dados são mesmo o petróleo deste século. Temos falado muito de dados, nesta Web Summit fala-se de dados, fala-se de dados como arma, até. Concorda com estas leituras?
A gente diz nos Estados Unidos que "data is the new oil". Exatamente. E também dizemos, a propósito de nós, que nós somos as "spades and shovels", que são as pás e picaretas da área de machine learning. Porque basicamente há duas coisas que são necessárias para treinar modelos, é o lado dos dados, e é preciso muitos dados e bem estruturados, e é o lado dos modelos. Realmente, esse lado mais de construção dos dados é o que nós fornecemos ao mundo, na realidade, em qualquer domínio. Nós somos agnósticos do vertical.
Agnósticos do vertical? Explique-me lá melhor o que isso quer dizer, Daniela, por favor.
Quer dizer que nós trabalhamos em tecnologia, mas a área da banca, a área das telecomunicações, a área da saúde, a área do retalho, que são verticais diferentes, usufruem da nossa tecnologia da mesma forma, nomeadamente numa coisa que é comum a todos, que é a interação com o cliente. Todas estas áreas têm um B2C. Têm um consumidor, seja ele uma empresa ou seja um consumidor final, que precisa de ligar para suporte, para o cliente, ou para pedir informações ou para saber mais sobre os produtos. E essa área de comunicação homem-máquina agora tem que ser assistida para ter uma melhor qualidade de relação com o cliente.
Daniela, mas quando tens de fazer um pitch muito rápido, só de cinco segundos, para dizer por que a DefinedCrowd deve ser a solução que as outras empresas devem escolher, o que dizes? Como é que isto se traduz?
Como é que eu explico à minha filha?
Por exemplo, exatamente.
Basicamente, eu uso várias metáforas. Uma das metáforas é, por exemplo, tens um carro e para pôr o carro a funcionar, tu precisas de gasolina, que é um bocadinho parecido com o óleo. Enquanto o carro e o motor do carro são os modelos, tu precisas da gasolina para pôr os modelos a funcionar. E sem uma coisa, a outra não funciona.
Portanto, esta gasolina são estes dados todos que vocês colecionam. Mas tudo isto tem estado envolto em grandes perguntas, em grandes dúvidas. Como é que se traça aqui a fronteira entre aquilo que deve ser recolhido, o que não deve ser recolhido? Como é que se responsabilizam as empresas? Onde é que se traçam os limites?
Eu por acaso estava num painel há bocado a falar sobre isso, precisamente. A questão é a seguinte: ainda estamos na infância da regulamentação da privacidade de dados. E a Europa tomou uma medida mais conservadora e mais extremista, porque os europeus normalmente protegem o lado do individualismo no sentido da privacidade. Na minha opinião, o que falta é um consórcio que envolva todas as áreas da sociedade, primeiro para informar o consumidor sobre o que estamos a retirar dele. Porque nós não avançamos ciência sem dados em grande escala do consumidor. E há tecnologia que pode ser usada para anonimizar esses dados. Mas é uma combinação. O que acontece é que como é o 8-80 que estamos a fazer, o GDPR entra com 80. Também não é o oito dos Estados Unidos da América, onde eu vivo, em que é tudo um pouco à "la gardère" e agora a imprensa vem em cima dos grandes gigantes.
Até porque há presidenciais daqui a um ano.
Exatamente. Mas quer dizer que o facto de os telemóveis estarem a recolher constantemente. Agora há toda uma política em que os media, e bem, lançam alertas de "atenção, estão a ouvir os nossos dados, atenção, estão a recolher os nossos dados sem o nosso consentimento". Havia toda uma falta de regulamentação antes, que de repente as pessoas estão a ficar mais atentas, mas também há todo um lado de educação que se tem que fazer à sociedade, porque na verdade não há necessariamente nenhum lado malicioso aqui.
A Daniela defende primeiro a educação dos utilizadores e depois então legislação, é isso que está a dizer?
Sim, porque eu venho de um lado acadêmico, eu sou ainda na minha alma uma cientista e nós precisamos de dados reais para avançar a tecnologia. É preciso explicar que o facto de termos, por exemplo, um telemóvel a recolher a nossa voz ou recolher o nosso comportamento, ou entradas e saídas, ou as apps que usamos, essa coisa toda. É preciso perceber que primeiro nós podemos ou não autorizar só determinadas partes, se percebermos o que estamos a autorizar. E há toda uma tecnologia que existe, mas que deveria ser muito mais usada para anonimizar dados, porque quando se recolhe tudo, não é preciso usar tudo. E pode-se apagar dados também. Depois do modelo estar treinado, é possível apagá-lo, apagar os dados iniciais, porque já estão dentro.
Sabe como isso é difícil, não é?
Claro, mas não vai dar para voltar atrás. É o que se chama reverse engineering. A certa altura, depois de estar dentro, não se consegue fazer o trace back até a pessoa, à Daniela Braga, que autorizou ou não os dados.
Então acha que é um excesso de alarmismo?
Acho que com o tempo vamos todos, como sociedade, perceber que há um meio-termo mais equilibrado, mas também temos o extremo de um estado chinês em que não há basicamente conceito nenhum de individualismo. E eu vivi na China, portanto, em que estamos a ser observados em cada segundo, em cada movimento que fazemos, em cada behavior que temos. E há o extremo da Europa, que é tudo um bocadinho teoria da conspiração e há um meio-termo, é isso que eu estou a dizer.
Já se fala em dados como algo de direitos fundamentais, não é? Na sua opinião, é exagero.
Acho que é preciso definir o que isso significa. E definir que para determinadas tecnologias, por exemplo, aquelas em que nós nos movimentamos, é o conceito do personal individual information, o PII. Se não for possível fazer a triangulação ao nível do indivíduo e para a maior parte dos modelos, a gente só precisa de uma parte, só precisamos da voz, só precisamos da escrita, só precisamos de partes do rosto, não é do rosto completo. Para determinar as tecnologias não é preciso tudo. O problema, que é um bocadinho assustador, é que com estes devices dá para tirar tudo. E o que a gente tem que informar à sociedade é que a pessoa ao autorizar, devia autorizar só certas coisas, e sobretudo tecnologias que entendam o que está a acontecer. A maior parte das pessoas não percebe, por exemplo, o facto de estar a contribuir no próprio trânsito. Vamos falar do trânsito, que não é a nossa área, mas por exemplo, para contribuir todos os dias para o comportamento daquela rua, ajuda um pouco todos nós. E ajuda-nos a, por exemplo, evitar as horas de ponta. É preciso partir de um pressuposto que não é malicioso.
Mas devia ou não haver uma espécie de identidade internacional, um organismo que regulasse e supervisionasse isto tudo?
E a dificuldade aqui é que isto envolve universidades, governos, empresas e consumidores. E claro, legisladores. E portanto, a dificuldade é alinhar isso tudo com os backgrounds culturais e políticos de cada país.
Política também é uma questão forte aqui nesta matéria de análise de dados. E é um dos tópicos em que isto pode ser mais prejudicial, até. Não sei se concorda.
Claro que sim. É verdade, mas já se vê alguns movimentos de consórcios, de conseguir trazer os vários setores da sociedade a discutir. Porque é o que eu digo, a gente vai chegar a um ponto mais maduro, em que estamos todos a falar a mesma coisa. Mas agora há muita falta de informação ainda. Eu só acredito na educação. Enquanto as pessoas não entenderem o que está a acontecer, desde o legislador ao Zé Toca na rua arrumar o lixo, enquanto não houver um esclarecimento da sociedade, não é muito fácil. E a atitude europeia é proteção total.
A DefinedCrowd esteve no palco da sessão de abertura da Web Summit com a Daniela. Onde é que isto vai parar?
Onde é que vais parar com isto? O nosso caminho está muito claramente no sentido de uma IPO. Estamos a ficar numa dimensão-
Uma entrada em bolsa.
Uma entrada em bolsa, exatamente. Estamos a ficar com uma dimensão que começa a ser difícil a certa altura. Há duas ou três saídas para uma empresa: ou passa a ser pública, ou é comprada, ou morre. Morrer não está no nosso dicionário, nem no meu próprio instinto de sobrevivência. A compra começa a ser difícil, porque nós estamos a ficar com uma dimensão e uma avaliação que começa a ficar mais limitado o número de compradores. Portanto, um caminho público é capaz de ser o caminho mais normal e esperado.
Vamos ficar atentos a isso. Obrigada.
Obrigado, Daniela.
Muito obrigada.
Uma conversa com Daniela Braga, da DefinedCrowd. Já a seguir vamos ao Geek do Dia. O nosso caçador de geeks é o jornalista Manuel Pestana Machado.
É o Manuel, que quase bateu um recorde pessoal aqui no número de passos dados, de certeza ao percorrer estes quatro pavilhões da fila em que estão as startups todas. Mas sim, andou à procura de ideias e de novos protagonistas para esta rubrica, que é a Geek do Dia.
Bora lá.
E agora está tudo em on. Estamos a falar para o Geek do Dia da Rádio Observador, um programa em que um empreendedor português conta o que está aqui a fazer na Web Summit. Estou com o David Olim, que é o fundador e CEO, posso dizer assim?
Sim.
Vocês são três CEOs?
Sim, todos nós. Numa startup, todos acabamos por ser CEOs e tirar fotocópias. Passa também muito por aí o espírito de entrepreneur.
E ajuda-me, acho que se percebeu já pelo teu sotaque madeirense, também estás aqui para fazer um pitch, que eu te vou pedir para me fazeres em 45 segundos. Vende-me a tua empresa.
OfootAR é uma aplicação que complementa a experiência televisiva com uma experiência interativa. Como é que eu faço isto? Imersivamente, eu consigo dar os dados em tempo real dos jogadores e apresentar e olhar para o nosso sofá e perceber quem está a jogar bem em função de cores, em função de números. E é muito engraçado porque nós conseguimos interagir e dizer: "Já está, é isto. Este jogador joga efetivamente melhor que aquele."
Essa impressão é boa. Ia te dizer, essa impressão, faltam 10 segundos, afinal, não.
Já está. OfootAR é muito isto, é mais do utilizador do que da nossa parte. Nós dispomos a interface de uma maneira gira, nós criamos um estádio personalizado para cada pessoa na sua sala, através de realidade aumentada, e o utilizador pode fazer a sua parte e ver a informação que lhe é interessante.
Vocês já existem há quantos anos?
Vamos por partes. A Dobsware, que é a empresa que criou este produto, já conta com quatro anos de mercado, essencialmente a criar jogos e aplicações. Neste caso específico, ofootAR, que é um projeto nosso, feito in-house para um evento deste gênero, para testar o mercado e acaba por resultar. Efetivamente, o que acontece é que já vamos com três meses, de forma a garantir que tínhamos o protótipo para mostrar aqui, que é este que está aqui ao nosso lado, e depois apresentar aos possíveis investidores.
Tu estás a falar deste protótipo, que está aqui no computador, que é uma espécie de quem é quem, com a cara de vários jogadores de futebol, filmado aqui neste espaço da Web Summit. Está a acontecer em tempo real, isto não está a acontecer em tempo real?
Isto está a emular uma experiência em tempo real. Quando estiver em produção, efetivamente, isto vai acontecer em tempo real. Enquanto está a dar um jogo de futebol, nós precisamos apenas de apontar o nosso telefone para a televisão e identificar qual o jogo e ter dados extra sobre esse jogo.
A vossa empresa, vocês os três, está sediada no Funchal, na Madeira. Para vir cá, como é que tiveram o investimento? Foi investimento do vosso bolso, convenceram o governo da Madeira a financiar-vos? Como é que isto funcionou para estarem aqui?
Investimos do nosso bolso, mas tivemos também apoio das entidades institucionais. O governo regional também fez questão que cá estivéssemos. A própria Startup Madeira fez questão de que nós também mostrássemos os nossos produtos numa montra como esta, porque o Web Summit acaba por ser uma montra para o mundo. E efetivamente é isso que tem acontecido. Nós temos tido muito mais contactos de fora de Portugal do que os de cá. E é um pouco isso que nós não temos fisicamente na Madeira, então temos de nos deslocar para o fazer.
E sendo da Madeira, tenho que te perguntar: vais convencer o Cristiano Ronaldo a apoiar a tua startup ou não?
Claro que sim. Mais do que convencer, é torná-lo um dos nossos utilizadores. E eu penso que isso é fácil para quem olha para a app, querer pelo menos experimentar e perceber o que é que faz e em função disso, interagir mais um pouco. Portanto, a resposta é sim.
Mas diz utilizador e investidor. Presumo também que podia ser um bom tubarão, ao estilo daquele programa de televisão, que vos podia dar bastante capital, não?
A questão é que nós temos a particularidade de não estar à procura de investimento monetário. Nós obviamente estamos à procura de investidor, mas estamos numa ótica de parceria, de um parceiro que nos seja uma mais-valia. Nós somos uma software house, ou seja, nós fazemos as nossas próprias soluções tecnológicas, mas valorizamos mais o know-how do investidor numa área que desconhecemos, como a área do desporto. Ou seja, estamos mais à procura de alguém que nos ajude e que nos abra caminhos do que alguém que simplesmente ponha o dinheiro e vá embora.
Obrigado, David Olvim. Vamos ficar aqui com esta presença da Região Autónoma da Madeira aqui na Web Summit, neste último Geek de dia.
E agora, Ricardo, eu acho que vou ter saudades destes Geeks de dia.
Sim, eu também acho que sim. Estas conversas são entusiasmantes, não é?
Vou ver se o Manuel te faz um pitch para isto na redação.
Já a App da Vizinha regressa ao formato habitual na segunda-feira, na rádio, por volta das 19h20, e sempre em podcast. Ana, devolvo-te aqui a chave da App da Vizinha. Deixei tudo arrumado e aspirado. Está pronto a usar.
Obrigada, Ricardo. Já estou com saudades de casa, confesso.
Exatamente. Depois de quatro dias.
Obrigada. Sim.
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