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Tudo pronto para mais uma App da Vizinha. Está connosco a Ana Pimentel, editora de Tecnologia e Startups do Observador. Fala, Ana, boa tarde.

Olá, Ana Filipa, boa tarde. Olá, João.

Ora viva.

Vamos começar mais uma semana a falar de unicórnios, mas não é daqueles que estamos agora a imaginar.

E há melhor maneira de começar esta semana do que com unicórnios?

Não há.

É isso, vamos. Não é bem aqueles que estamos a imaginar ou que gostaríamos, aquela figura mitológica e mágica que tantas vezes associamos a um universo até mais infantil. Mas vamos falar aqui de coisas muito sérias, na verdade, vamos falar de empresas, de negócio puro e duro, com muito dinheiro envolvido, na casa dos muitos milhões, e também com muita tecnologia. E por isso é que estamos aqui nesta rubrica a falar disto mesmo, porque regra geral, estas empresas, que são as empresas unicórnio, que chegam a este estatuto, se assim se pode dizer, crescem muito rapidamente. E isso acontece sobretudo no setor tecnológico, porque é o setor que permite que haja uma expansão e uma escala global muito acelerada deste tipo de produtos. E são empresas unicórnio por quê? Por que este nome de unicórnio? Porque a partir de determinada ronda de investimento, estas empresas passam a ficar avaliadas, aquelas que conseguem, aquelas que chegam lá, em mais de $1 mil milhões. Portanto, aqui são empresas privadas que valem mais de $1 mil milhões, não costumam estar cotadas em bolsa. São empresas que são financiadas por investidores privados. Estas rondas de investimento são feitas entre os fundadores destas empresas e estes investidores diretamente. Só sai para fora a informação que as partes quiserem, porque aqui não há aquela obrigatoriedade de apresentação de contas como há nos mercados públicos.

Certo.

E na verdade, muitas vezes estas empresas atingem este estado até ainda sem serem rentáveis, portanto elas ainda estão nesta escala de grande progressão e de grande expansão e de aceleração muito rápida. E o que acontece é que este dinheiro é muitas vezes investido para acelerar ainda mais o desenvolvimento destas empresas, portanto, se elas são grandes, para torná-las ainda maiores. O termo unicórnio para designar este tipo de empresa surgiu, na verdade, em 2013, por uma investidora americana, a Aileen Lee. Ela fez um artigo onde falou destas empresas e decidiu dizer, pela associação entre o caráter mitológico que tem o unicórnio, de ser um elemento raro, de ser uma coisa meio mágica, associou também a estas empresas, e foi em 2013, e assim continuam a ser utilizado o termo. E é destes unicórnios empresariais que vamos hoje falar, não é dos outros.

Ana Pimentel, e a verdade é que temos unicórnios em Portugal. Na semana passada demos inclusive essa notícia de que tínhamos mais um unicórnio em território português.

Exatamente, temos sim, e por isso mesmo achei que era um bom gancho para darmos uma certa magia à nossa App da Vizinha, que também merece.

Não é que não tenha sempre.

Obrigada.

Que bonito, gostei muito.

Fazemos aqui uma bela magia segunda-feira, também acho que sim. Mas voltando às coisas sérias, na quarta-feira passada, soubemos que a Feedzai, uma empresa que atua na área da tecnologia financeira. Eles desenvolvem soluções de detecção e prevenção de fraude online, baseadas em sistema de inteligência artificial, por exemplo. É uma fintech, como se costuma dizer aqui nesta área, neste ecossistema, que foi já fundada em 2009, tem vindo a crescer ao longo dos anos. Atualmente a Feedzai já emprega mais de 500 pessoas, tem escritórios espalhados por vários pontos do globo. Voltando aos nossos unicórnios. Na semana passada soubemos que a Feedzai tinha efetivamente fechado uma ronda de investimento série D, portanto, uma ronda já um bocadinho avançada. Estas rondas começam no A, portanto, já é a quarta, no valor de $200 milhões. Receberam esta injeção de $200 milhões, que depois automaticamente, segundo as contas, e a operação de financiamento negociada entre os fundadores e os investidores, avaliou a empresa em cerca de 1,3 mil milhões. A Feedzai é, na verdade, o quarto unicórnio com ADN nacional, porque temos outros, mas é o primeiro com sede em Portugal. Portanto, acho que é o primeiro que nós podemos dizer que é 100% português. E Nuno Sebastião, que é o fundador e presidente-executivo da Feedzai, orgulha-se disso mesmo. Em entrevista na semana passada, contou-me que conseguiu fechar esta ronda de investimento com investidores internacionais, portanto não eram portugueses, mantendo a sede da empresa em Portugal, mantendo também o controle do conselho de administração da empresa, e conseguiu com uma equipa toda portuguesa. Ele orgulha-se disso e é um fator até diferente dos outros unicórnios.

Certo, Ana, motivos de orgulho para o Nuno Sebastião, mas há mais empresas assim em Portugal?

Exatamente. São quatro os unicórnios fundados por portugueses. O primeiro foi a Farfetch. A Farfetch atingiu este estatuto em 2015. Eu digo estatuto, parece que é uma coisa que elas querem muito, mas não, é só uma categoria, é um tipo de quando entram aqui no clube dos unicórnios. A Farfetch é uma plataforma online de moda de luxo, que foi fundada por um português, por José Neves, em 2008, e o José Neves mantém a equipa tecnológica da empresa em Portugal, mas na verdade, a Farfetch sempre teve a sua sede em Londres, desde o início. Apesar de ter escritórios também espalhados um pouco por todo o globo, é também o único unicórnio cotado na Bolsa de Nova Iorque. É a única empresa portuguesa nesta bolsa e, aliás, o único unicórnio público. O único que tem aquela obrigatoriedade de apresentar contas e de prestar contas aos investidores e ao mercado. Depois temos a OutSystems. A OutSystems é o unicórnio que mais anos tem. O Paulo Rosado, o fundador, lançou esta empresa em 2001, já lá vão 20 anos, e em 2018 também fechou aqui uma ronda de 340 milhões de euros, que avaliou a empresa em mais de mil milhões. Entretanto Já este ano, em 2021, a OutSystems já fechou outra ronda de mais 150 milhões, e eu bem vos tinha avisado que isto era muitos milhões para esta App da Vizinha, e vale atualmente $9,5 mil milhões. A OutSystems foi fundada em Portugal, mas tem sede nos Estados Unidos e ao todo emprega aqui mais de 1300 pessoas. Julgo, se não estou em erro, que eles têm clientes em perto de 90 países.

E entretanto, Ana Pimentel, tu falaste aí de, se não estou em erro, quatro unicórnios, mas ainda falta um. É isso?

Exato, falta um. Antes que me esqueça, falta um que é a Talkdesk. A Talkdesk é o nosso terceiro, por ordem de estatuto unicórnio. A Talkdesk é uma startup que atua na área dos contact centers. Quando a empresa surgiu em 2011, até tinha como slogan que era capaz de montar um call center em cinco minutos, mas entretanto, já lá vão uns anos, a startup cresceu, o software agora tem muitas outras funcionalidades, a Talkdesk não é só isso. Mas na verdade é que também em 2018, no ano da OutSystems, a equipa da Talkdesk fechou uma ronda de $100 milhões, que avaliou a empresa em 1,2 mil milhões nesse ano. E não se ficou por aí. Depois, em plena pandemia, em 2020, esta empresa, este nosso unicórnio, também negociou nova ronda de investimento, desta vez, um pouquinho mais, 143 milhões, e ficou avaliada em $3 mil milhões. Muitos milhões. Não fiz as contas a estes unicórnios todos, mas por acaso era um bom exercício, mas já vamos com bastantes mil milhões. À semelhança da OutSystems, a Talkdesk também tem sede nos Estados Unidos, mas o produto e a tecnologia é desenvolvida nos escritórios que a empresa tem em Portugal. Mesmo estas empresas que não têm a sede cá, desenvolvem o produto em Portugal e recorrem muito ao talento português. São estes os quatro unicórnios que tinha para vocês, Ana Filipa e João Alexandre. Espero que tenham gostado. Gostei muito, acho graça que tu vais lançando estes milhões, uma pessoa nem imagina a quantidade de dinheiro que aqui está.

A quantidade de dinheiro que nos passa pelas mãos, não é?

Exato. É verdade. Neste caso. Em caracteres, passa-nos em caracteres. Em caracteres, só isso. Ou Ana e amanhã, a newsletter de startups. Sim, senhora, toda ela também é um unicórnio, espero eu. Sim. A valer muitos milhões de leitores. E espero que sim, que amanhã, ao final do dia, os nossos leitores possam aceder a estas notícias sobre unicórnios e outras mais, que envolvam os negócios tecnológicos ao final do dia. E cá estaremos para mais uma edição da nossa newsletter. É isso mesmo. Se ainda não assina esta newsletter, basta passar pelo site do Observador. A Ana Pimentel é editora de tecnologias e startups do Observador e junta-se sempre à rádio todas as semanas na App da Vizinha. Obrigada, Ana. Até para a semana. Adeus, até para a semana.

Adeus.

Obrigada. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.