Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Ora viva. Este episódio marca o fim da primeira temporada do podcast "A Descoberta do Som". Foram 12 episódios quinzenais e um enorme desafio pra mim. Ora, ao preparar o último episódio, pensei que poderia ser interessante fazer uma espécie de balanço, uma reflexão pra tentar chegar a algumas conclusões. Não foi fácil, mas cá vai. Ao longo das conversas, tentei sempre encontrar alguma característica que fosse comum a todos os convidados e que de alguma forma explicasse o sucesso, a produtividade ou mesmo a clareza de ideias que todos eles têm, mas não consegui. Sempre que tentava encontrar um padrão ou uma fórmula qualquer, era rapidamente desarmado por uma resposta inesperada. Quando pensei que podia ter desvendado algum mistério, havia sempre algo que me trocava as voltas e que me fazia perceber que, talvez também por terem essa imprevisibilidade, são pessoas tão interessantes e tão originais. Pensei muito sobre a questão de encontrar o nosso elemento, o nosso som. Algumas pessoas têm a sorte de, por uma razão ou por outra, o descobrirem muito cedo na vida, seja porque conectaram com ele a determinado momento, seja porque não tiveram outra opção a não ser aceitá-lo e segui-lo. Descobrir o nosso som, saber o que nos deixa felizes, concretizados e completos é uma dádiva e ajuda-nos a passar pela vida com mais brilho, com mais desígnio e com uma noção de propósito. No entanto, é uma procura que não é rápida, aliás, é longa e difícil, e às vezes a resposta pode mesmo não chegar. Neste planeta, com oito bilhões de seres humanos, creio que a grande maioria de nós ainda está mais ou menos perdida, à procura de um sentido qualquer. Mas nem todos estão a tentar descobrir esse sentido. Portanto, aos que estão, desejo-vos muita sorte e relembro que só essa procura já é uma bonita aventura. Mas tento chegar a uma conclusão, aqui vai ela. Percebi que se há uma receita pra encontrar o nosso som, está diretamente ligada à nossa curiosidade, à vontade de aprender e de melhorar. Inevitavelmente, através da curiosidade, vamos poder conectar com os outros e entender melhor o mundo. Esta é, pra mim, a única salvação possível pra nossa breve passagem por esta vida. E agora, alguns agradecimentos. Em primeiro lugar, quero agradecer a quem acompanhou estes episódios e ainda mais a quem teve a gentileza de me mandar uma mensagem simpática. Houve mensagens realmente comoventes que me deram a certeza que este podcast fez sentido. Depois, tenho de agradecer à Fundação Calouste Gulbenkian, que teve sempre um papel tão importante na minha vida. Porém, por este convite em particular, agradeço muito ao Pedro Relvas e ao André Vieira, duas pessoas de quem gosto muito e que me fizeram enfrentar este terror de falar em público. Agradeço também à Gabriela Soares, que edita os episódios com tanta paciência e tanto perfeccionismo. Por último, claro está, quero agradecer aos nossos convidados, que falaram sem muralhas e sem artifícios. Uma coisa é certa, ao ouvi-los, aprendi muito e fiquei com imensa energia e inspiração pra fazer coisas. Tenho o desejo que isto também tenha acontecido a alguns de vós. Como terão reparado, a introdução deste episódio está francamente mais longa. É natural, a minha entrevista de hoje é também muito mais curta. Recebi um telefonema da Gulbenkian que me dizia para estar preparado, porque a Martha Argerich, uma das mais inacreditáveis pianistas da história, ia estar disponível pra conversar comigo. Podia acontecer ou não acontecer, ia depender de vários fatores, mas aconteceu. Fui então assistir ao ensaio e ao concerto que deu na fundação, em duo com o pianista Dong-Hyek Lim, onde tocou a fantasia de Schubert, Rachmaninoff e ainda um andamento de uma sonata de Mozart. E basicamente mandou a casa abaixo, como sempre. Estava, portanto, muito bem-disposta e isso ajudou-me a enfrentar o pânico de entrevistar alguém que admiro tanto e há tantos anos. Ainda por cima, tive de o fazer num espanhol mal-amanhado, por isso peço a vossa compreensão, apoio e carinho. Enfim, como diz um bom amigo, temos de ser fortes. E lá fui eu, com o meu pequeno caderno de apontamentos debaixo do braço, falar com a Martha Argerich. Foi no final do concerto e como ela tinha acabado de sair do palco, ainda não tinha jantado, não tive coragem de a raptar por muito tempo. Portanto, apesar de curta, aqui fica o registro da bonita conversa que tive com ela e que fecha esta série de episódios. Como extra, no final, podem também ouvir a música completa que fiz pra este podcast, com a esperança de que com esta introdução gigante e com alguma música, eu consiga chegar à duração normal. Assim me despeço. Até já e muito obrigado a todos que acompanharam "A Descoberta do Som". E no documentário dirigido por sua filha Stephanie, é apresentada como: "Minha mãe é um ser sobrenatural que está em contato com algo que está mais além do alcance dos comuns mortais. De fato, sou filha de uma deusa".
Bom, eu era uma menina, por favor!
Mas eu não poderia estar mais de acordo. É muitas vezes mencionado que alguém, para se aproximar de você, tem que ganhar primeiro sua confiança. Mas sempre que vejo o sorriso simpático e amável, me faz perder o medo de fazer as perguntas. E para mim, é uma oportunidade única de falar com alguém tão importante, não só da história da música, mas alguém também muito importante para mim Por mi amor
¿Eres músico?
Soy pianista.
Pianista.
Pero más el jazz.
Jazz.
Sí.
A mí siempre me encantó el jazz, a pesar de que estudié con Friedrich Gulda y él quería que lo hiciera. Yo quería hacerlo cuando estaba con él, pero tenía solo 14 años y más tarde dejé. Lástima, porque me encanta. Adoro Erroll Garner, Art Tatum y también otros. Chick Corea también me gustaba mucho.
Todos los grandes.
Sí.
Martha, tengo la noción de que cada minuto de su tiempo tiene un valor inmensurable. Además, todavía no cenó.
Eso es verdad.
Así que agradezco mucho que haya decidido hablar conmigo en este día tan lleno. El nombre de este pódcast viene de una entrevista de Maria João Pires, que es su amiga, y que hablaba de la descubierta del sonido. La primera pregunta que tengo en común para todos los invitados, pero su respuesta va a tener un peso especial.
Por favor, no me ponga nerviosa, porque yo no puedo hablar mucho de música.
Bien.
Prefiero hacerla o escucharla.
Claro, pero mi pregunta no tiene tanto que ver directamente.
A ver cómo es.
Tiene que ver con el primer momento en que se acuerda de haber conectado con la música.
Estuve muy impresionada en un concierto de Claudio Arrau. Creo que tendría seis años. Yo ya había comenzado a tocar, pero en ese concierto tocaba el cuarto de Beethoven y llegó el segundo movimiento, esa parte donde hay un . Es un escalofrío musical impresionante, pero a mí me impactó increíblemente como nada antes me había impactado en la música. Nada así como eso. Fue eso lo que me impactó.
Una respuesta muy concreta. Exactamente. Claro, ese momento.
Hasta entonces yo escuchaba, por supuesto, música y tocaba, pero escuchaba. Se va a reír usted, porque lo que me gustaba eran las cosas polifónicas, es decir, Bach. Me gustaba Paganini. Me encantaba el concierto de violín de Paganini.
Sí, pero ya venía tocando en público.
Casi nada. No hice mucha vida de niña prodigio. Wunderkind, no. A lo mejor una vez por año, una cosa así, pero no más.
Bien. Mi siguiente pregunta tiene que ver con su vida práctica. Una vida con tantos viajes, tantas aventuras por todo el mundo en tour. Quería que me hablara un poco de su relación con Argentina, su país de nacimiento, si es una relación nostálgica o es un poco más compleja.
Creo que es más compleja, porque después dejé de ir mucho a Argentina durante 14 o 15 años, no fui más. Y después volví. Ahora vuelvo cada año. Pero la primera vez que tuve muchas ganas de ir fue con Daniel Barenboim, que me habló del Divan y de ir a Buenos Aires con ellos, con la orquesta Divan. ¿Conoce?
Sí.
Yo conozco Daniel Barenboim desde pequeña en la Argentina, porque teníamos siete u ocho años cuando nos conocimos.
Okey.
Sí, de esa época. Para ir a Argentina con Divan. Eso me entusiasmó, me gustó mucho. Por muchas razones, claro.
Claro.
Y así fue. Ahora voy cada año. Me gusta también ir a las provincias, no ir solamente a Buenos Aires. La última vez estuve solamente en Buenos Aires, pero me gusta ir a Tucumán, a Córdoba, a Entre Ríos, a muchas partes. A Salta.
Sí, hay la conexión. Todavía está muy fuerte. Musicalmente, creo que algo que me impresiona mucho siempre es su relación con el tempo, con el ritmo. Le pregunto si hay una explicación, si tiene que ver con algo cultural o si bien más con el resultado.
No sé. El ritmo es algo muy importante. Por ejemplo, esta noche experimenté mucho porque Lim es rítmicamente muy interesante también. Pero, por otro lado, siempre a mí me habían dicho, Claudio Abbado me decía, y también Rostropóvich, que yo tenía una especie de tempo así, "leaning tempo", yendo para la derecha.
Para adelante, ¿no?
Así. No así, sino así.
Muy interesante.
Sí. No sé, pero posiblemente ahora estoy un poquito más tranquila, porque tengo que tomar anticoagulantes y betabloqueantes por una cosa del corazón. Entonces, a lo mejor me he puesto un poco más así.
Una cosa que también siempre me impresiona es su agenda y la variedad de repertorios. Es una locura.
La variedad de gente también. Últimamente está un poco loco, no lo puedo explicar yo tampoco.
Vi sus fechas de conciertos. No quiero estresarla, pero decía: Beethoven, Prokofiev, Ravel. Y el concierto de hoy todavía un repertorio distinto.
Sí. Este es nuestro tercer concierto Hicimos ya dos, este es el tercero. Y es la primera vez que tocamos juntos un recital entero.
Guau.
Primera vez.
Ha sido increíble.
Parece que estuve tantas veces aquí. Estuve también con mi queridísimo amigo Nelson Freire. Hoy pensé mucho en él, porque él conoció también muy bien a Lima y lo quería mucho.
Claro, yo sabía que eran muy amigos.
Sí, mi mejor amigo, mi más grande amigo. Nunca tocamos con Maria João Pires aquí, en Portugal nunca. Pero tocamos en Hamburgo, en Francia una vez y también en Lugano. Y fue una cosa muy especial. También tocamos la fantasía una vez, en Manton, hace muchísimos años. Me encantó.
Bien, ojalá pase acá.
Sí.
Sería tremendo.
Buena idea.
¿Hay un control de la adrenalina a lo largo de la vida? Porque imagino que es como para un actor tener muchas obras a la vez al mismo tiempo. Hacer como cinco obras de Shakespeare en el mismo mes. Entonces, ¿es una relación de amor-odio con los nervios y incluso con el contacto con el público, que contrasta con su personalidad más reservada?
Sí, los nervios. Como a mí no me gusta en principio ser punto de atención, centro de atención. A mí me gusta mirar, no ser mirada. Soy más espectadora que actriz. Mi naturaleza es así, es muy contradictoria, aparentemente. Yo no hago lo que yo quiero hacer.
¿Desde siempre fue así?
Sí, es una especie de box. Pero estoy siempre esperando sorpresas. No me gusta planificar nada tampoco, porque siempre estoy esperando sorpresas. Espero buenas, aprender algo, que algo interesante ocurra. Es eso lo que uso para aceptar todas estas contradicciones, porque estoy esperando algo, siempre esperando.
Sí, tiene sentido. Además, hoy mismo aprendí que empezó a tocar el piano porque alguien le dijo "no puedes". Eso me pareció tremendo, porque siempre marca, creo.
Sí, a lo mejor ese es el comienzo de esta contradicción.
Y es bastante rock and roll.
Claro, puede ir junto. Sí, claro. Tiene razón.
Y esto va al encuentro de mi pregunta, que tiene que ver con esto también, que su madre decía que era una niña muy alegre, pero después de empezar-
Mi padre.
Su padre decía que era muy alegre y después-
Sí, cuando empecé a tocar el piano, me volvía un poco más reservada y más triste. Parece que eso es extraño, ¿no?
Yo no puedo ni quiero hablar aspectos técnicos con vos, porque sería casi un insulto, porque con vos la técnica no existe. Hay una sublimación. Todo lo que pasa, creo que pasa arriba de la técnica, a un nivel más trascendente, diría. Entonces, la escucho mucho hablar de la imaginación del intérprete, de su forma de imaginar el sonido. Martha, ¿siente que aprendió más sobre música delante del piano o lejos del piano, escuchando o con la vivencia?
Creo que es todo junto. Puede ser también escuchando y viviendo, creo. Pero es una cosa, creo, que es de bastante jovencita, porque cuando escucho ciertas cosas de cuando yo era niña, muy niña, reconozco algo que ya estaba entonces. No sé, ¿en qué edad se forma una estética sonora o estética en cualquier sentido? ¿En qué momento pasa eso?
Es una buena pregunta. No estoy seguro, pasará distinto de persona para persona, ¿no?
Sí, era un poco extraño. Me acuerdo de ciertas cosas porque de repente se me daba por tocar muy rápido y muy fuerte, y era cuando estaba con sentimientos de rabia. De eso me acuerdo. Me ponía si había algún problema.
Claro.
¿Entiendes?
Entiendo perfecto.
Eso me pasaba también. Cuando era muy niña, ahora no, pero me acuerdo de ese sentimiento cuando yo era muy joven. No sé, seis, siete años, una cosa así.
La sensación que pasa es que tenía ya la misma edad que tiene ahora. No quería dejar de preguntarle también qué aspectos o cosas le parecen importantes sobre el aprendizaje musical.
No sé, porque en ciertos lugares posiblemente esté muy bien, en otros lugares menos. Ahora estoy preocupándome por mi nieto, que es pianista también, pero él vive en Ginebra. Y no sé. Depende de qué maestro uno tiene, de cómo se encamina, qué pasa. Pero en ciertas escuelas, en ciertos conservatorios actualmente, hay muchas posibilidades, y en ciertos también se enseña a improvisar, aparte de la lectura y del solfeo, también pasa la cuestión por la improvisación. Y también jazz, en muchas partes. Y eso me parece magnífico. Eso en mi época no había. La improvisación tampoco había. Solamente los organistas.
Justo hablando de su nieto. En el documental hecho por su hija Stephanie. De hecho, tengo que recomendarlo, porque lo vi acá en el estreno, donde usted tocó una vez más.
Sí, me acuerdo. Cuando vine al Festival de Cine.
Y cierra con Martha tocando el piano, una escena muy conmovedora con su nieto. Me dio una sensación de continuidad, de herencia, una sensación de amor y de paz. La pregunta difícil: en su vida, todo pasó muchos años antes de lo que debería pasar. Usted misma dice que a los 17 estaba ya de gira.
Sí, pero dejé también, tuve momentos de crisis y también dejé. Muchas cosas pasaron.
Sí, tiene que ser muy loca la responsabilidad de estar siempre al más alto nivel.
No en ese sentido, pero otras cosas que pasan en la vida, uno no está siempre tocando el piano.
Sí, muchas cosas a la vez, me imagino. Siento que en su vida siempre buscó, además de la excelencia, una especie de tranquilidad y de paz, de plenitud. Y al ver esa escena del documental, le pregunto: ¿siente que hoy en día esa paz está o sigue buscando?
Sigo buscando. Sigo buscando. A veces hay momentos que encuentro un poquito, pero grosso modo, no es exactamente.
Me parece una increíble forma de terminar.
Sigo buscando.
Sí, y no me sorprende y me alegra. Muchas gracias.
Muchas gracias también. Hasta luego.
Hasta luego.