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La Bella Italia triunfou no desempate dos pontapés de pênalti e consegue ultrapassar a Espanha. É a primeira finalista do Euro 2020. Um jogo longo, muito longo, com 120 minutos, 1x1 no final desses 120, 90 mais prolongamento, e nos pênaltis foi Jorginho quem deu a vantagem depois de Álvaro Morata ter falhado para a seleção espanhola e também, já agora, de Dani Olmo e de Manuel Locatelli. Um jogo longo, com muitas emoções. Vamos analisá-lo agora. Gabriel Alves junta-se a nós. Boa noite, Gabriel, bem-vindo. Como é que aguentou esse coração durante esta semifinal bem longa?

Boa noite. Grande futebol mediterrânico, grande futebol latino neste dérbi do Mediterrâneo entre duas equipas que desde 1934 têm tido momentos apaixonantes e confrontos muito apaixonantes. Foi mais um confronto apaixonante, um grande jogo de futebol em toda a sua dimensão, a começar no trabalho dos treinadores. Portanto, o projeto que lançaram nas estruturas dos seus países para as seleções que vieram a este Campeonato da Europa e que depois desenharam aqui sobre o relvado da casa do futebol, o Wembley, um jogo que é de compêndio, que é de grande qualidade, que é de grande futebol, que divertiu, entreteve e que, naturalmente, à escala mundial, deixou notas muito positivas. Só pode passar um. Passou Itália. Não podiam passar dois, se pudessem. Naturalmente, isso não é viável. De resto, a latimidade que se sentou nas bancadas é maravilhosa. Portanto, este povo do Sul que coloriu, iluminou, cantou, deu som e que naturalmente foi, o que se pode dizer, uma lição fantástica. O Reino Unido ou a Itália tem ligeiramente mais migrantes, 173.037 para 98.372 da Espanha. Mas estavam lá, não estavam todos, mas estava uma grande dimensão desses trabalhadores italianos e espanhóis no Reino Unido. De resto, foi interessante ver Pedri, o homem que mais quilómetros percorreu neste Europeu, farás ao senhor doutor em Economia, o senhor doutor Chiellini, que é o capitão da equipa italiana. Fantástico. Portanto, mais um excelente contraste.

E o Pedri tão novinho e com tanta bola, tanto espaço. Acertou todos os passos nos primeiros 90 minutos. É incrível.

E é toda a dimensão do seu futebol, porque ele vai ser o jogador deste campeonato, penso eu. E o insuspeito Gary Lineker, durante a partida, durante o jogo, escreveu no seu Twitter: "Pedri is so good". E escreveu mais coisas sobre Pedri dentro deste tema. Pedri is so good. Portanto, ele é tão bom. Uma primeira parte muito tática, houve mais jogo da Espanha, uma pressão alta da equipa italiana, que não jogou tanto, portanto, pressionou mais. Há que referir que Luiz Henrique surpreende a formação da Squadra Azzurra não colocando um ponta de lança de referência, porque queria jogar com três jogadores móveis, fazendo um falso nove, Dani Olmo, que também foi um pouco um falso 10, mas bem jogou a Espanha. A Espanha jogou bem. Portanto, uma Itália que acabou perante esta Espanha por ter poucas ideias. Poucas ideias, é verdade, que tentou jogar mais a profundidade, enquanto que a Itália foi jogando mais através de um jogo coletivo, bem armado, bem organizado, mas que não teve golos. Obviamente, um 0x0. Podemos dizer que houve um bom remate enquadrado de Dani Olmo, que, como já disse, falso nove ou falso 10, conforme para mim será o jogador mais importante da partida, com Donnarumma a fazer uma excelente defesa, eu diria mesmo uma grande defesa, embora o remate tivesse saído não tão bem como o Olmo queria, mas mesmo assim um bom remate para uma excelente defesa do guarda-redes italiano.

Grande jogo.

A verdade é que na segunda investida de Emerson, que hoje substituiu Locatelli, houve ali perigo e a bola roçou a barra da baliza de Unai Simón. Mas disse eu, a verdade é que nós tivemos uma primeira parte onde a Espanha teve 65.7% de posse para 34.3% do italiano. Cinco remates da Espanha para um da Itália, enquadrado só de facto o Itália, e isto é extremamente importante que se refira, até ao nível dos passes, estou a ver agora, 306 para 833 da equipa espanhola no final do jogo. Portanto, muito mais passe, muito mais jogo por banda da formação da Espanha. Segunda parte, temos uma Itália já não tão fechada, não tão em pressão, mais a jogar, criando outro tipo de situações difíceis, num jogo muito bom E acaba por criar perigo. Houve perigo de um lado e do outro. Houve substituições. A verdade é que Chiesa faz um golaço, eu diria que é o momento fantástico do jogo. Ele já tinha feito também um grande gol em partida anterior. Desta vez, Chiesa, do lado contrário, sobre a meia esquerda, faz um gol fantástico. Os treinadores entraram com as suas substituições. Entra Morata na equipe espanhola, Olmo sempre em grande, muito bem com o Pedri. Verratti com Jorginho no meio-campo italiano. Verratti e Jorginho fundamentais para a mexida do futebol transalpino e Olmo e Pedri muito bem na conjugação do futebol organizado da formação espanhola. A verdade é que Di Lorenzo acabou por tirar uma bola que era de gol. Um remate de meia distância também levou a uma bela defesa do guarda-redes italiano. E depois, entre várias jogadas de emoção, podia ter sido um gol marcado aqui ou acolá, marca Chiesa. Morata aos 71 minutos acaba por entrar, conforme já dissemos, e a verdade é que tem uma jogada que é Olmo. Mas eu queria focar aqui duas coisas. A jogada do futebol italiano, do gol italiano, começa em Donnarumma, porque é uma jogada de profundidade em que o guarda-redes coloca a bola para que a jogada se possa desenvolver. Isso é importante. Insigne tem um trabalho muito importante no desenvolvimento da jogada. Eu direi Olmo para a equipe espanhola, Insigne para a equipe italiana. É Dani Olmo que faz o passe depois do primeiro passe partir também de trás de Laporte. Aliás, um jogador muito interessante este Laporte. Eu o conheço desde o tempo em que ele jogava no Athletic Bilbao. Eu lembro-me, Ernesto Valverde era o treinador nessa altura da equipe basca, ele já era um jogador que fazia o primeiro passe no futebol então desenhado pelo treinador Valverde na equipe de Bilbao.

Sempre muito vertical, sempre muita pontada à frente, não é?

Exatamente. Ele muito bom. E depois a combinação, o chamado dois um entre Olmo com Morata a fazer o morder como ponta de lança e a marcar a igualdade. Tivemos um belo jogo, um jogo cheio de ambiente, cheio de situações. A Itália acabou por estar ali no quatro um, quatro um, quando se viu a ganhar por um zero, mudou taticamente também, refrescou a equipe, trocou os jogadores do meio-campo, da sala das máquinas. Falava-se muito daquilo que era a aristocracia espanhola a meio-campo e os operários italianos a meio-campo. Viu-se isso. Verratti, de facto, um grande operário, com Jorginho muito bem, Barella também. E temos que ter em atenção a aristocracia. Koke que é um treinador dentro do campo. Pedri, já não posso dizer mais do que aquilo que de facto já disse, é uma estrela em ascensão. Estrela, mas no bom sentido da palavra, e aquele patrão que é Busquets. Aliás, diria a equipe da Espanha se ressentiu quando ele, na segunda parte do prolongamento, é substituído por Thiago Alcântara, que não acertou uma, a não ser no pênalti que converteu na marca do pontapé de grande penalidade. De resto, é um belo jogo, onde a Espanha, na primeira parte do prolongamento, podia ter desfeito a igualdade, onde depois, na segunda parte, queda da Espanha, saída de Busquets. Fisicamente, os jogadores não são infinitos. Mas Thiago Alcântara não conseguiu substituir à altura, não fez um passe como deve ser. A verdade é que depois poderia ter sido a Itália. Ganhou, foi nos pontapés da marca de grande penalidade, foi mais competente, foi mais capaz, está na final, mas continuo a dizer: ai, que clima mediterrâneo que pairou sobre o norte da Europa. Que clima mediterrâneo! Fantástico.

E a Itália volta a uma final de um campeonato da Europa, depois de 2012. Regressa nove anos depois. É a quarta final do Euro para a seleção italiana. Gabriel Alves, temos nesta altura mais ou menos quatro ou cinco minutos que nos restam. Vamos, por isso, às nossas rubricas habituais. Vamos primeiro ao momento força da técnica desta semifinal, a primeira do Euro.

Eu direi que a força da técnica é o jogo todo. A grande capacidade de uma e de outra equipe. A qualidade presente nos dois gols, quer o de Chiesa, que é um golaço, quer a jogada toda ela por banda da equipe espanhola. Essa é a grande força da técnica deste jogo, desta meia final, que pôs frente a frente estes dois rivais do Sul da Europa.

E o momento técnica da força, Gabriel, qual é que vais escolher?

Eu hoje prescindo dele porque não o vi.

Foi tudo muito técnico nesta primeira semifinal. Vamos ver se amanhã...

Muito bom. Fantástico. Divertiu, entreteve, deu gozo!

Ficámos presos.

Deu o gozo do estado do Mediterrâneo hoje.

Exatamente. Então vamos viajar, vamos até a uma memória mais antiga do Europeu. Vamos ao nosso momento estilo inconfundível. Desta vez, vamos viajar até quando, Gabriel?

Vamos viajar precisamente até 2012, onde houve também o tal Espanha e Itália. Mais um dos duelos mediterrânicos protagonizado pelas duas equipes. Ocorreu depois desta bela meia final do Wembley. Foi o terceiro título da prova para os espanhóis, pela mão de Vicente del Bosque, talvez a versão Mais bonita que encontraram para derrotar a Itália e humilhando de forma contundente a Azzurra. Portanto, ganhando três torneios seguidos. Fantástica esta equipe espanhola. Só a Alemanha de Helmut Schön esteve mais perto com o Campeonato Europeu e o Mundial de 74. O Campeonato Europeu de 72 e o Mundial de 74, mas em 76 caiu aos pés da Checoslováquia, com aquele famoso pênalti panenka, que ainda hoje faz escola nos contemporâneos. Uma geração de jogadores fantástica, 2008, 2010, 2012, dois Europeus e um Mundial para a Espanha. Fazia parte dessa equipe incrível Casillas, Piqué, Sergio Ramos, Xavi, David Silva, Torres, Alminho, Iniesta, para além de Alba e Busquets, que ainda estão nesta atual Espanha. Do Azzurra, Buffon. Esse Buffon. Bonucci, que hoje ainda também faz parte desta equipe italiana, Rossi, Pirlo, Cassano, Balotelli. Marcaram David Silva, Alba, Torres e Mata para a Espanha. O árbitro, pois é, vamos recordar, foi português, foi Pedro Proença.

Exatamente.

De fato, muito competente.

E tivemos aquele momento em que Casillas pediu ao árbitro, ao Pedro Proença, para não dar tanto tempo de compensação. Já estava 4 x 0. Lembro dele fazer o gesto "ref, ref, four minutes" para acelerar.

E foi um adeus de Pedro Proença. Foi muito competente, foi talvez dos árbitros mais competentes que tivemos nos últimos anos. Quatro zero, e estou a contrapor aos 3 x 0 da Alemanha. Uma final com muitos gols, a contrapor aos 3 x 0 da Alemanha à Rússia em 1972. Isto marcou bem a história. Com 2 x 0 no marcador, tudo estava complicado para os Azzurri. Cinco minutos depois da entrada em campo de Thiago Motta, a terceira substituição de Prandelli, e só havia três na altura, saiu do campo em maca. Esta lesão fez o chamado finito à oposição italiana, a jogar então com menos um, 28 minutos face a uma Espanha pujante. Vicente del Bosque era o selecionador espanhol, desobcegos, um mago. Foi o segundo selecionador mundial a conseguir a dobradinha, o Europeu e o Mundial. Antes, já falamos dele também, foi Helmut Schön com a Alemanha. Tornou-se o selecionador com mais porcentagem de vitórias. Na altura, com 61 jogos disputados, venceu 51, 83% de vitórias. É obra. E Casillas, mago lendário, converteu-se no primeiro jogador da história do futebol a chegar às 100 vitórias como maior de uma seleção, no jogo de 136 com a Rogan. Iniesta foi eleito o melhor jogador do certame, tinha então na altura 28 anos, e Alminho venceu a botador, com 28 anos, três gols, tal como já vira acontecer na edição anterior. Era uma grande Espanha.

E Gabriel, vamos ver se desta vez não teremos também Pedri, por exemplo, como um candidato a ser o jogador revelação, o melhor jogador do torneio, mas isso ainda vamos ter de esperar por mais dois jogos. E relembro que amanhã vamos ter a segunda semifinal com essa Inglaterra, Dinamarca, um jogo que vamos também acompanhar aqui na Rádio Observador, a partir das 20h, em cada meia hora e depois também com a análise do Gabriel Alves. É mais um Força da Técnica e a Técnica da Força. Até amanhã, Gabriel. Obrigado.

Boa noite, até amanhã e divirtam-se ainda no pensar do jogo.

Está quase, temos que aproveitar os jogos que faltam. Até amanhã.

Até amanhã.

Fica por aqui a Força da Técnica e a Técnica da Força, o comentário balizado do único Gabriel Alves. Este comentário fica disponível no site do Observador e nas plataformas habituais. O futebol fica então hoje por aqui. Final de dia de grande emoção. Amanhã mais. Disputa-se então à mesma hora, às 20h. A segunda meia final deste Euro 2020 é o penúltimo jogo desta grande taça. Inglaterra, Dinamarca, também em Wembley. Voltaremos com André Maia e os comentários que gosta de ouvir. Está carimbado o passaporte italiano para a final, que se joga já este domingo, ainda em Wembley. Exatamente, e como foi hoje, às 20h, acompanhe tudo aqui no Observador.

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