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Guerra traduzida na Rádio Observador e seguimos com a imprensa ucraniana, um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro. Em destaque: a Ucrânia está a preparar mísseis para atacar Moscovo.

É uma notícia no portal TCN. Os mísseis balísticos fabricados pela empresa ucraniana FirePoint podem representar uma ameaça para a capital russa até ao final do verão. Perante a escassez de armamento ocidental, a Ucrânia está a acelerar o desenvolvimento dos seus próprios mísseis de longo alcance e também sistemas de ataque. O TCN explica que alguns desses mísseis são capazes de atingir a capital da Rússia. Os drones ucranianos já realizam ataques regularmente a centenas e até milhares de quilómetros da linha da frente. Ainda esta semana, aqui na Guerra Traduzida, falámos de preocupações russas de que os drones ucranianos já conseguem chegar a todo o território russo e, como temos visto ao longo das últimas semanas, conseguem atingir a infraestrutura energética russa, depósitos militares e até aeródromos. No entanto, para ataques mais potentes e mais precisos, a Ucrânia conta com o desenvolvimento dos seus próprios mísseis, incluindo mísseis balísticos e de cruzeiro. Neste caso, estamos a falar do míssil Sapsan e do míssil de cruzeiro Flamingo. São os dois capazes de atingir alvos a uma distância até 3 mil quilómetros e conseguem transportar uma ogiva com mais de uma tonelada. Os especialistas referem que a utilização de navegação por satélite com proteção contra interferências aumenta a resistência destes mísseis aos sistemas de defesa aérea.

Também em destaque na imprensa ucraniana, mais um bloqueio da Hungria, Miguel.

Os líderes da União Europeia não conseguiram convencer Orbán a levantar o veto a um empréstimo para a Ucrânia. Mas há mais. A Eslováquia, liderada pelo primeiro-ministro Roberto Fico, também não aprovou este apoio à Ucrânia. A imprensa ucraniana fala mesmo em sabotagem. Os líderes europeus tentaram chegar a um acordo quanto a um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, mas esta tentativa fracassou perante este veto da Hungria e da Eslováquia. Na imprensa ucraniana é dito que o motivo do bloqueio de fundos vitais para Kiev acontece devido a uma divergência sobre o trânsito de petróleo russo. Pode ler-se que Budapeste e Bratislava estão a utilizar abertamente o poder de veto como ferramenta para pressionar Bruxelas e Kiev, sendo que os dois países, a Hungria e a Eslováquia, exigem reparos imediatos no oleoduto de Druzhba, que, de acordo com as autoridades ucranianas, foi danificado por um ataque aéreo russo em janeiro. Mas é certo que a Hungria e a Eslováquia duvidam disto. Dizem que é uma sabotagem da própria Ucrânia. E há uma missão especial da União Europeia que está atualmente em Kiev a aguardar autorização para visitar este oleoduto danificado.

A Ucrânia precisa de 5 mil milhões de euros para fortalecer o setor energético.

Precisa urgentemente, e quem o diz é Volodymyr Zelensky. Disse isto num discurso precisamente perante os participantes do Conselho Europeu. Zelensky reforçou a necessidade de agir rapidamente para proteger o sistema energético ucraniano e reconstruir o que foi destruído pela Rússia. É necessário o financiamento de pelo menos 5 mil milhões de euros para garantir a sustentabilidade energética no próximo inverno, diz Zelensky. Este é um financiamento já no âmbito desse pacote de 90 mil milhões de euros, o tal apoio que não foi aprovado devido ao veto da Hungria e da Eslováquia.

Para fechar, os iPhones na Ucrânia foram hackeados.

Sim, vários meios de comunicação social da Ucrânia noticiam hoje um ciberataque em larga escala contra utilizadores ucranianos de iPhone. Isto terá acontecido devido a uma invasão a sites ucranianos, incluindo um site de um governo da Ucrânia. O Parlamento Europeu recorreu a especialistas em cibersegurança para tentar perceber a dimensão real desta ameaça. Vamos ao que já se sabe. Diz o Pravda Ucraniana que as equipas de segurança do Google, do iVerify e da Lookout descobriram que um grupo de supostos hackers russos, um grupo chamado UNC6353, comprometeu diversos sites ucranianos, incluindo pelo menos um site do governo. Estes hackers inseriram nestes sites um código malicioso oculto. O ataque durou praticamente quatro meses, entre dezembro de 2025 e março de 2026, este mês de março. Como é que isto funcionava? Se um utilizador de iPhone visitasse um site que estava hackeado, comprometido, vamos dizer assim, o dispositivo poderia ficar infetado automaticamente. De acordo com os investigadores, isto aconteceu nos dispositivos com o sistema operativo iOS 18.4 até ao iOS 18.6.2. Estes equipamentos estavam em risco, o que corresponde a cerca de 270 milhões de iPhones em todo o mundo, mas o que estava hackeado eram sites ucranianos, portanto, tinha como principal objetivo afetar pessoas que consultam esses sites ucranianos. Os hackers conseguiam recolher dos telemóveis hackeados uma ampla gama de dados. Estamos a falar de senhas de Wi-Fi, SMS, histórico de chamadas, localização, histórico do navegador de internet, as notas, o calendário e até mesmo informações médicas. Portanto, temos aqui também uma mudança. Ao contrário de ataques anteriores deste grupo, escreve a imprensa ucraniana, tinham como objetivo roubar criptomoedas. Desta vez, o objetivo principal era a vigilância e o roubo de dados. Ainda assim, alguns especialistas em cibersegurança referem que foram poucos os utilizadores afetados, uma vez que grande parte das pessoas atualiza com regularidade o sistema operativo e, portanto, acabam por não estar abrangidos esses dispositivos com o sistema operativo de 18.4 a 18.6.2. E quanto ao site de governo que foi afetado, esse que podia ser mais prejudicial, porque as pessoas têm de consultar esse site para algum serviço, neste caso era muito concreto. Era um site de um tribunal específico, muito específico, numa região com poucos habitantes na Ucrânia. Esse foi o único que estes hackers conseguiram afetar. E, portanto, dizem os especialistas que sim, é certo que houve iPhones hackeados, mas esses 270 milhões de iPhones em todo o mundo que poderiam estar em risco, certamente o número de pessoas afetadas foi muito menos.

É a notícia de fecho da edição de hoje, 19 de março, de "A Guerra Traduzida", um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro. Está de regresso amanhã.