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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Falamos agora dos destaques na imprensa russa, hoje com o jornalista Martim Madeira. E Martim, começamos com o Vladimir Putin, que visita as ilhas Curilas pela primeira vez num gesto de soberania.

A agência TASS dá grande destaque à visita histórica de Vladimir Putin à ilha de Iturup, no arquipélago das Curilas. Foi a primeira vez que o presidente russo pisou este território, tendo falado com os residentes locais num tom de normalidade e afirmação nacional. Segundo o jornal "Komsomolskaya Pravda", a visita foi recebida com entusiasmo pelos habitantes e serve para reforçar que estas ilhas são uma parte integrante e inalienável da Federação Russa. Por outro lado, a "Ukrainska Pravda" relata que Kiev condenou esta viagem, afirmando que a Rússia está a usar o mesmo manual imperial em todos os territórios que reclama, ignorando agora as leis internacionais e os confrontos diplomáticos que tem com o Japão sobre esta ilha.

E Martim, Moscovo diz não ter conhecimento de novas propostas de paz apresentadas por Kiev.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, citado pela agência TASS, afirmou hoje que a Rússia não recebeu qualquer proposta oficial de paz vinda da Ucrânia. Segundo Ryabkov, as informações que andam a circular sobre o novo plano de Zelensky permanecem num mistério para o Kremlin. O jornal "The New Voice of Ukraine" nota que Moscovo mantém esta narrativa de que Kiev não quer negociar a sério e que as propostas ocidentais servem apenas para prolongar o conflito. Na imprensa russa, a ideia passada é de que a Rússia continua pronta para falar, mas apenas se forem aceites as condições territoriais, enquanto acusa o Ocidente de estar a ignorar as realidades no terreno.

Seguimos com outra notícia: a refinaria de Orsk fecha durante seis meses depois de ataques e dificuldades logísticas.

O jornal "The Moscow Times" revela que esta refinaria de Orsk foi obrigada a suspender a atividade por pelo menos seis meses. Esta paragem é o resultado de sucessivos ataques de drones ucranianos e de dificuldades crescentes na manutenção de equipamentos críticos. De acordo com o mesmo jornal, o governador regional admitiu que a situação das bombas de gasolina não é simples em todo lado, embora garanta que o abastecimento continua a ser gerível. No entanto, o jornal ucraniano "Ukrainska Pravda" sublinha que este fecho prolongado contribui para uma quebra de 55% nas exportações de petróleo russo por via marítima, forçando Moscovo a priorizar o mercado interno de combustíveis.

E Martim, Rússia e Ucrânia trocaram civis em solo bielorrusso.

A agência TASS confirmou hoje que a Rússia e a Ucrânia realizaram uma troca de civis em território da Bielorrússia. Segundo a imprensa russa, este processo humanitário foi mediado pelas autoridades bielorrussas e permitiu que cidadãos detidos por ambos os lados pudessem regressar às famílias. O "The Moscow Times" nota que, tal como a troca de corpos de soldados e prisioneiros de guerra, este é um dos raros exemplos também de cooperação logística, como já tinha sido dito no lado ucraniano, que sobrevive à intensidade deste conflito armado. Apesar da tensão política entre os governos, estes canais pontuais permitem resolver questões humanitárias urgentes que afetam a população civil de ambos os lados da fronteira.

E Martim, fechamos com uma última notícia: uma pessoa foi detida na Crimeia por planear um ataque em linha ferroviária.

O Serviço Federal de Segurança da Rússia, o FSSP, em declarações citadas pela TASS, anunciaram a detenção de um suposto agente de Kiev na Crimeia ocupada. O indivíduo é acusado de reunir informações e de planear um ato terrorista contra a rede ferroviária da península. O jornal "Komsomolskaya Pravda" acrescenta que este tipo de detenções tem sido frequente, com as autoridades russas a alegarem que a Ucrânia tenta sabotar infraestruturas vitais para a vida civil e militar na Crimeia. Paralelamente, o "The Kyiv Independent" relata a morte de um oficial militar russo em Sebastopol, devido a uma explosão de uma bomba num balde do lixo, num ataque que os media russos atribuem a sabotadores locais ou agentes infiltrados.

E fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida", hoje com o jornalista Martim Madeira. Está de regresso amanhã. Fica disponível, como sempre, em podcast.