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"A Guerra Traduzida" na Rádio Observador, o programa em que trazemos os destaques da imprensa russa e ucraniana. Temos conosco a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.
Boa tarde, José.
Começamos com os jornais ucranianos e com a grande notícia que está a marcar o dia: os serviços secretos da Ucrânia assassinaram um general russo acusado de crimes com armas químicas.
O tenente-general Igor Kirilov, chefe das tropas de defesa radiológica, química e biológica das Forças Armadas russas, morreu hoje em Moscovo numa operação das secretas ucranianas, é o que avança o Kyiv Independent. E não foi o único atingido. Também outro membro do serviço russo morreu numa explosão esta manhã. Explosivos presos a uma moto foram detonados quando Kirilov e o assessor estavam perto da entrada de uma casa na capital russa. O Kyiv Independent não conseguiu verificar as alegações. No entanto, a fonte que falou com o jornal ucraniano diz que Kirilov era um criminoso de guerra e um alvo completamente legítimo, uma vez que deu ordens para usar armas químicas proibidas contra os soldados ucranianos e por isso a retribuição por crimes de guerra era inevitável. A explosão ocorreu por volta das seis da manhã, hora local, quando chegou um carro de serviço para Kirilov. O dispositivo que explodiu era caseiro, tinha cerca de 300 gramas de um equivalente à TNT. O Comitê de Investigação da Rússia começou a investigar o caso como terrorismo. Considera que o envolvimento da Ucrânia é o cenário mais provável. Ao Kyiv Independent, uma força das secretas ucranianas diz que já era previsível que Kirilov ou algum membro da equipe fosse assassinado como retaliação pelos crimes de guerra que tem cometido em território ucraniano. Sob as ordens de Kirilov, diz esta fonte, foram registrados mais de 4800 casos de uso de munições químicas pela Rússia desde o início da guerra em larga escala. É o que dizem as secretas citadas pelo Ukrainska Pravda. Uma fonte do serviço de segurança também confirmou, desta feita à AFP, que Kiev esteve por trás da morte de Kirilov.
E Diana, ainda a propósito deste tema, milhares de soldados ucranianos foram envenenados por armas químicas russas desde o início do conflito. É o que adianta o Kyiv Post.
Mais de 2 mil militares foram hospitalizados por esse mesmo motivo. Pelo menos três deles morreram. Por razões de segurança, os nomes ou as unidades a que pertenciam estes soldados não foram reveladas. Os dados anunciados em conferência de imprensa pelo chefe da Divisão de Segurança Ambiental e Proteção Civil das Forças Armadas ucranianas foram avançados hoje. A Organização para a Proibição de Armas Químicas disse no mês passado que foi descoberto gás de choque em amostras de projéteis e também no solo, amostras que foram retiradas da zona onde a Ucrânia estava a lutar contra forças russas. Esta organização está sediada em Haia, proíbe o uso de gás lacrimogêneo e outras armas tóxicas em zonas de guerra. O órgão de fiscalização não identificou, no entanto, a origem do gás encontrado.
E seguimos nesta guerra traduzida com as declarações do ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorski, diz que o Ocidente deve pressionar a Rússia para negociações de paz, e não a Ucrânia.
O foco deve ser outro, acredita o diplomata polaco, em declarações aos jornalistas em Bruxelas. Sikorski diz que a Rússia deve ser a única a ser pressionada nesse sentido, uma vez que é o agressor e não é Moscovo que deve definir em que termos a paz é ou não alcançada. Para o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia devem ajudar a Ucrânia a alcançar uma melhor posição para possíveis negociações futuras, que devem ser encorajadas e impostas ao agressor, não à vítima. Sikorski pede à Europa e aos aliados que formem uma frente unida contra a Rússia e diz que a União Europeia deve intensificar a resposta à agressão de Putin. Eu lembro-lhes é que ainda ontem a União Europeia adotou o 15º pacote de sanções contra Moscovo, visando o setor da defesa da Rússia, mas também pessoas e entidades de outros países, como por exemplo, a Coreia do Norte.
E já está a ser mesmo preparado o 16º. Entretanto, a Ucrânia condena veementemente a visita de uma delegação africana a territórios ocupados pela Rússia.
Representantes de uma dúzia de países africanos chegaram à região de Donetsk, na Ucrânia, onde de resto a Rússia tem feito mais avanços e com mais rapidez. Essa visita aconteceu no início deste mês para descobrir a verdade sobre o povo russo, estou aqui a citar o Kyiv Independent. O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros receia uma espécie de irmandade das nações russo-ucranianas e diz que esta visita é completamente absurda. A diplomacia ucraniana protesta veementemente contra a visita da delegação do Parlamento Pan-Africano, que é o órgão legislativo da União Africana. É uma organização internacional de 55 membros daquele continente.
O governo britânico mobilizou fundos de emergência e reforçou também as sanções contra a Rússia.
Para ajudar a Ucrânia a reparar a rede energética e apoiar pessoas vulneráveis durante o terceiro inverno em guerra. Em comunicado, o executivo britânico adianta que concedeu 35 milhões de libras em apoio, o equivalente a 42 milhões de euros. A maior parte deste apoio vai ser usada em reparações de infraestruturas energéticas destruídas por bombardeamentos russos. Segundo o governo britânico, a Rússia lançou 11 ataques em larga escala contra as infraestruturas de energia da Ucrânia este ano, deixando muitos ucranianos sem eletricidade, nem aquecimento, numa altura em que o país enfrenta, como é habitual, temperaturas negativas. Mais de dois terços da capacidade de produção de energia da Ucrânia foram ocupados, danificados ou destruídos. É o que frisa o executivo liderado por Keir Starmer neste comunicado adiantado ainda hoje.
São os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com o que conta a imprensa russa.