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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com a jornalista Laura Figueiredo. Laura, boa noite. Começamos pela imprensa ucraniana. A Ucrânia pede que não se reconheça a votação russa nos territórios ocupados.

É o apelo de Kiev à comunidade internacional. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros pede que não se reconheçam os resultados das eleições parlamentares realizadas pelas autoridades russas nos territórios ucranianos ocupados, ao mesmo tempo que alerta também para políticas de russificação forçada na tentativa de legitimar o domínio destas áreas. Em causa as regiões parcialmente ocupadas de Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson. Estas áreas representam cerca de 20% do território ucraniano e correspondem às principais frentes de combate desde o início do conflito. Moscovo considera-as oficialmente território russo, mas a generalidade da comunidade internacional não o reconhece. O mesmo comunicado do ministério ucraniano diz ainda que as eleições feitas na Rússia entre hoje e 20 de setembro são uma farsa da potência ocupante, que nada têm a ver com eleições democráticas. O gabinete declara ainda que a Ucrânia não reconhece nem eleições que considera ilegais, nem o que vê como resultados sem sentido.

Os representantes dos Estados-membros junto da União Europeia falharam hoje um acordo sobre a renovação de sanções à Rússia.

De acordo com a presidência irlandesa do Conselho da União Europeia, estas sanções caducam na próxima terça-feira à meia-noite. Na reunião de hoje, o Comitê dos Representantes Permanentes esteve a debater a renovação das listas de sanções e falhou o tal acordo por falta de consenso em torno do pedido francês de retirar o oligarca Alisher Usmanov em troca da libertação de prisioneiros no Azerbaijão. Segundo a presidência rotativa da União Europeia, os trabalhos vão continuar na segunda-feira, com o objetivo de chegar a um acordo antes do prazo limite na meia-noite de terça-feira. Se os diplomatas não chegarem a um acordo, que terá de ser validado pelo Conselho da União Europeia, caducam então as sanções impostas a cerca de 3 mil pessoas e entidades acusadas de favorecer o esforço de guerra russo contra a Ucrânia. O regime de sanções é renovado a cada seis meses.

Laura, a ONU documenta mais de mil casos de violência sexual na Ucrânia. Estima-se que quase 90% tenham sido cometidos por russos.

O anúncio é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que avança que mais de mil casos de violência sexual foram documentados desde o início da invasão russa, sendo que quase 90% são atribuídos ao lado russo. A investigação das Nações Unidas baseou-se em entrevistas confidenciais a centenas de vítimas de atos cometidos pelos dois lados, além de documentos judiciais e também registros oficiais. O chefe da missão de monitorização dos direitos humanos da ONU na Ucrânia alerta que o número conhecido representa apenas uma fração da realidade. Explica também que os investigadores conseguiram entrevistar somente cerca de 10% dos prisioneiros libertados por ambos os lados e não tiveram também acesso aos territórios ucranianos actualmente controlados pela Rússia. Do total de casos documentados, 89% foram atribuídos ao lado russo, incluindo a membros das Forças Armadas, do sistema prisional e também dos sistemas de segurança, e 11% foram atribuídos ao lado ucraniano. Segundo o Alto Comissariado, estes atos inserem-se num padrão chocante de tortura, intimidação e coação, registrado desde o início da guerra. A maioria das vítimas são homens, sobretudo em locais de detenção, embora mulheres e crianças tenham também sido alvo de violência sexual, principalmente nos territórios ucranianos ocupados.

E falamos ainda de Kiev, que esteve sob ataque esta tarde, mas não há relatos de vítimas ou danos.

A informação é avançada pelo presidente da Câmara da capital ucraniana, através do Telegram. Vitali Klitschko deu conta de que esta tarde as unidades de defesa aérea da cidade tiveram de entrar em ação para neutralizar mísseis russos. A imprensa internacional confirma relatos de explosões na capital ucraniana, junto de várias testemunhas, mas não há para já relatos imediatos de vítimas ou danos. O ataque motivou a instauração de um alerta aéreo, que foi levantado ao fim de 40 minutos.

E são estes os principais destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com os destaques dos jornais russos.