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Guerra Traduzida na Rádio Observador. Passamos agora em revista os destaques da imprensa russa com a Laura Figueiredo. E Laura, começamos pelas eleições na Rússia. O presidente Vladimir Putin já votou.

Fê-lo através do voto eletrónico a partir do gabinete em Moscovo. A informação foi avançada pela presidência russa. Num curto vídeo, o Kremlin mostrou Putin em frente a um computador no gabinete a exercer o direito de voto. Putin tinha já votado à distância em 2021 nas legislativas, em 2022 para eleger os deputados de Moscovo, em 2023 durante as eleições para a autarquia de Moscovo e em 2024 nas eleições presidenciais. Além do presidente russo, também votaram eletronicamente, no primeiro dia das legislativas, o primeiro-ministro Mikhail Mishustin, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e também o presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin. Putin apelou durante a última semana aos russos para que votassem sem falta nas legislativas para contribuir para a vitória na guerra na Ucrânia, ponto em que coincidem 10 dos 11 partidos que concorrem nestas eleições.

E a Rússia alargou as sanções a representantes da União Europeia, incluindo os eurodeputados.

Sim, a Rússia alargou esta lista de representantes da União Europeia proibidos de entrar no país em retaliação pelas sanções aprovadas em julho devido à invasão da Ucrânia. O anúncio foi feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que, em comunicado, afirma que a União Europeia mantém a política de medidas restritivas unilaterais ilegais à luz do direito internacional. No mesmo documento é justificado que, em resposta, Moscovo expandiu significativamente a lista de interdição de viajar devido à política antirrussa de Bruxelas. A diplomacia russa esclarece que a lista inclui pessoas implicadas na tomada de decisões sobre a entrega de assistência material ao regime de Kiev e em atividades destinadas a minar a integridade territorial da Rússia, além de se estender também a responsáveis pela imposição de sanções antirrussas. A lista abrange igualmente indivíduos acusados de prejudicar as relações da Rússia com países terceiros e também de obstruir a navegação marítima em interesses russos.

E Laura, a Rússia convocou a diplomata britânica em Moscovo e acusa Londres de ser cúmplice dos crimes de guerra ucranianos.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia convocou esta sexta-feira a chefe da missão diplomática britânica em Moscovo para lhe apresentar um protesto formal quanto ao aumento do apoio militar do Reino Unido à Ucrânia. Em comunicado, a diplomacia russa diz que, e passo a citar, Londres está a colocar-se na posição de um cúmplice das sangrentas atrocidades cometidas pelo regime de Kiev, que só podem ser caracterizadas como terrorismo e crimes de guerra. O Reino Unido tem aumentado de modo significativo o apoio militar à Ucrânia, tendo recentemente anunciado que iria partilhar com Kiev os planos confidenciais de fabrico dos mísseis de cruzeiro Storm Shadow, para que a Ucrânia os possa também produzir. Londres não tem atualmente embaixador na Rússia devido à complexidade das relações entre os dois países. A representação diplomática britânica em Moscovo é assegurada pela encarregada de negócios da embaixada.

E voltamos a Vladimir Putin, que confiscou ativos da Nestlé, do Auchan e do Leroy Merlin na Rússia.

O presidente russo assinou ontem uma decisão destinada a confiscar os ativos de várias empresas mundiais na Rússia. Ao contrário do que aconteceu com muitas outras empresas ocidentais, a Nestlé e o Auchan optaram por não sair definitivamente da Rússia depois da invasão da Ucrânia, mas modificaram a presença no país. A Nestlé, por exemplo, deixou de vender algumas das marcas mais conhecidas, como o chocolate KitKat, deixou de fazer publicidade e interrompeu também o investimento de capitais na Rússia. Já o Auchan manteve os supermercados, que considerou serem serviços civis essenciais, mas colocou a subsidiária russa sob gestão local. Agora, a Rússia colocou temporariamente sob gestão pública todos os ativos pertencentes a estas duas empresas, bem como empresas de logística e também a subsidiária russa que opera as lojas Leroy Merlin e que, entretanto, tinha sido comprada por um fundo dos Emirados Árabes Unidos.

Fica por aqui esta edição da Guerra Traduzida, hoje com a jornalista Laura Figueiredo. A Guerra Traduzida está de regresso para a semana, mas fica disponível, como sempre, já em podcast.