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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista José Rafael Lopes. Eu sou a Rita Camarneiro. Começamos com avanços na linha da frente. É um dos grandes destaques da imprensa russa.
A Rússia fala em avanços significativos e perdas ucranianas. A agência estatal Ria Novosti destaca que as forças russas libertaram a localidade de Novy Donbass, na região de Donetsk. Segundo o Ministério da Defesa russo, nas últimas 24 horas foram atingidos mais de 150 alvos militares ucranianos, incluindo infraestruturas energéticas e de transporte que estariam a ser utilizadas para fins militares. A imprensa russa aponta ainda para ataques contra depósitos de armazenamento e montagens de drones dentro da Ucrânia. A mesma nota afirma que, em sentido inverso, a defesa antiaérea russa abateu bombas guiadas e mísseis de cruzeiro disparados a partir da Ucrânia. Há também relato de mais de 400 drones que foram interceptados. Como é habitual na imprensa russa, o foco é dado apenas a perdas ucranianas. A Ria apresenta estes dados como factos operacionais, sem referência a perdas do lado russo.
Ainda sobre a linha da frente, Moscovo fala em dezenas de mortos num ataque ucraniano a uma escola.
O diário Kommersant dedica um lugar de manchete a um ataque ucraniano feito nos últimos dias contra um edifício universitário em Lugansk. Fala num dos episódios mais mortíferos das últimas semanas. O jornal escreve que o número de mortos aumentou para 16 e que este número pode ainda aumentar em breve. Importa aqui ressalvar que há outros meios de comunicação social russa que falam em mais de 20 vítimas, um cenário mais mortífero do que aquele que é dado pelo diário Kommersant. Dizem também que há vários feridos a registar depois desse ataque ucraniano a uma universidade. Ataque esse que terá sido feito com mísseis e provocou o colapso parcial do edifício, o que levou várias equipas de resgate a terem de trabalhar no local durante largas horas. As autoridades russas no terreno falam num ataque deliberado contra civis por parte da Ucrânia e acusam Kiev de atingir uma instalação sem qualquer valor militar. O jornal reúne estas notas, enquadrando o episódio como parte de uma sequência de ataques constantes da Ucrânia em zonas de controle russo.
Ainda assim, José, há notícias na imprensa russa que dão conta de um possível regresso a conversas de paz mais intensas.
Com destaque para declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, que chegaram à imprensa russa, têm eco nos jornais russos. O artigo cita o que podem vir a ser conversas mais intensas de paz entre a Rússia e a Ucrânia e que podem ser retomadas já no verão. Em entrevista a um canal alemão, citado pelo jornal, pela imprensa russa, o ministro germânico terá dito que o presidente russo Vladimir Putin está mais aberto a discutir uma solução negociada para tentar colocar um ponto final na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Diz também que Moscovo está numa fase em que pensa seriamente que é a altura de pôr fim à guerra. A imprensa russa lembra que as conversas diretas entre delegações dos dois países, a Rússia e a Ucrânia, foram interrompidas há muitos meses e que qualquer novo formato de conversas depende tanto da posição russa como da disponibilidade de Kiev e dos aliados ocidentais de escutar o que a Rússia tem para dizer. Sublinha também que o atual processo negocial teria de assentar em garantias de segurança para a Ucrânia e para a Rússia e em mecanismos de verificação, embora o jornal não detalhe quais são, é o que se pode ler na imprensa russa, que assegura ainda que as posições do Kremlin são irredutíveis.
E sobre este tema, José, a Rússia está num estado de prontidão total.
É o que se pode ler na imprensa do país, que aponta esse estado de alerta russo e também de Vladimir Putin. Há um artigo que aborda a disposição de Vladimir Putin com os compromissos acordados em Anchorage sobre a Ucrânia. O jornal cita o presidente russo, que teria afirmado que esse controle sobre o Donbass e a conclusão de um acordo não são contraditórios em si e que Moscovo não exclui negociações quer com a Ucrânia, quer com o Ocidente, enquanto mantém posições no terreno sem abdicar das mesmas. A peça menciona também que Putin fala em compromissos possíveis, sem especificar publicamente quais seriam as concessões aceitáveis e as linhas vermelhas. Ainda assim, sublinha que qualquer solução tem de ter em conta a realidade no terreno. Esta declaração é recuperada hoje num contexto mais amplo de discussões sobre o futuro da Ucrânia e do próprio sistema europeu de segurança. Sobre este tema, há ainda referências ao que disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, que tem vindo a defender que a entrada da Ucrânia na União Europeia, um cenário que está também prestes a começar a ser discutido, poderia levar a um colapso do bloco europeu.
José, foram os destaques da imprensa russa. A guerra traduzida fica, como sempre, disponível em podcast.