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Estamos de regresso à "Guerra Traduzida" com a jornalista Diana Rosa. Agora para olharmos para os destaques da imprensa ucraniana. Diana, demitiu-se a responsável do Pentágono com a função de coordenar a ajuda humanitária à Ucrânia.

Laura Cooper, vice-secretária adjunta de Defesa, renunciou ao cargo já na passada segunda-feira. Foi noticiado hoje, destaca o Kyiv Independent. Cooper tinha como responsabilidade principal coordenar a ajuda humanitária norte-americana a Kiev. A demissão estará relacionada com as incertezas que a nova presidência Trump significa para o Pentágono e o apoio à Ucrânia. Já vamos voltar a falar sobre a equipe de Donald Trump.

Agora os jornais ucranianos que dizem que a Bielorrússia iniciou treinos militares perto da fronteira com a Ucrânia.

Está em destaque, por exemplo, no New Voice of Ukraine. Os exercícios vão ser supervisionados pelo chefe do comitê executivo do distrito de Homel. Vão consistir em três ou quatro pontos, um deles receber e equipar integralmente os militares na reserva das forças territoriais, utilizando recursos de mobilização local. Ainda, a formação de comandantes de forças territoriais sobre como gerenciar as respectivas unidades. Também preparar os militares na reserva para tarefas específicas, incluindo operações conjuntas com unidades de engenharia das Forças Armadas.

E Diana, Vladimir Putin enviou um general de confiança para afastar a ofensiva da Ucrânia em Kursk.

O general Yunus-bek Yevkurov vai organizar a defesa russa contra o novo ataque ucraniano. Informou precisamente essa região fronteiriça com a Ucrânia. As tropas de Kiev lançaram recentemente uma nova ofensiva contra as forças russas em Kursk, numa aparente tentativa de deter os esforços de Moscovo para reconquistar a região antes que Donald Trump tome posse e sejam iniciadas eventuais negociações. A Ucrânia acredita que Kursk pode ser a chave para eventuais conversas com a Rússia. O Ministério da Defesa russo alegou ontem que as forças ucranianas foram detidas e unidades primárias foram destruídas perto de Berdy, numa região ao longo de uma estrada que leva ao nordeste da cidade de Kursk. A Ucrânia não comentou as alegações e forneceu, de resto, informações muito limitadas sobre esta operação. Está no Kyiv Independent.

E agora, Diana, olhamos para uma nova pesquisa que mostra que a confiança dos ucranianos em Zelenskyy caiu para 52% no ano passado.

E caiu a pique, Luís. Representa uma queda de sete pontos percentuais em relação a outubro do ano passado e 12 pontos em relação a fevereiro. Mas só para termos aqui uma perspectiva mais geral, se no início da guerra a popularidade de Zelenskyy estava nos 90%, agora está em 52%. Portanto, é para termos aqui uma ideia, de facto, da queda e do declínio da popularidade do presidente ao longo da guerra, que obviamente é representada aqui por um grande cansaço também por parte dos ucranianos. Isto é o que diz um estudo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, que foi publicado ontem. Por sua vez, 39% dos entrevistados disseram confiar no presidente. A pesquisa foi realizada entre 2 e 17 de dezembro. Acontece num momento em que a guerra se aproxima do terceiro aniversário e enquanto também as tropas de Moscovo continuam a avançar no leste da Ucrânia. Zelenskyy é visto mais favoravelmente, isto é muito interessante, nas regiões ocidentais da Ucrânia, ou seja, no Ocidente, ali junto à Polônia, 60% da população desta região ainda apoia o presidente. Aliás, há que dizer que nesta região do país, há ainda muitas comunidades polacas, romenas e por aí fora a viver na Ucrânia. Portanto, comunidades mais ocidentalizadas ainda do que a própria Ucrânia, que se emanciparam relativamente à Ucrânia. E depois esta popularidade vai caindo conforme andamos para o leste do país, onde neste momento Zelenskyy reúne apoio de apenas 42% dos cidadãos. Os resultados da pesquisa foram baseados em entrevistas telefônicas com 2000 residentes em territórios controlados pela Ucrânia. Não há territórios controlados pela Rússia neste estudo. Outras pesquisas sociológicas recentes apontam para um crescimento moderado, mas consistente, do pessimismo entre a população ucraniana em relação ao progresso da guerra. Trinta e oito por cento dos entrevistados disseram ainda no mês passado que estavam abertos a concessões territoriais em troca de paz, o que representa um aumento de 19% em relação ao ano passado.

E sabemos que a guerra também precisa de diplomacia, principalmente da que vem dos Estados Unidos, mas o enviado especial de Donald Trump à Ucrânia, Diana, adiou a viagem à Europa até depois da tomada de posse.

O prometido é devido. Voltamos aqui a falar da equipe de Trump. Keith Kellogg, nomeado representante especial para a Ucrânia e a Rússia pelo presidente eleito, ia visitar não só Kiev, como outras capitais europeias, como por exemplo, Paris. Foi designado para desempenhar um papel fundamental com a pasta desta guerra. Só que ontem não só adiou a viagem, como não marcou outra data. Esperava-se que a visita fosse o primeiro compromisso oficial entre representantes do novo governo Trump e as autoridades ucranianas depois da eleição presidencial nos Estados Unidos. Os motivos do adiamento também não foram divulgados. Sabe-se que Kellogg é um dos arquitetos de uma estratégia proposta para resolver a guerra com a Ucrânia, um plano que envolve uma retenção no envio de armas para Kiev, a menos que Washington se envolva em negociações de paz com Moscovo. Quer isto dizer que, Luís, se a Rússia falhar nas negociações, os Estados Unidos reforçam o apoio à Ucrânia, têm uma espécie de álibi. Se a Rússia acompanhar, Kiev pode contar com menos apoio, será esta a lógica.

E falamos ainda das perdas recorde do exército russo no terreno. Em dezembro foram quase 50 mil os soldados de Moscovo eliminados pelas forças ucranianas. São números apresentados pelo Reino Unido.

É uma contagem que excede os outros meses que ficaram para trás desde 2022. Quem o diz é o Ministério de Defesa do Reino Unido, numa atualização dos serviços de informação citados pelo Ukrinform. Foi provavelmente o mês mais custoso da guerra para a Rússia e o sexto consecutivo em que as forças russas sofreram um aumento das perdas totais. De acordo com o governo britânico, a Rússia provavelmente vai continuar a ter altas e baixas taxas ao longo deste mês, com ataques contínuos da infantaria.

E é com estes dados do Reino Unido que termina mais um episódio da "Guerra Traduzida". Estamos de regresso amanhã.