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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço onde trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Boa noite, Diana Rosa.
Boa noite, Beatriz.
Começamos pela imprensa ucraniana. A Ucrânia repatriou mil soldados mortos na mais recente troca com a Rússia.
A informação foi avançada pelo quartel-general de coordenação para o tratamento de prisioneiros de guerra. Os investigadores e as agências especializadas do Ministério da Administração Interna vão realizar perícias para identificar os corpos repatriados antes de entregá-los às suas famílias para os respectivos funerais. A mais recente troca de corpos ocorre no momento em que os Estados Unidos estão a pressionar a Ucrânia e a Rússia para que continuem as negociações de paz, a fim de chegar a um acordo para pôr fim à guerra. As negociações sobre o repatriamento de corpos estão entre os poucos canais de comunicação entre Kiev e Moscovo que continuam a funcionar, mais de quatro anos depois do início da guerra. Apesar de ter sofrido perdas maiores neste conflito contra a Ucrânia, a Rússia provavelmente está a entregar mais corpos do que a receber, é o que adianta a plataforma analítica independente VoxUkraine, que é sediada em Kiev.
A presidente moldava assinou um decreto relativamente à saída do país da Comunidade de Estados Independentes, liderada pela Rússia.
Adianta o Ukrinform, com base no portal de notícias moldavo Newsmaker. A lei entrou em vigor hoje mesmo. A medida faz parte dos esforços da Moldávia para se distanciar da órbita da Rússia e entrar na União Europeia. Obtive o estatuto de país candidato em 2022 e iniciou oficialmente as negociações de adesão dois anos depois. A Comunidade dos Estados Independentes foi criada em 1991, é composta pela Rússia, Bielorrússia, Arménia, Azerbaijão e Cazaquistão, também Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão. Já o Turcomenistão é um membro associado. Estamos a falar de países todos naquela região da Rússia. A Geórgia retirou-se durante a invasão russa do país em 2008. Já a Ucrânia nunca ratificou o tratado, mas foi membro até a Rússia lançar a invasão da Crimeia e do Donbass, territórios ucranianos, em 2014.
E Diana, a imprensa ucraniana acredita que Viktor Orbán pode recorrer a provocações, o estado de emergência ou fraude eleitoral para evitar a derrota nas eleições.
Que estão marcadas, Beatriz, para o próximo domingo. A denúncia consta da agência Ukrinform. A razão é que Moscovo apoia Orbán, investiu nele recursos durante anos e agora não está disposta a deixar a cena, mesmo que o próprio queira renunciar. Caso o partido do poder corra o risco de ser derrotado, espera-se o pior na Hungria. Um especialista ouvido pela agência ucraniana lembra que Orbán não vai abrir mão do poder, está preparado para provocações e até mesmo para derramamento de sangue. Para se manter como primeiro-ministro, é capaz de tudo. De acordo com este artigo, o principal adversário de Orbán, Péter Magyar, representa um tipo diferente de político, que poderia até mudar o rumo da política externa do país, estará mais distante de Moscovo, mais próximo da Europa, mais eurocêntrico. Nesta altura, a força política de Magyar está significativamente à frente do partido que governa, porque a sociedade pede mudança, depois de um cansaço político, além de uma vontade de retorno efetivo à Europa. No entanto, conclui a Ukrinform, a influência russa não desapareceria, mesmo em caso de vitória do novo líder. É que os serviços de informação russos e pessoas que ocupam posições-chave há muito tempo vão continuar a influenciar a governação da Hungria. Vamos estar de olhos postos em Budapeste no domingo.
As autoridades russas revistaram a redação do jornal Novaya Gazeta e detiveram um jornalista de investigação. Esta informação é dada pelo próprio jornal e é replicada na imprensa ucraniana.
Precisamente, agentes de cara tapada dos serviços especiais chegaram ao local ao meio-dia e às 19h as buscas ainda estavam em curso. Os advogados que representam a Novaya Gazeta foram impedidos de entrar nas instalações da publicação e não houve comunicação com a equipe editorial, que já estava no local quando as buscas começaram. Os motivos desta operação são desconhecidos, mas o apartamento do jornalista detido também foi passado a pente fino pela polícia russa. O jornalista vai agora ser presente a interrogatório. As autoridades falam em criação de artigos e materiais informativos de natureza negativa sobre os russos. Certo é que na Rússia, atualmente, trabalhar como jornalista independente, e particularmente como jornalista de investigação, acarreta riscos significativos. As autoridades russas detêm pessoas de forma regular por expressarem críticas ao governo. Diversos jornalistas também foram assassinados durante as quase três décadas de administração de Vladimir Putin.
Ficam por aqui os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos a seguir com os destaques da imprensa russa.