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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, programa em que falamos dos destaques da imprensa russa e da imprensa da Ucrânia. Hoje vamos começar com a imprensa da Rússia. Conosco está o jornalista Rui Casanova. Rui, boa tarde. A imprensa estatal russa continua a dar destaque à eleição de Donald Trump e à relação da Rússia com os Estados Unidos.

O porta-voz do Kremlin vem agora esclarecer que a abertura da Rússia para o diálogo com a Ucrânia, depois da eleição de Donald Trump, não altera em nada os objetivos militares de Moscovo. Dmitri Peskov, citado aqui pelo jornal estatal RBK, explica que a Rússia está disposta a negociar a paz com a Ucrânia, mas garante que os objetivos da operação militar, como a Rússia chama a guerra, mantêm-se. Isto depois de Vladimir Putin ter mostrado nas últimas horas abertura para discutir um acordo com a Ucrânia, agora que Donald Trump está de regresso à presidência dos Estados Unidos. Mas o porta-voz do Kremlin veio à imprensa hoje esclarecer que os objetivos da Rússia na Ucrânia em nada foram alterados, apesar dessa maior abertura.

A imprensa estatal russa dá também hoje destaque a declarações do presidente da Turquia sobre a guerra. O que disse Erdoğan?

O presidente da Turquia acredita que Donald Trump pode acabar, de facto, com a guerra na Ucrânia. Recep Erdoğan acredita que seria possível resolver o conflito rapidamente se a administração de Donald Trump mostrar realmente determinação e intenção de avançar nesse sentido. Ouvimos aqui o presidente da Turquia, declarações numa conferência de imprensa esta manhã. Sublinha que o caminho para a paz segue pela via diplomática, tem de seguir pela via diplomática, aliás, e não com mais armas, bombas e caos. São as declarações de Recep Erdoğan, que sublinha que não concorda com a abordagem ocidental de abastecer militarmente a Ucrânia e afirma agora que depois desta eleição de Donald Trump, se a Casa Branca realmente quiser, pode acabar rapidamente com a guerra. Estas declarações do líder turco fazem manchete a esta hora na agência de notícias estatal russa TASS.

Fazemos agora uma atualização do que se vai passando no terreno. Como sempre, a imprensa estatal russa divulga informações com base em dados do Ministério da Defesa. O que aconteceu nas últimas horas, Rui?

O Ministério da Defesa da Rússia faz hoje um balanço das operações militares na Ucrânia da última semana e essas informações estão em destaque no jornal estatal Kommersant. O Kremlin fala particularmente em operações em Donetsk e Kharkiv, diz que foram conquistadas seis zonas nestas regiões ao longo da última semana. Foram também conquistadas várias vilas e aldeias noutras regiões da Ucrânia, como por exemplo, Kursk. Ao contrário do que costuma ser habitual, hoje não há informação de vítimas ou equipamento militar ucraniano destruído nesta semana de operações. O Ministério da Defesa costuma divulgar esses dados, mas hoje não há essa informação, apenas dados sobre conquistas no terreno levadas a cabo pelas tropas russas na Ucrânia.

Passamos para a imprensa livre e independente da Rússia. O canal Medusa divulga imagens de um ataque da Rússia a Kharkiv.

Kharkiv foi uma das regiões atacadas pela Rússia nas últimas horas. No próximo episódio de Guerra Traduzida, versão Ucrânia, vamos olhar para esses ataques. Mas, para já, destaque para o canal independente Medusa, que divulga várias imagens de Kharkiv. Vemos aqui, por exemplo, um prédio residencial de 10 andares totalmente em ruínas. Vemos outra imagem que mostra civis feridos e ensanguentados a receberem, de forma improvisada, primeiros socorros no meio da rua, na sequência destes bombardeamentos russos. Temos aqui outra fotografia que mostra idosos a serem retirados pelas equipas de emergência de casa. Casa entre aspas, porque são apenas ruínas. As casas ficaram totalmente desconstruídas. Vemos também aqui outra imagem que mostra um pai sentado no chão numa estação de metrô com um bebê ao colo e dá para ver a preocupação na cara deste pai que segura a criança ao colo. Estaria dentro do metrô a abrigar-se destes ataques. São imagens que mostram uma guerra que dura há 989 dias.