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Segunda parte da "Guerra Traduzida" da Rádio Observador com a jornalista Diana Rosa. Diana, vamos falar dos destaques da imprensa russa. Moscovo fala em progressos lentos nas negociações com os Estados Unidos da América e acusa a Europa de impedir uma convergência entre russos e norte-americanos.
De acordo com o diplomata russo Sergey Ryabkov, citado pela TASS: "Estes contactos são acompanhados por tentativas extremamente prejudiciais e maliciosas de um grupo influente de países destinadas a sabotar os esforços e inviabilizar o processo diplomático". Ryabkov acusa ainda a União Europeia de estar decidida a impedir um acordo russo-americano, alertando que as ações do Ocidente correm o risco de levar a uma situação de escalada difícil de controlar e também a um conflito armado direto entre Rússia e NATO. O vice-ministro russo critica ainda o que chama de psicose pré-guerra, alegadamente alimentada por apelos para que os países da Europa se preparem para uma guerra em grande escala, semelhante à que os nossos avós conheceram, a Segunda Guerra Mundial, a Primeira Guerra Mundial. Isto numa referência a declarações feitas pelo secretário-geral da NATO, Mark Rutte, ainda este mês.
Também J.D. Vance fala num avanço nas negociações de paz sobre a guerra na Ucrânia.
O vice-presidente dos Estados Unidos diz que há uma consciência real por parte dos negociadores russos e ucranianos sobre o que é inegociável e o que é totalmente negociável. Vance considera que todos os pontos do plano de resolução estão agora a ser discutidos de forma aberta, classifica a situação como um possível avanço. De acordo com o vice norte-americano, a principal dificuldade continua a ser a questão territorial, em particular a região de Donetsk, que a Rússia quer controlar e que a Ucrânia considera um grave problema de segurança. Outros temas, como o controle da central nuclear de Zaporíjia e a reconstrução do país, serão menos centrais. Apesar de reconhecer progressos e boa-fé nas negociações recentes, Vance admite que ainda não é certo que se alcance um acordo de paz.
Diana, um general russo foi assassinado em Moscovo, explodiu o carro onde seguia.
Manchete do Moscow Times. Este é o terceiro assassinato de um alto funcionário de defesa desde dezembro do ano passado. A bomba estava agarrada à parte de baixo do carro, rebentou. Os investigadores divulgaram imagens em vídeo em que mostram um Kia Sorento branco destruído num estacionamento residencial próximo de uns edifícios de apartamentos. A polícia iniciou uma investigação, diz que o local está a ser examinado e que estão a ser realizados testes forenses, médicos e de explosivos. As autoridades dizem também que estão a investigar um possível envolvimento dos serviços de informações da Ucrânia.
A Agência RIA cita um artigo do jornal The Times que diz que o cemitério militar de Lviv, na Ucrânia, já não tem espaço para mais corpos.
É ali que estão sepultados membros das Forças Armadas da Ucrânia. O Times diz que há um novo terreno, mas que não vai ter vagas durante muito tempo. As autoridades municipais foram obrigadas a procurar outros locais para sepultamentos em Lviv. O primeiro sepultamento no local ocorreu no passado dia 11. Este novo terreno vai ter capacidade para 500 sepulturas, mas as autoridades de Lviv consideram que pode não ser suficiente. O lado russo já relatou que as autoridades ucranianas estão a fazer batota e diminuem o registo do número de mortes entre os soldados das Forças Armadas da Ucrânia. O governador da região de Kherson, Volodymyr Saldo, afirma que Kiev está a ocultar perdas reais na linha da frente para evitar o pagamento de indemnizações às famílias. Já o governador de Zaporíjia diz também à RIA Novosti, a um jornal estatal russo, que as autoridades da Ucrânia estão a ocultar perdas de soldados e a reter os corpos em combate para evitar precisamente os pagamentos às famílias.
E é assim que fechamos esta edição da "Guerra Traduzida", podcast que está de regresso já amanhã.