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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" na Rádio Observador, edição especial sobre a situação no Médio Oriente. Vamos olhar agora para a imprensa internacional, hoje com o jornalista Carlos Pedro. Eu sou o Rui Casanova. E Carlos, o destaque de hoje vai inevitavelmente para o acordo alcançado no Conselho de Paz para o desarmamento do Hamas em Gaza.
Era um dos 20 pontos do plano divulgado pela Casa Branca em setembro do ano passado para o cessar-fogo na Faixa de Gaza. Era precisamente o sexto ponto do plano. Indica que após a entrega de todos os reféns, o processo já concluído, os membros do Hamas procedem ao desmantelamento dos recursos armados, sendo depois amnistiados. A alínea seis diz mesmo que os membros do Hamas que pretendam sair de Gaza receberão uma passagem segura para os países que os receberem. O anúncio deste acordo alcançado foi feito durante a noite por Donald Trump, através da Truth Social. Trump descreve o acordo como um passo monumental para a paz no Médio Oriente e para que Gaza possa ser gerida por um novo governo palestiniano. Este é, de resto, o entendimento que surge, como dizíamos, nove meses após a assinatura no Egito do cessar-fogo mediado por Washington.
O presidente dos Estados Unidos não disse se o Hamas ou Israel aprovaram o plano, mas entretanto, Carlos, já começaram a surgir as primeiras reações.
Sim, do Hamas e de outros grupos palestinianos. Diz a Al Jazeera que concordam com a minuta apresentada pelos Estados Unidos. A Al Jazeera teve acesso ao documento que prevê o desarmamento em Gaza num processo de 14 dias, em duas semanas. À mesma fonte, um membro da delegação do Hamas confessa que as negociações foram difíceis. Deixa, entretanto, dois avisos a Israel. Diz que se Tel Aviv não respeitar o acordo, o Hamas também não vai fazer. E diz também que a implementação deste acordo depende da retirada israelita do enclave palestiniano. Noutras reações, Nikolay Mladenov, alto representante do Conselho da Paz para Gaza, diz que foram necessários meses de negociações muito difíceis para que o acordo fosse alcançado. Confessa também que houve momentos em que não acreditou que fosse possível haver este acordo e diz agora que a implementação e a verificação das medidas têm mesmo de ocorrer, ou seja, passar das palavras às ações.
E o Comitê Nacional de Gaza garante que está comprometido com o princípio de uma única autoridade em Gaza.
Afirma que já concluiu os preparativos para assumir a administração da Faixa de Gaza, com o objetivo de servir o povo do enclave palestiniano, baseado numa administração palestiniana eficiente e transparente. À medida que o processo de implementação avança, o foco será restaurar o funcionamento das instituições da administração pública, melhorar as condições humanitárias, reforçar a segurança pública, lançar as bases para a reconstrução e gerar oportunidades econômicas. É o que diz este Comitê Nacional de Gaza, que irá coordenar-se com o Conselho de Paz, o gabinete do alto representante, a Força Internacional de Estabilização e os parceiros regionais e internacionais para criar condições necessárias no terreno. Por fim, este órgão apela ainda à ajuda da comunidade internacional para a reconstrução da Faixa de Gaza.
Já do lado de Israel, Carlos, silêncio.
Não é, de facto, o maior destaque nesta altura no The Times of Israel, um dos principais jornais israelitas. O destaque esse vai para a alegada hipótese discutida entre Donald Trump e Netanyahu de um bloqueio terrestre contra o Irão.
Vamos então primeiro a esse ponto, Carlos.
É uma notícia, na realidade, do The Telegraph, do Reino Unido, de acordo com um relatório a que o jornal britânico teve acesso. Os dois líderes discutiram a possibilidade de pressionarem Teerão. Conta este jornal que foi um alto funcionário israelita, durante uma reunião, que levantou essa possibilidade, supondo que o Irão não conseguiria entrar nem sair com nada. O jornal sugere que tal esforço poderia ter como alvo uma série de passagens importantes para o Irão, embora considerando o tamanho do país e o número de países vizinhos, seria praticamente impossível a sua total implementação. Já sobre a questão em Gaza, Israel não deu, para já, qualquer resposta ao acordo, mas sabemos que se mantêm, pelo menos, os ataques na Cisjordânia ocupada. Pelo menos 11 palestinianos ficaram feridos, relata a Al Jazeera.
Benjamin Netanyahu ainda não reagiu, mas a oposição ao atual primeiro-ministro de Israel já reagiu, Carlos.
Sim, Gadi Eizenkot, líder do partido recém-formado Yash Atid, que parece estar na melhor posição, dizem os jornais israelitas, para desafiar o atual partido no poder, o Likud. Este rival de Netanyahu, como é apresentado nos jornais do Médio Oriente, diz que o acordo levanta questões sobre o papel de Tel Aviv, nomeadamente se o documento foi ou não imposto à força a Israel. Eizenkot é também ex-chefe do Estado Maior de Israel, diz que Netanyahu falhou ao não falar abertamente deste acordo e deixa críticas ao resultado da guerra em Gaza. Diz mesmo que Israel não conseguiu nenhum dos seus objetivos iniciais, além da libertação dos prisioneiros.
Ponto final neste episódio de "Guerra Traduzida" sobre o conflito no Médio Oriente.