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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" para acompanhar as guerras no Médio Oriente. Olhamos hoje para a imprensa internacional com o jornalista Miguel Gato. Boa tarde, Miguel.
Boa tarde, Carlos.
Miguel, os Estados Unidos receberam vários avisos vindos de Israel que indicavam que o Irão pretendia assassinar Donald Trump, de acordo com fontes citadas pela Reuters. A inteligência americana não conseguiu verificar de forma independente essas alegações.
E os avisos israelitas incluíam possíveis planos para atingir Donald Trump a tiro, através de um sniper, ou recrutar alguém para o atacar com uma faca num grande evento público. O aviso mais detalhado chegou antes da cimeira da NATO em Ancara, em julho, no caso que já conhecemos, de que o presidente norte-americano teve de ser retirado do Air Force One e forçado secretamente a entrar noutro avião por questões de segurança. Ora, tudo terá acontecido porque os serviços israelitas terão informado a Casa Branca de que o Irão poderia tentar nesse dia matar Trump com um míssil, enquanto viajava da Turquia para o Reino Unido, e esse míssil acabaria por atingir o avião. A CIA não conseguiu confirmar a tempo estas ameaças partilhadas pela inteligência de Israel, mas decidiu agir por precaução. É o que conta hoje a agência Reuters.
E sobre o estreito de Ormuz, Miguel, os Estados Unidos dizem que podem manter o bloqueio naval de forma indefinida.
O secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, disse aos jornalistas ontem que as Forças Armadas dos Estados Unidos têm capacidade para manter uma presença naval na região, de modo a fazer cumprir o bloqueio do Irão. Foram várias as declarações de responsáveis da Casa Branca sobre a guerra nas últimas horas. Por exemplo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse também ontem que os Estados Unidos planeiam infligir mais danos financeiros ao Irão, com aquilo que descreve como um isolamento económico nunca antes visto. Já o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, acusa o Irão de não honrar compromissos e garante também que a administração Trump vai conseguir cumprir os objetivos de manter o petróleo e o gás baratos para os cidadãos norte-americanos.
Bem, o que eu posso dizer com confiança é que acredito que isto terminará com os Estados Unidos numa posição mais forte, com o Irão sem armas nucleares e com o estreito de Ormuz novamente num estado em que os preços do petróleo e do gás sejam estáveis para o povo americano. Creio que a questão aqui, Will, é que os iranianos por vezes assumem compromissos que não honram, fazem um acordo e depois não o cumprem.
Ainda assim, J.D. Vance alerta que os iranianos são imprevisíveis, o que dificulta as negociações. Declarações do vice-presidente norte-americano em entrevista à CBS News.
E nas últimas horas, Miguel, um navio petroleiro foi atingido por um drone enquanto realizava a travessia de saída do estreito de Ormuz.
Segundo um alerta transmitido ontem por autoridades militares à Agência Britânica de Operações do Comércio Marítimo, o ataque resultou apenas em danos menores na embarcação. Todos os tripulantes encontram-se em segurança e não há registo de qualquer impacto ambiental na região. A Agência de Segurança Marítima Britânica recomenda cautela redobrada a todas as embarcações que naveguem por aquela rota estratégica no estreito de Ormuz e apelam à comunicação imediata de qualquer atividade suspeita.
Falamos agora de outro conflito. O primeiro-ministro do Líbano esteve esta manhã reunido com o embaixador norte-americano em Beirute.
O chefe do governo libanês encontrou-se com o embaixador e com uma delegação liderada pelo chefe do grupo de coordenação militar pro Líbano. Segundo a agência de notícias estatal libanesa, o encontro centrou-se na vertente militar das negociações e na situação no terreno no sul do Líbano. Durante a reunião, o chefe do governo libanês sublinhou a urgência de Israel cessar as operações de destruição, é assim que classifica, e também definir um calendário formal e vinculativo para a retirada total das forças israelitas do território libanês. Os ataques de Israel no sul do Líbano continuam, isto apesar do cessar-fogo que foi acordado.
E em Gaza, as Forças de Defesa de Israel confirmaram a morte de mais um comandante do Hamas.
Sim, foi num ataque levado a cabo no norte de Gaza. A informação é avançada pelo portal israelita Ynet. Segundo o porta-voz militar israelita, que é citado por este portal, o operacional atuava como comandante de companhia no Batalhão Shati, a ala militar do Hamas. As autoridades apontam ainda que este terrorista participou na incursão em território israelita durante os ataques de 7 de outubro e esteve diretamente envolvido na guarda e cativeiro de vários reféns.
Vamos terminar este episódio no Iémen, onde os confrontos entre os rebeldes houthis e as forças governamentais intensificaram-se.
E aumentam também os receios de que a guerra civil possa abrir uma nova frente de guerra no Médio Oriente. Pelo menos um soldado do governo foi morto e outro ficou gravemente ferido em confrontos com os houthis na província montanhosa de Taiz. Foi o que adiantou as autoridades militares iemenitas à agência Associated Press. Os combates fazem parte de uma série de ataques recentes dos houthis contra áreas controladas pelo governo em todo o território do Iémen.
É o ponto final no episódio de hoje da "Guerra Traduzida" sobre os conflitos no Médio Oriente. A edição de hoje foi com o jornalista Miguel Gato. A "Guerra Traduzida" volta na próxima semana.