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"Guerra Traduzida". Está com a Rádio Observador, no programa em que falamos sobre os destaques dos jornais russos e ucranianos. Conosco hoje está o jornalista José Rafael Lopes. Muito boa tarde, José. Vamos falar sobre a imprensa russa para começar. Começo com uma notícia com poucos minutos sobre o julgamento de um ataque terrorista junto a Moscovo no ano passado.

Os quatro acusados ter-se-ão declarado culpados de todas as acusações. Há quatro pessoas a serem julgadas por esse ataque junto a Moscovo no ano passado, em março de 2024. Um ataque junto a uma sala de concertos matou 149 pessoas em Moscovo. Além das mortes, houve ainda mais de 500 feridos. Isto quando o grupo entrou no local e abriu fogo contra a multidão. Vladimir Putin considerou bem cedo este ataque como terrorista. O julgamento está a decorrer e vários jornais russos dão conta de que os arguidos se declararam culpados. É uma notícia com poucos minutos. Segundo a TASS, admitiram não só a responsabilidade dos atos, como também pediram desculpa aos sobreviventes e aos familiares de quem morreu neste ataque em Moscovo no ano passado.

A imprensa russa que insiste, de novo, na questão nuclear. Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, assegura que a Rússia vai manter a retórica que tem tido até agora.

Garantia dada hoje está em manchete no Meduza, um jornal independente na Rússia. É a resposta de Peskov após a troca de palavras entre Medvedev e Donald Trump, que é presidente dos Estados Unidos. Nesta nova ronda de declarações, Peskov diz que a Rússia vai manter uma posição responsável sobre o possível uso de armas nucleares. O porta-voz do Kremlin disse aos jornalistas russos que esta posição é inflexível e que a Federação Russa não vai ser arrastada para discussões sobre o tema por parte de forças do Ocidente. A posição russa mantém-se, mas a verdade é que Peskov não deixou, ainda assim, de deixar nova farpa russa a Donald Trump. Diz que as forças do Ocidente é que têm de ter cuidado extremo com as conversas sobre forças nucleares. Já sobre os submarinos norte-americanos que foram colocados junto à Rússia, nem uma palavra foi dita por parte de Peskov. É o que está escrito no jornal Meduza.

Já o Pravda Russo traz para a manchete uma história sobre um suposto ataque à frota russa que a Inglaterra estará a preparar.

A notícia cita o Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, que alerta para um possível ataque com o objetivo de provocar a Rússia. De acordo com as informações do Pravda, são forças inglesas que estarão a preparar um ataque a petroleiros russos. O plano ainda estará numa fase inicial, mas em cima da mesa para ser posto em marcha em breve. Este plano tem o objetivo de encurralar a venda de petróleo russo, de modo a prejudicar a economia do país. O Pravda vai mais longe, fala em dois cenários que estarão em cima da mesa. O primeiro cenário, diz o Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, é um incidente com petroleiro numa zona estreita da rota que os navios percorrem, isto de modo a prejudicar e a bloquear o caminho para outros navios que sigam essa mesma rota. O segundo cenário implica um incêndio no petroleiro quando estiver atracado num porto. Isto para tentar que o fogo se espalhe e que deixe não só o navio que está em chamas, como também o porto com problemas e fora de ação. Sem surpresas, a imprensa russa diz também que há uma mão ucraniana a trabalhar em conjunto com este plano que estará a ser desenhado pela Inglaterra.

Destaque também para a visita de Steve Witkoff à Rússia, uma visita que deve acontecer na quarta-feira.

É o que diz a TASS, a agência de notícias estatal russa. O enviado especial de Donald Trump estará mesmo já a preparar as malas para viajar até Moscovo. A agência cita fontes próximas do processo. Steve Witkoff é esperado, portanto, na quarta-feira na Rússia para ser recebido por Vladimir Putin. Contudo, nada é revelado sobre os temas que podem estar em cima da mesa neste encontro. Ainda assim, um possível acordo de cessar-fogo é o que está a ser apontado, sobretudo depois do endurecer da troca de palavras entre a Rússia e os Estados Unidos. Esta não é a primeira vez que Witkoff vai visitar a Rússia. O enviado especial de Trump esteve pela última vez com Vladimir Putin em abril deste ano.

Vamos virar também atenções para o campo de batalha. A Rússia diz que matou mais de 220 soldados ucranianos com ataques de precisão.

Além dos mais de 220 soldados que terão sido mortos, o Ministério da Defesa Russo diz ainda que foram destruídos dois carros de combate de última geração. É o que se pode ler na TASS. O Ministério da Defesa Russo admite ter utilizado mísseis hipersônicos Kinzhal, bem como vários drones para atingir alvos militares ucranianos nas últimas horas. Os alvos principais foram pistas aéreas, isto com o objetivo de diminuir o raio de ação da Força Aérea de Kiev. Este é o ataque em destaque, mas não é o único citado pela imprensa russa. Fala também, citando o Ministério da Defesa, em vitórias devido a ataques espalhados por toda a Ucrânia. Diz o Ministério da Defesa russo que num único dia foram mortos mais de mil soldados ucranianos, bem como a registar várias perdas de material por parte das forças de Kiev.

E José, para fechar, vamos falar de uma descida de impostos na vodka.

A vodka é o principal visado, Miguel, mas não é o único. O jornal Pravda avança hoje que o presidente russo, Vladimir Putin, assinou uma lei que altera o Código Tributário da Rússia e que diminuiu o fornecimento e os impostos sobre as bebidas alcoólicas. Vai ser agora mais fácil comprar e vender álcool na Rússia, sobretudo nas regiões relacionadas com aldeias. Há também mais facilidade para obter licenças para a venda de bebidas alcoólicas. Passa de 65 mil rublos por ano para 20 mil. É uma descida de 45 mil rublos por ano. De acordo com esta nova lei, esta descida de impostos, está prevista uma descida do preço das bebidas, com destaque para a vodka, que é das bebidas mais apreciadas na Rússia. Vai então tornar-se mais barato comprar vodka na Rússia.

São os destaques da imprensa russa.