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Mais um episódio de Guerra Traduzida. Estamos no dia 503 da invasão. Vamos agora olhar para a imprensa da Rússia, um trabalho do nosso colega e amigo Rui Casanova, com a colaboração de Larissa Tovmazian. Rui, vamos começar novamente, tal como fizemos no Guerra Traduzida da Ucrânia, com a cimeira da NATO e com a reação do Kremlin a este evento que decorre na Lituânia.

Como dizíamos há pouco, o tema incontornável do dia, e começamos com um aviso claro do porta-voz do Kremlin. Dmitry Peskov alerta que a entrada da Ucrânia na NATO seria um passo muito perigoso para a segurança da Europa. Já ontem tinha dito algo semelhante, dizia que se a Ucrânia entrar na NATO vai ser um perigo para a arquitetura de segurança da Europa. Hoje, Dmitry Peskov repetiu estes avisos, no dia em que começa esta cimeira da NATO na Lituânia. Afirma Dmitry Peskov que a adesão deve ser associada aos grandes perigos que pode trazer. É preciso que todos tenham consciência disso. Declarações de Dmitry Peskov, aqui citadas pela agência de notícias RIA. Diz também que ninguém quer ver a Turquia na Europa. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, repete, de certa forma, estes avisos também do Kremlin. Afirma que Moscovo está a agir para fazer face à entrada de novos Estados-membros na NATO. "Estamos a tomar as medidas adequadas e oportunas." São declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia numa conferência de imprensa, também citadas pela RIA. Declarações em destaque no dia em que, como dizíamos, começa esta cimeira da NATO em Vilnius. Vamos ver que mais reações chegam da Rússia a este evento, onde vai estar em grande destaque a possível adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica.

Do lado russo, é tudo sobre a cimeira da NATO. Vamos até ao jornal estatal russo "Komsomolskaya Pravda", que tem hoje mais alguns detalhes, Rui, da conversa entre Vladimir Putin e Prigozhin, dias depois da rebelião militar do grupo Wagner.

Só para termos aqui o contexto, foi uma notícia em destaque ontem. Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin, revelou, confirmou que Vladimir Putin e Yevgeny Prigozhin se encontraram dias depois da rebelião militar do grupo Wagner. Foi no final de junho e hoje, como dizias, o jornal KP traz mais alguns detalhes sobre esta reunião, que terá durado algumas horas. Putin ouviu as explicações dos comandantes que estiveram presentes nesta reunião e ofereceu-lhes mais opções de emprego e também o uso de armas em combate. Os próprios comandantes apresentaram a versão do que ocorreu nesta rebelião militar e destacaram que são fiéis ao Kremlin e soldados do chefe de Estado e do comandante supremo. Disseram também que estão prontos para continuar a lutar pela Federação Russa. Estes detalhes foram revelados novamente por Dmitry Peskov. Os jornalistas fizeram mais perguntas hoje, mas o porta-voz do Kremlin recusou responder. Disse que não tem mais nada a comentar sobre este assunto.

Dizia há bocado que não voltávamos à cimeira da NATO, mas vamos voltar, porque o Kremlin reagiu à decisão de França de enviar mísseis de longo alcance para a Ucrânia.

E novamente, vamos à boleia das declarações do porta-voz presidencial russo. Dmitry Peskov afirma que a decisão da França de transferir mísseis de longo alcance para a Ucrânia é um erro. Afirma que do ponto de vista da Rússia é um erro e que naturalmente vai levar a uma resposta do lado da Rússia. É a resposta do Kremlin ao fato de o presidente francês Emmanuel Macron ter anunciado na cimeira da NATO o envio de mísseis de longo alcance para a Ucrânia. Dmitry Peskov respondeu desta forma: "É um erro." Declarações em destaque na agência estatal russa RIA.

E a imprensa livre da Rússia tem em destaque hoje as consequências de uma notícia de que falámos aqui ontem, na Guerra Traduzida, que é o ataque com bomba a uma cidade na zona de Zaporizhzhia.

Um ataque que aconteceu na cidade de Horihiv, na região de Zaporizhzhia. Foi, como dizia João, uma notícia em destaque na Guerra Traduzida de ontem. A Rússia lançou uma bomba nesta cidade numa altura em que uma equipa de ajuda humanitária estava a ajudar moradores de um bairro residencial. Ontem dávamos conta aqui na Guerra Traduzida de quatro mortos. Entretanto, esse número subiu. Há registro de sete vítimas mortais e 13 pessoas feridas. Esta bomba, sabemos agora, caiu numa escola onde estava uma equipa de ajuda humanitária a distribuir ajuda aos moradores deste bairro da cidade de Horihiv, na região de Zaporizhzhia. São dados aqui em destaque no canal independente Meduza, que divulga também fotografias do edifício desta escola completamente em escombros. Não sabemos ainda neste momento se há mais vítimas. Ontem dizíamos que as equipas de resgate estavam no local à procura de vítimas e de pessoas debaixo dos escombros. Entretanto, aqui o destaque, o número de mortos subiu de quatro para sete. Há também 13 pessoas feridas com gravidade neste ataque com bomba a uma cidade na zona de Zaporizhzhia. Principalmente, é outro destaque, quando estava uma equipa de ajuda humanitária no local, no terreno, a ajudar moradores ucranianos nesta guerra.

E é com as consequências de mais um ataque, aqui pelos olhos da imprensa independente da Rússia, que terminamos mais um episódio da Guerra Traduzida. Amanhã estamos de volta, de segunda a sexta-feira, na Rádio Observador. Traduzimos os dois lados da guerra.