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Guerra traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos das notícias em destaque da imprensa ucraniana. Continuamos com o jornalista José Rafael Lopes. Eu sou a Filipa Duarte. José, vamos começar por falar sobre a Cimeira da NATO.
Está a decorrer na Turquia e, sem surpresa, domina as manchetes ucranianas. Todos os jornais fazem referência ao arranque deste encontro em Ancara, bem como referência às palavras de Volodymyr Zelensky. A chegada do presidente Volodymyr Zelensky foi notícia em toda a imprensa ucraniana e Zelensky foi à Cimeira da NATO dizer que a prioridade absoluta é assegurar mais sistemas de defesa aérea para a Ucrânia, nomeadamente os sistemas de defesa aérea Patriot, bem como mais mísseis para proteger as cidades ucranianas. A cobertura ucraniana sublinha que os mais recentes ataques russos demonstraram que a atual capacidade de defesa de Kiev é insuficiente para travar os mísseis balísticos que estão a ser utilizados por Moscovo. Os meios ucranianos dão ainda destaque às reuniões previstas entre Zelensky e vários líderes aliados, incluindo Donald Trump, insistindo que esta pode ser uma das cimeiras mais importantes da NATO desde o início da invasão em grande escala da Rússia à Ucrânia. A imprensa nacional da Ucrânia refere também que Kiev pretende aprofundar acordos de produção conjunta de armamento, sobretudo na área dos drones, e também acelerar a integração militar com os países da NATO. A mensagem dominante é que o apoio ocidental continua a ser decisivo para impedir novos avanços russos em território ucraniano.
Em Kiev foi decretado um dia de luto depois de um ataque russo.
Dia de luto na sequência dos bombardeamentos russos na capital ucraniana, Kiev. Os meios de comunicação social da Ucrânia continuam a dar enorme destaque aos ataques russos mais recentes que atingiram Kiev e os arredores da capital ucraniana. As reportagens presentes em vários órgãos de comunicação social mostram edifícios destruídos, equipas de resgate que continuam a trabalhar quase sem descanso e testemunhos de sobreviventes que passaram a noite em abrigos após as casas onde viviam terem sido atingidas. A imprensa refere que o número de mortos e feridos desses ataques russos continua a aumentar à medida que prosseguem as operações de busca e salvamento entre os escombros. Os jornais apresentam estes ataques como mais uma tentativa da Rússia de intimidar a população civil antes da cimeira da NATO, procurando pressionar os aliados ocidentais da Ucrânia. Defendem também que estes bombardeamentos russos demonstram que Moscovo não está à procura de negociações sérias, mas sim de tentar aumentar o terror entre os ucranianos.
Em sentido inverso, a Ucrânia continua a tentar pressionar a Rússia.
Kiev não pretende apenas defender-se dos ataques vindos de território russo e há uma aposta em atacar as infraestruturas críticas e a indústria petrolífera em território russo. Segundo o Estado-Maior ucraniano, foram atingidos nas últimas 24 horas depósitos de combustível, instalações industriais ligadas ao sector militar, um aeroporto e várias infraestruturas energéticas. São os resultados da mais recente investida ucraniana. A imprensa do país destaca especialmente operações realizadas a centenas de quilómetros da linha da frente, apresentando-os como prova da crescente capacidade tecnológica da indústria militar ucraniana. Os ataques em profundidade. Diz ainda, citando estas fontes ligadas às forças militares da Ucrânia, que as operações do exército ucraniano procuram reduzir a capacidade logística da Rússia e obrigar Moscovo a deslocar recursos para tentar proteger o próprio território e, dessa forma, diminuir a pressão na linha da frente. Sublinham também os media ucranianos que estes ataques procuram diminuir a pressão entre as cidades ucranianas ao atingir diretamente os meios que são utilizados pela Rússia para sustentar a guerra.
E o Canadá anuncia um novo pacote de ajuda militar a Kiev.
A imprensa ucraniana destaca o anúncio desse novo pacote de assistência militar avaliado em cerca de 900 milhões de dólares vindos do Canadá. Segundo os jornais, a ajuda inclui sistemas de defesa aérea, equipamentos militares, apoio ao setor energético e financiamento adicional para a produção de armamento. A decisão é vista como mais um sinal de que os aliados continuam comprometidos com a defesa da Ucrânia, apesar do prolongamento da guerra. Há vários artigos que salientam que este reforço da defesa aérea é considerado prioritário, sobretudo após os mais recentes ataques russos contra Kiev e outras cidades, com a utilização de drones, mas também de mísseis balísticos. Os meios de comunicação ucranianos sublinham e publicam várias análises sobre a evolução da campanha russa pelo ar de Kiev. Especialistas militares citados pela imprensa dizem que Moscovo está a aumentar a utilização simultânea de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones numa tentativa de saturar as defesas aéreas da Ucrânia.
E fechamos com uma investigação ucraniana a um homicídio no Mónaco.
Entre os temas de segurança interna, a imprensa ucraniana tem vindo a acompanhar este caso. Uma mulher que é suspeita de um atentado à bomba no Mónaco. A mulher que foi encontrada morta perto de Kiev. Os serviços de segurança da Ucrânia confirmaram a detenção de dois suspeitos, entre eles um oficial dos serviços de informação militares, que estarão alegadamente envolvidos no homicídio desta mulher. Os jornais explicam que a investigação procura esclarecer tanto a morte da suspeita como a eventual ligação ao atentado que aconteceu no Mónaco contra um empresário. A cobertura da imprensa ucraniana destaca que as autoridades do país, da Ucrânia, estão a cooperar com a Justiça do Mónaco e apresenta o caso como uma investigação criminal extremamente complexa, com possíveis ramificações internacionais que podem também vir a envolver a Rússia.
E fica por aqui a edição de hoje de Guerra Traduzida. Está de regresso amanhã.