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"Guerra Traduzida", estamos de volta com a jornalista Diana Rosa e com os destaques da imprensa russa. Sou o João Gama. E da Rússia começam, Diana, a surgir dúvidas de que o país consiga vencer a guerra na Ucrânia.
"Podemos perder". É precisamente esta frase utilizada por vários comentadores na televisão estatal, que mostram claros sinais de pessimismo quanto ao resultado do conflito, sobretudo na sequência desta invasão ucraniana que aqui falávamos, à região russa de Kursk, que apanhou a Rússia de surpresa e que levou Kiev a conseguir já ocupar mais de 1000 km² de território russo, é pelo menos isso que diz a Ucrânia. De modo genérico, as forças russas afirmam que estão a controlar de forma firme a situação nesta região. No entanto, comentadores como Karen Shakrasyanov, próximo do regime russo, ele é próximo do Kremlin, disse mesmo que a Rússia pode perder a guerra caso erros como este no terreno continuem. Vamos ouvir.
Acredito que temos sempre de partir do princípio que podemos perder. Podemos perder se estes erros continuarem. Isto não é pessimismo nem alarmismo, é simplesmente ter consciência do preço que o nosso país pode ter de pagar. Relembro que em 1942, nos momentos mais trágicos da Grande Guerra Patriótica, Stalin disse sem rodeios que tínhamos perdido virtualmente a guerra e, afinal, houve um ponto de viragem. Parece que serviu de estímulo.
Karen Shakrasyanov, aqui a dar exemplos do que aconteceu na Segunda Guerra Mundial, mas com este conselho de que a Rússia deve estar preparada para perder.
E os Estados Unidos deixam um alerta a Kiev, Diana. Há uma ameaça perigosa na sequência da incursão ucraniana na região de Kursk.
A destruição de equipamento ocidental na região de Kursk vai piorar a posição das Forças Armadas Ucranianas no conflito com a Rússia, é o que escreve a revista Military Watch, citada pela Ria Novosti. Durante esta operação, a Ucrânia enviou para o campo de batalha em Kursk os veículos militares mais poderosos, o que pode levar a várias falhas na resposta ucraniana noutras regiões em território próprio. Diz ainda este artigo que as unidades ucranianas na região de Kursk já perderam muitos equipamentos, incluindo tanques, que os militares russos estão a destruir com drones. Ainda hoje, o jornal The Sun publicou uma reportagem em vídeo sobre as batalhas na região de Kursk e mostra o tanque britânico Challenger a ser destruído. Estava ao serviço das Forças Armadas Ucranianas.
E no terreno, Diana, pelo menos duas pessoas morreram, 11 ficaram feridas na sequência de um ataque ucraniano a um centro comercial em Donetsk, no leste da própria Ucrânia.
É o que denuncia a imprensa russa, que cita as autoridades de emergência da região. No shopping Galactica, na localidade de Petrovsky, andava muita gente às compras. Na sequência do bombardeamento, deflagrou um incêndio no edifício, que acabou por arder por completo, sendo que o fogo consumiu uma área de mais de 10 mil metros quadrados. O ataque foi levado a cabo às primeiras horas da manhã. As autoridades russas que ocupam esta região da Ucrânia dizem que o número de mortes na sequência deste ataque pode aumentar, uma vez que ainda pode haver vítimas sob os escombros, entre elas crianças.
E na Rússia, há novas regras para a obtenção de visto para quem queira deslocar-se ao território.
As alterações foram apresentadas hoje pela porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros. Para começar, agora é preciso que seja feita uma entrevista aos requerentes do documento. As entrevistas vão ser realizadas por funcionários das missões diplomáticas e das repartições consulares russas. É uma forma mais eficaz de identificar as pessoas cuja permanência em território russo é considerada indesejável, assim como controlar a entrada no país de cidadãos que pertençam a Estados que representem um risco migratório acrescido ou que estejam a atravessar uma situação sociopolítica instável. Nesta entrevista que vai ser feita às pessoas que querem pedir um visto, quem precisa do documento vai ainda ter de fornecer documentos adicionais. São eles cópias de convites, contratos, autorizações de trabalho, também passagens de regresso a casa e ainda têm de confirmar que têm dinheiro suficiente para permanecer na Rússia. Estas confirmações estão sujeitas a revisão obrigatória por parte de um funcionário consular. De acordo com a Maria Zakharova, estas medidas servem para proteger cidadãos russos, mas também estrangeiros no país, assim como combater a migração ilegal e prevenir a utilização do território russo para a entrada ilegal em países vizinhos.
E fica por aqui este episódio da "Guerra Traduzida".