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Seguimos com um novo episódio de Guerra Traduzida. Vamos agora olhar para a imprensa russa. Já passamos em revista a imprensa ucraniana. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, feito em colaboração com a Larissa Tovmazian. Rui, a explosão da barragem de Kakhovka também está em destaque na imprensa estatal russa.
Tal como falamos há pouco no episódio de Guerra Traduzida da Ucrânia, este é um tema também incontornável na imprensa estatal russa. Só para recordar o contexto, falamos de uma explosão que aconteceu durante a madrugada. Esta barragem ucraniana fornece água à península da Crimeia e também à central nuclear de Zaporíjia. Falamos de uma barragem hidroelétrica que fica no sul da Ucrânia. Rússia e Ucrânia têm trocado acusações sobre a autoria desta explosão nas últimas horas. O jornal KP, jornal estatal russo, tem um longo artigo com o resumo deste caso e faz várias perguntas e respostas. Por exemplo, quem atingiu a barragem? Claro que a imprensa estatal russa acusa a Ucrânia. O que vai acontecer com a água que é fornecida para a região da Crimeia e se as consequências são duradouras. Este artigo do jornal KP alerta também que com a subida do nível d'água, as Forças Armadas da Ucrânia podem tentar uma incursão através do rio Dnipro, na Ucrânia. Este artigo destaca também que o Ocidente não hesitou em culpar a Rússia por este incidente.
O chefe da diplomacia britânica, por exemplo, fala em um crime de guerra.
Sim, olhamos precisamente para essas declarações, para essas reações que têm surgido ao longo do dia de hoje. O chefe da diplomacia britânica, James Cleverly, fez uma publicação no Twitter a afirmar que um ataque a uma infraestrutura civil deste gênero é, sem dúvida, um crime de guerra, porque falamos de uma infraestrutura civil, fala ainda em um ato monstruoso. Diz também que o Reino Unido está pronto para fornecer assistência e apoio necessários às pessoas afetadas por este incidente. Já o chanceler alemão Olaf Scholz culpa o lado russo pela destruição desta infraestrutura civil. Olaf Scholz não tem dúvida: a explosão desta barragem é uma escalada de violência por parte da Rússia.
Este é também um tema em destaque nos canais independentes russos.
Sim, não acontece muitas vezes e costumamos destacar isso aqui na Guerra Traduzida, a imprensa estatal e a imprensa independente da Rússia destacarem as mesmas notícias, mas falamos de um incidente que faz eco e faz manchetes um pouco por todo o mundo e o canal Meduza não passa ao lado da explosão desta barragem do sul da Ucrânia. Aqui, o canal Meduza destaca que a população da região da Crimeia pode ficar sem água potável devido à explosão desta infraestrutura. O canal Meduza cita várias autoridades ucranianas e alerta que pode estar aqui em causa um crime de ecocídio, ou seja, uma destruição em larga escala do planeta. Aqui diferenças entre a imprensa estatal russa e a imprensa independente, a imprensa estatal a dar mais destaque ao lado militar e mais ao lado diplomático, se é que podemos dizer assim, a imprensa independente mais preocupada com o lado civil da guerra.
Mudamos de tema. O governador da região de Belgorod afirma que não há sabotadores ucranianos nesta zona.
São declarações em destaque na agência estatal RIA e para contextualizarmos, ainda ontem aqui na Guerra Traduzida falamos de uma investigação da CNN Internacional que diz que há uma rede de militares ucranianos infiltrados na Rússia, sabotadores que estão escondidos e que têm levado a cabo ataques a alvos russos. Também já tínhamos falado aqui na Guerra Traduzida de notícias relacionadas com tentativas militares ucranianos que tentaram invadir durante a noite esta região russa de Belgorod. Agora o governador desta região vem pôr um ponto final na questão, vem tranquilizar os moradores desta região russa, garante que não há sabotadores ucranianos nesta zona. São declarações que surgiram numa publicação na rede social Telegram do governador de Belgorod e que estão em destaque na agência estatal RIA.
E é precisamente com esta notícia que fechamos este episódio de Guerra Traduzida, trazida à antena do Observador pelo Rui Casanova.