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Está na hora de, como sempre, traduzirmos a imprensa dos dois lados da guerra aqui na Rádio Observador. Começamos pelos jornais ucranianos, um trabalho do jornalista Rui Casanova, com a colaboração de Tânia Olinek. Boa tarde, Rui.
Boa tarde.
Vamos começar com o tema do dia, a Cimeira da NATO na Lituânia, em Vilnius, e de que forma a imprensa ucraniana está a noticiar este encontro.
A imprensa da Ucrânia dá grande destaque, como é natural, a esta cimeira da NATO que, como dizia João, decorre entre hoje e amanhã em Vilnius, e com destaque para as declarações do presidente da Ucrânia. Volodymyr Zelensky afirmou nas últimas horas que é um absurdo que a Ucrânia não seja convidada para se tornar um membro da Aliança Atlântica e que, em vez disso, receba palavras vagas sobre as condições da adesão. Uma mensagem forte deixada por Volodymyr Zelensky, como dizia, nas últimas horas na rede social Twitter. Afirma Zelensky que a Ucrânia valoriza os aliados e a segurança comum. Ainda assim, critica o fato de a Ucrânia não ser desde já convidada para aderir à NATO. Afirma Zelensky que a Ucrânia merece respeito. O líder ucraniano considera que isto deixa em aberto a possibilidade de a adesão ser discutida em negociações com Moscovo para pôr fim ao conflito. Afirma Zelensky que isso é para a Rússia uma motivação para continuar o terror. Declarações de Zelensky, como dizia, numa mensagem publicada no Twitter. Acrescenta ainda o líder ucraniano que, e estou a citar: "A incerteza é uma fraqueza", acrescentou. Garante ainda que vai discutir estas questões abertamente durante a cimeira.
E sobre os restantes aliados, Rui, quais é que são os destaques?
O canal ucraniano TCN faz um resumo das principais declarações até agora, não só hoje, mas também de ontem, na véspera do início desta cimeira. Destaque para Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, que afirma que a adesão da Ucrânia à NATO é prematura. Já o presidente da Lituânia, que está a acolher este evento, afirma ao lado do secretário-geral da NATO que apoia a adesão da Ucrânia. A ministra dos Negócios Estrangeiros da França, Catherine Colonna, diz que esta cimeira deve proporcionar uma oportunidade para consolidar o apoio da aliança à Ucrânia. E o chanceler Olaf Scholz diz que a adesão da Ucrânia à NATO é possível depois de serem cumpridas as condições indispensáveis, como a resolução da luta pelos territórios que a Rússia e a Ucrânia estão a lutar no terreno e também, claro, o fim da guerra.
Ainda no plano diplomático, a Casa Branca confirmou a reunião entre Biden e Zelensky em Vilnius e, como é óbvio, não escapou à imprensa ucraniana.
Sim, aqui é uma notícia em destaque no jornal ucraniano Pravda. O presidente dos Estados Unidos vai reunir-se com Volodymyr Zelensky durante esta cimeira da NATO em Vilnius. Será amanhã. Uma informação confirmada por Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional do presidente norte-americano. Declarações avançadas nas últimas horas numa conferência de imprensa à margem desta cimeira em Vilnius.
E foi de Vilnius que veio um anúncio francês. Vai enviar o país mísseis de longo alcance para a Ucrânia.
"Queremos mandar uma mensagem de apoio." Foi assim que Emmanuel Macron, presidente francês, fez este anúncio, como dizias, do envio de mísseis de longo alcance para esta guerra na Ucrânia. O presidente francês afirma que entregar estes novos mísseis vai permitir ataques mais profundos contra a Rússia. É importante mandar uma mensagem de apoio à Ucrânia. Foi assim que Emmanuel Macron fez este anúncio na cimeira da NATO.
Fechamos o capítulo da cimeira em Vilnius, vamos até ao campo de batalha. Aí, Rui, os ucranianos libertaram quase tanto território em cinco semanas quanto os russos capturaram em meio ano.
São dados de um relatório do Instituto Norte-Americano para o Estudo da Guerra, citados pelo Pravda. De acordo com este relatório, desde o início da contraofensiva ucraniana, por volta do início de junho, e de acordo com base nas estimativas do Instituto Norte-Americano para o Estudo da Guerra, as forças ucranianas recapturaram aproximadamente 253 km² de território. Já do lado da Rússia, e desde 1 de janeiro, ou seja, nos últimos seis meses, ou sete meses, neste caso, as tropas russas capturaram um total de 282 km² de território. Portanto, é uma diferença muito curta, de 253 km² para 282. Este relatório indica ainda que as forças russas estão a ganhar terreno, principalmente na área de Bakhmut, no leste da Ucrânia.
E estamos a chegar àquela altura no verão em que há um flagelo que existe, não só em Portugal, o número de animais abandonados tem tendência a subir. Na Ucrânia, Rui, foi o contrário. No mês passado, no arranque do verão, os habitantes de Kiev, em junho, levaram para casa o maior número de animais abandonados desde o início da invasão.
Dados importantes, até tendo em conta que estamos a falar de um país em conflito e também os animais sofrem com estas hostilidades, certamente. São dados do Hospital de Medicina Veterinária da cidade de Kiev, citados pelo jornal Pravda, mostram que em junho este hospital colocou 132 animais que estavam nas instalações do hospital junto de famílias, ou seja, foram alojados 132 animais. Ao todo, no primeiro semestre deste ano, ou seja, nos primeiros seis meses do ano, foi possível alojar ao todo 281 animais. E lá está esse número recorde, 132, só em junho. O Hospital de Medicina Veterinária de Kiev diz ainda que durante estes primeiros seis anos realizou a esterilização de mais de 5 mil animais de rua e vacinou mais de 5 mil cães e gatos contra várias doenças. Falamos aqui de um contexto de guerra, certamente também não é fácil o trabalho destes voluntários e destes profissionais de saúde animal. E são dados aqui em destaque importantes, que também importa trazer aqui para a Guerra Traduzida à boleia do jornal Pravda.
Sobretudo das famílias que, apesar de estarem num país em guerra, não abdicam de acolher animais. Portanto, já sabe, o verão é a altura para relaxar, mas há outras opções que não abandonar os animais. É assim que terminamos a Guerra Traduzida, versão Ucraniana, e já a seguir vamos traduzir o lado russo.