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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos olhar para a imprensa russa com a ajuda da Larissa Tovmazian. Larissa, bem-vinda. Hoje começamos com o ataque de ontem a um centro comercial na Ucrânia. Importa perceber o que está na imprensa russa, porque de facto quando olhamos para as páginas principais, principalmente da imprensa estatal, não há muita referência a isto. Há algumas referências já por parte de membros do Kremlin e há um artigo na Meduza que faz referência a isso. Neste caso, já estamos a falar de uma publicação independente.
Exato. No dia 27 de junho, as forças aeroespaciais russas atacaram uma base de armas dos Estados Unidos e de outros países europeus através de mísseis de alta precisão na região de Kremenchuk. As fontes dizem o seguinte: como resultado de um ataque de alta precisão, as armas ocidentais concentradas no armazém para enviar para o grupo ucraniano de Donbass foram derrotadas. Só que isto é avançado pelo canal de Telegram do Ministério da Defesa, porque eles tiveram de apresentar alguma justificação. O Telegram do Ministério da Defesa diz que publica todos os dias um ponto de situação em várias regiões da Ucrânia e hoje, no dia 28 de junho, um dos tópicos era precisamente sobre este incêndio, onde se diz que as Forças Armadas da Federação Russa continuam a destruir os pontos militares no território da Ucrânia e dizem, portanto, que no dia 27 foi destruída esta base que vinha dos Estados Unidos e outros países europeus, mas que também alcançou o centro comercial, mas esse não estava a funcionar.
Diz então o Ministério da Defesa que não foi um ataque a um centro comercial, foi um ataque a uma base militar com armas dos Estados Unidos e diz também que este centro comercial não estava a funcionar. De facto, na imprensa estatal praticamente nenhuma referência a isto. Encontramos esta informação já num jornal independente e também essa informação no Telegram do Ministro da Defesa. Isto é o que surge na Rússia sobre esse ataque que surgiu ontem, já com a confirmação por parte das autoridades ucranianas de várias vítimas mortais, vários feridos, vários desaparecidos também, cerca de 60% desse centro comercial destruído. Entretanto, ontem tivemos também uma declaração de Zelensky perante o G7. Diz que espera que a guerra termine antes do inverno, antes do final do ano. Ora, a Rússia respondeu, isto sim, já aparece na imprensa estatal, em praticamente toda. Diz Peskov que aceita o que diz Zelensky, até diz que pode acabar já hoje, basta a Ucrânia desistir.
O porta-voz do Kremlin disse que as autoridades ucranianas, se desejassem, poderiam parar com as suas hostilidades dentro de horas. Isto vem na sequência, precisamente do comentário de Volodymyr Zelensky, que diz que planeava terminar a guerra antes do inverno. Ele acrescentou que o lado russo concentra-se nas declarações do presidente Putin e, mais uma vez, diz que a operação militar está a ir de acordo com o planeado e está a atingir os seus objectivos. No entanto, Peskov especifica que não há prazos aproximados para a sua conclusão. Dizer apenas que, tal como salientaste no dia anterior, o conselheiro da Segurança Nacional do presidente dos Estados Unidos, o Jake Sullivan, disse que Zelensky, que se dirigiu aos líderes do G7, pediu aos patrocinadores da Ucrânia que aproveitassem ao máximo os próximos meses, porque segundo ele, um conflito prolongado não está no interesse do povo ucraniano por razões objectivas.
É uma resposta àquilo que disse Zelensky, uma resposta por parte do Kremlin a dizer que sim, que a guerra pode acabar até antes do inverno, pode acabar já, basta a Ucrânia depor as armas. É o que diz Peskov. Entretanto, temos novas sanções. Tem sido assim desde o início da guerra. É a Rússia a aplicar sanções, desta vez a 25 cidadãos americanos, entre eles estão a esposa e a filha de Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos da América.
Isto é avançado pelo Kommersant, estatal, que diz que para além da esposa do presidente americano, Jill Biden, e a sua filha, Ashley Biden, a nova lista do Ministério dos Negócios Estrangeiros inclui, em particular, alguns senadores republicanos, investigadores das universidades americanas e alguns economistas também. Aos cidadãos que entraram nesta lista do Ministério dos Negócios Estrangeiros é negada a entrada na Federação Russa por tempo indeterminado. A lista também inclui o cientista político americano Francis Fukuyama, mais conhecido como o autor do conceito do fim da História.
São novas sanções, neste caso, dirigidas também à família de Joe Biden. Para além das sanções, o que temos também desde o início da guerra, praticamente, são várias multas, principalmente por parte da Rússia, a diferentes empresas e instituições. Hoje temos notícias, por exemplo, aqui num artigo da Meduza, multas à Twitch, o serviço de streaming, também à UPS, serviço de entregas, também à rede Pinterest. Portanto, temos aqui um grande pacote de multas.
Exato. O Tribunal Distrital de Tagansky, de Moscovo, considerou os relatórios administrativos elaborados para as grandes empresas internacionais que se recusaram a cumprir o requisito das autoridades russas, que era o de localizar os dados pessoais de clientes da Rússia. Isto segundo a Interfax. Por isso, as plataformas como Pinterest e Twitch foram multadas em 2 milhões de rublos cada e o serviço de entrega UPS foi multada em 1 milhão de rublos. Todas essas empresas foram consideradas culpadas nos termos do artigo oitavo do Código Administrativo da Federação Russa, que se refere ao incumprimento do operador da obrigação de garantir o registo, sistematização, acumulação e armazenamento de dados pessoais de cidadãos da Federação Russa.
Estamos aqui a falar de metadados. Estas empresas têm esses metadados dos clientes, incluindo clientes na Rússia A Rússia pediu para ter acesso a essa informação, as empresas recusaram, portanto estão a ser multadas. Isso está a acontecer também, e aqui já vamos para a Ren TV, um canal estatal, está também a acontecer com a Airbnb.
Exato. O tribunal decidiu também impor uma multa de 2 milhões de rublos à Airbnb pela mesma razão, por recusar localizar os dados dos russos.
Para fechar, hoje, Larissa, temos as escolas da região de Donbass que vão adaptar o currículo ao currículo russo.
Exato. Isto segundo a Ren TV também, o Ministério da Educação, Sergei Kravtsov, disse que o programa curricular escolar para os estudantes de Donbass será adaptado aos manuais russos. Ele pediu apoio às crianças em idade escolar, provenientes dos territórios libertados do Donbass. Para eles, o Ministério da Educação e a Rússia já organizaram várias excursões onde os alunos vão ser informados sobre a história e a cultura russas. E como já mencionamos aqui também, milhares de professores já tiveram uma formação para dar aulas segundo os padrões russos. E relembrar apenas que em maio houve uma entrevista à Izvestiya em que Kravtsov relatou que os alunos das escolas de Donbass já tiveram aulas de acordo com esses padrões russos e os livros usados pelo regime de Kiev distorcem a verdade histórica e apenas factos reais objetivos.
Razões apontadas para adaptar assim o currículo nas escolas do Donbass ao currículo russo. Isto é uma mudança que vai avançar. Entretanto, foi já também noticiado aqui pela imprensa russa. Termina assim esta Guerra Traduzida, com olhar para a imprensa da Rússia e com a ajuda da Larissa Tovmasian.