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Segunda parte da Guerra Traduzida. Continuamos com a jornalista Diana Rosa e agora o que diz a imprensa russa. Começamos, Diana, com as acusações entre Donald Trump e Vladimir Putin, na sequência dos ataques russos à Ucrânia dos últimos três dias.
Duas acusações de loucura. Donald Trump diz que Putin enlouqueceu. Putin diz basicamente que Trump está descompensado. Ora então, comecemos pelo início. O presidente norte-americano diz que o homólogo russo ficou completamente louco e avisou que qualquer tentativa de conquistar o território ucraniano vai levar à queda da Rússia. Numa mensagem no Truth Social, a que foi replicada pela imprensa russa e também pela ucraniana, Trump admite que sempre teve muito boas relações com Putin, mas aconteceu qualquer coisa com ele porque perdeu o juízo. Trump sublinha ainda que sempre teve a convicção de que o presidente russo queria toda a Ucrânia, e não apenas parte dela, e isso, no entender de Trump, é demasiado ambicioso e vai levar à destruição da Rússia. O presidente norte-americano escreve ainda nesta publicação que Putin está a matar desnecessariamente muitas pessoas e não apenas soldados. Mortes sem qualquer justificação para Donald Trump, mas no meio disto, o presidente norte-americano tem ainda espaço para criticar Volodymyr Zelensky e diz que ele não deve falar da forma como fala, que tudo o que sai da boca do chefe de Estado ucraniano cria problemas e é melhor que pare.
E qual é que foi a resposta de Putin perante esta publicação de Donald Trump?
Diz que o presidente norte-americano está a ser alvo de uma sobrecarga emocional. O Kremlin afirma que está muito grato a Donald Trump e aos Estados Unidos pela ajuda na organização do processo de negociações de paz, mas como é um momento crucial e desafiante, Donald Trump está a ter reações demasiado emotivas.
E Diana, terminou a restrição de armas enviadas pela Alemanha à Ucrânia. A partir de agora, podem ser enviados todo o tipo de armamento, de equipamentos, mesmo os de longo alcance.
É um anúncio do chanceler alemão, Friedrich Merz, diz que já não há limites para o alcance das armas fornecidas à Ucrânia, nem pelos britânicos, nem pelos franceses, nem pela Alemanha, nem mesmo pelos norte-americanos. A Ucrânia pode, portanto, a partir de agora, defender-se atacando alvos militares na Rússia, independentemente do local, que era uma das condicionantes que existia. Este anúncio é feito em vésperas de Zelensky visitar Berlim. Vai lá estar na quarta-feira, reunido com o chanceler alemão, para discutir planos para um novo pacote de sanções da União Europeia à Rússia ou até novas negociações para a paz. Está também previsto um encontro entre Zelensky e o presidente alemão. Uma notícia da TASS.
E o Kremlin diz que a ameaça da NATO está a crescer de forma rápida.
Nikolai Patrushev, assessor do presidente russo e também presidente do Conselho Marítimo da Rússia, transmitiu este alerta em nome do próprio Putin. Essas ameaças de que fala têm sido cada vez maiores, supostamente, através da arquitetura de segurança internacional construída depois da Segunda Guerra Mundial. Patrushev diz que os acordos importantes de controle de armas foram destruídos e a presença das forças da NATO aumentou na região do Báltico. Queixa-se ainda que a Aliança Atlântica está a aumentar o potencial naval que tem, assim como de combate e de informações. É uma notícia do Izvestia.
E temos ainda uma notícia do Moscow Times. O Kremlin diz que ainda está a trabalhar no rascunho de um memorando para a paz.
A Rússia rejeita as acusações que chegam do Ocidente quanto à estratégia de Putin em atrasar o processo de paz. Estratégia essa que foi, lembro, admitida em off por um dos conselheiros do presidente russo. Ora, o Kremlin diz à imprensa que isso não é verdade. Dmitry Peskov diz que um documento que está a ser elaborado é sério e exige várias verificações, assim como uma preparação cuidada. Certo é que o Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros disse na sexta-feira que Moscovo apresentaria as condições para um acordo de paz de longo prazo depois da conclusão da troca de prisioneiros acordada em Istambul, troca essa que foi concluída ontem.
E fica por aqui mais este episódio da Guerra Traduzida.