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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa da Ucrânia e também da imprensa russa. Hoje com a jornalista Beatriz Félix. Boa noite, Beatriz.
Boa noite.
Vamos começar pela imprensa russa e com Vladimir Putin, que promete uma resposta espelho à retenção de navios russos.
O presidente russo falou nesta quarta-feira, no encerramento dos exercícios da Frota do Pacífico, a bordo do cruzador de mísseis Varyag, afirmou que a Rússia vai responder na mesma moeda, caso os países europeus concretizem a apreensão de navios mercantes russos. Também segundo as agências TASS e Ria Novosti, o chefe de Estado russo classificou as intenções de algumas nações da União Europeia de limitar a circulação e também apreender embarcações civis como atos de pirataria e roubo, e diz que se trata de uma violação direta do direito marítimo internacional. Putin deixa também a nota de que a retaliação de Moscou pode não acontecer necessariamente nas mesmas bacias hidrográficas onde os navios foram retidos, mas em qualquer ponto do globo que o comando russo considere oportuno, incluindo também na área de responsabilidade da Frota do Pacífico. Também nesta visita militares, o presidente da Rússia foi informado pelo almirante Viktor Lina que as forças navais russas têm, neste momento, meios suficientes pra inspecionar e deter navios de países não amigáveis que operem sob bandeiras de conveniência.
E seguimos em território russo, Beatriz, até porque Moscou justifica os ataques no Mar Negro por considerar que Kiev é responsável pelo caos alimentar.
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, afirmou esta quarta-feira que as Forças Armadas russas continuam a realizar ataques cirúrgicos de alta precisão contra alvos militares e infraestruturas no Mar Negro utilizadas pela Ucrânia. Uma notícia que é avançada pela agência TASS e que conta que estas operações têm como objetivo neutralizar as ameaças criadas pelas forças ucranianas à navegação civil e à estabilidade da navegação regional. Zakharova sublinhou que os alvos são definidos com base em coordenadas previamente apuradas para minimizar danos colaterais. Em simultâneo, a diplomacia russa acusa o governo de Kiev de destabilizar deliberadamente o mercado alimentar mundial. Segundo a posição oficial divulgada na imprensa estatal, estas investidas ucranianas contra alvos de transporte e cereais na região do Mar Negro estão a provocar a subida dos preços dos grãos e também o aumento do défice alimentar. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russos sublinha que este cenário beneficia diretamente países ocidentais e grandes conglomerados agrícolas. Acusa também Kiev de estar a atuar sob instrução de parceiros ocidentais para criar volatilidade no mercado internacional.
E continuamos a falar de ataques, mas desta vez, Beatriz, por parte da ofensiva ucraniana.
Precisamente, a imprensa russa reporta um ataque massivo com drones ucranianos contra a região de Krasnodar, que fica no sul da Rússia. Um ataque que aconteceu durante a última noite e madrugada, com várias cidades como principal alvo. A imprensa russa cita relatos oficiais que indicam que as defesas antiaéreas e os sistemas de guerra eletrônica abateram dezenas de engenhos não pilotados. A queda de destroços causou danos materiais, infraestruturas e também ferimentos em civis e há registro de vítimas mortais na região do Kuban. O governador do território de Krasnodar, citado pela imprensa local, garantiu que os serviços de emergência foram mobilizados pro terreno, de forma a conter os estragos e a prestar auxílio à população. Também o Ministério da Defesa da Rússia reafirmou que as forças russas mantêm o controle operacional e continuam a neutralizar as ameaças aéreas sobre as regiões fronteiriças e a costa do Mar Negro.
E mudamos agora de tema, Beatriz, até porque na Rússia foi libertado um antigo fuzileiro naval norte-americano.
Falamos de Robert Gilman, que estava a cumprir pena de prisão na Rússia. É um dos temas também hoje em destaque na imprensa russa. Os jornais noticiam que Vladimir Putin concedeu um perdão a Gilman por razões humanitárias e que o cidadão norte-americano já terá regressado aos Estados Unidos. O Kommersant conta ainda que a libertação ocorreu sem a contrapartida de uma troca de prisioneiros. Esta informação foi também confirmada pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que agradeceu a decisão e afirmou que Moscou não exigiu nada em troca. A imprensa russa cita também o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff, que agradeceu a Putin a participação pessoal no processo. Gilman deverá agora receber tratamento médico nos Estados Unidos.
E Beatriz, fechamos esta guerra traduzida com um tema diferente, porque vamos falar de tecnologia.
Pra contar que a aplicação do Ozone Bank foi retirada da loja Google Play. A instituição bancária russa confirmou que a aplicação deixou de estar disponível pra ser descarregada nesta plataforma de telefones com sistema operativo Android. Segundo o Ozone Bank, as aplicações já instaladas vão continuar a funcionar normalmente. Os clientes podem, ainda assim, recorrer a outras lojas de aplicações, à versão web da aplicação ou o acesso à conta através do próprio navegador. O banco declara ainda que os pagamentos e transferências, também as restantes operações dentro da Rússia, continuam a fazer-se sem qualquer restrição e os fundos dos clientes estão também seguros. É a garantia deixada por este banco. A instituição acabou por ser incluída nas sanções da União Europeia no final de julho e no início de agosto, foi também alvo de sanções britânicas. A imprensa russa refere que esta aplicação, a do Ozone Bank, se mantém disponível na App Store, ou seja, os telefones com sistema operativo da Apple.
Tudo dito nesta guerra traduzida, no que toca à imprensa da Rússia. Voltamos a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.