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"Guerra" traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e também da imprensa russa. Hoje, com a jornalista Laura Figueiredo. Muito boa noite, Laura. Vamos começar pela imprensa russa. A Crimeia declarou estado de emergência depois dos ataques ucranianos à rede elétrica.

De acordo com o Moscow Times, as autoridades nomeadas pela Rússia na região ocupada da Crimeia e na cidade de Sebastopol declararam esta sexta-feira estado de emergência para enfrentar os problemas económicos na região. Registando preocupações como a escassez de combustível e a segurança, a Crimeia suspendeu atividades turísticas e acampamentos de verão até setembro e os postos de abastecimento suspenderam também a venda de combustível. A imprensa russa cita o responsável regional nomeado pela Rússia, Sergei Akshinov, que disse que a medida vai servir para acelerar decisões que afetam infraestruturas essenciais e também serviços públicos.

Laura, Vladimir Putin está a ponderar uma nova mobilização para a guerra na Ucrânia. A falta de soldados está a preocupar Moscovo.

Sim, com dificuldades na reposição de tropas nas fileiras, o presidente russo estará a ponderar fazer a primeira mobilização militar desde 2022. A decisão, que toca num dossier político sensível e que pode gerar insatisfação junto da opinião pública, poderá ser tomada a seguir às eleições parlamentares russas em setembro. Vários meios independentes russos noticiam o dilema com que a administração russa se depara à medida que o fluxo de soldados seca, com notícias que registam mais de 30 mil mortes por mês e poucos avanços na linha da frente. Putin estará consciente de que é preciso reforçar as tropas, incluindo com civis. Segundo o jornal independente Véstka, o número de novos recrutamentos para lutar na Ucrânia desceu mais de um terço nesta primavera, comparando com o período homólogo no ano passado. De acordo também com a mesma fonte, esta possibilidade de haver uma nova mobilização motivou já um êxodo de cerca de 700 mil russos, o equivalente a todas as forças militares russas na Ucrânia. Isto significou, sobretudo, uma saída do país dos mais jovens e com formação superior, bem como cerca de 11,5% das poupanças nos bancos russos. Segundo estas informações, Putin estará relutante em relação à ideia de voltar a fazer uma mobilização, tendo apostado até agora em pagamentos de bônus a voluntários ou recrutamento de pessoas como prisioneiros e trabalhadores migrantes. No entanto, estas estratégias não estão a ser suficientes para reforçar o exército, pelo que o Kremlin poderá mesmo ter de recorrer à solução mais radical.

As preocupações de Vladimir Putin que, Laura, esta sexta-feira vai estar reunido com Alexander Lukashenko.

O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, viaja esta noite para a Rússia para um encontro de urgência com Vladimir Putin. A visita, que não estava anunciada, acontece num momento de forte escalada entre a Bielorrússia e a Ucrânia, uma escalada de tensão. De acordo com a agência oficial bielorrussa, os dois líderes vão discutir a situação regional e global. Nos últimos dias, a troca de acusações entre Kiev e Minsk subiu de tom. Lukashenko acusou o exército ucraniano de um ataque com drones que atingiu um autocarro com jovens atletas bielorrussos, enquanto Volodymyr Zelensky ameaçou bombardear solo bielorrusso. Apesar de a Bielorrússia servir de apoio logístico a Moscovo e também de albergar armas nucleares táticas russas, Lukashenko garante que o país não vai ser arrastado para este conflito.

A Rússia diz ter abatido 28 drones que estavam a voar em direção a Moscovo.

Uma informação avançada pelo presidente da Câmara da capital da Rússia. No Telegram, Sergei Sobyanin adianta que as equipas de resgate estão a trabalhar nos locais dos acidentes. A Ucrânia tem reivindicado a responsabilidade por uma campanha de ataques de longo alcance contra alvos dentro da Rússia, bombardeamentos em que utiliza armas ucranianas e que tem enquadrado como parte da estratégia para trazer o conflito de volta à Rússia. Na semana passada, um ataque ucraniano provocou um incêndio de grandes proporções numa refinaria de petróleo no sudeste de Moscovo. Na quinta-feira, dois ataques de longo alcance, já reivindicados pela Ucrânia, atingiram um depósito de petróleo na região de Krasnodar e duas refinarias em Ufa. O presidente ucraniano assumiu já a responsabilidade pelos ataques. Afirma, numa mensagem publicada nas redes sociais, que são respostas coerentes e precisas à estratégia da Rússia de prolongar a guerra e atacar cidades e comunidades ucranianas.

Foram as principais notícias da imprensa russa, com curadoria da Laura Figueiredo. Nós voltamos já a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.