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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.
Boa noite, Filipa.
Diana, hoje começas pela imprensa da Rússia. A Praça Vermelha em Moscovo vai estar sem tanques no Dia da Vitória, o que reflecte as prioridades militares e o medo que o Kremlin tem de ataques.
Pela primeira vez, Filipa, em quase 20 anos, o tradicional desfile militar vai ser realizado sem a presença de veículos blindados, tanques, como dizias, ou sistemas de artilharia pesada. O Ministério da Defesa justifica a decisão com a necessidade de preservar equipamento para a situação operacional na frente de batalha e para minimizar riscos de segurança na capital. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusa a Ucrânia de planear actividades terroristas contra alvos civis e infraestruturas simbólicas, citando os recentes ataques de drones que atingiram Moscovo e outras cidades russas. Analistas independentes sugerem que a ausência de hardware militar é uma admissão tácita do desgaste das reservas russas, na sequência de perdas que ultrapassam 1 milhão de baixas entre mortos e feridos. A escala reduzida do evento, que no passado servia para projectar a força global da Rússia, enfraquece o valor propagandístico interno, num momento em que a população começa a sentir o peso económico de um conflito que já dura há quatro anos.
E Diana, como é que tem sido nos anos anteriores?
Os desfiles do Dia da Vitória têm sido geralmente menos extravagantes desde que a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia em 2022, embora as comemorações do aniversário 80, que foi o ano passado, contaram ainda com cerca de 11 mil soldados, 150 veículos militares, de acordo com o governo russo, mas basta recuperarmos as imagens desse desfile para ficarmos impressionados com a quantidade de pessoas e de meios que eram direccionados para essa celebração. Vinte e sete líderes estrangeiros, bem como outras autoridades internacionais, visitaram Moscovo para o desfile de 2025. Em comparação, até quarta-feira, o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico era o único líder mundial em exercício com a presença confirmada no evento deste ano. Sabemos que é um fã de Vladimir Putin. O ex-líder sérvio-bosnio Milorad Dodik também afirmou que vai viajar para Moscovo, de acordo com o Gazeta. Peskov disse que no início da próxima semana, o Kremlin vai divulgar a lista completa de convidados numa data posterior.
E Moscovo intensificou a repressão digital e está a investigar o Telegram por suspeitas de terrorismo.
O governo russo ordenou o endurecimento das medidas de vigilância com foco nas plataformas de comunicação e também nas figuras políticas locais, sob o pretexto de combater ameaças terroristas antes das eleições deste ano. As autoridades iniciaram uma investigação criminal contra a liderança do Telegram, alegam que a aplicação tem sido utilizada para coordenar ataques ucranianos e disseminar propaganda subversiva. Paralelamente, Vladimir Putin alerta para o perigo de alegados métodos terroristas usados por Kiev, devido à suposta incapacidade das forças ucranianas de avançarem no terreno. Esta vaga repressiva resultou também na detenção do presidente da Câmara de Ufa por acusações de corrupção, sinalizando uma purga nas administrações regionais para garantir a lealdade absoluta ao Kremlin. No campo da informação, o orçamento federal aumentou as dotações de propaganda em 6,6%, com foco especial no Instituto para o Desenvolvimento da Internet, que recebeu fundos massivos para produzir conteúdos patrióticos dirigidos à juventude, tentando contrariar o crescente descontentamento com a prolongada mobilização militar.
E o júri da Bienal de Arte de Veneza demitiu-se por causa da participação da Rússia.
O colectivo, presidido pela curadora brasileira Solange Oliveira Farkas, demitiu-se a poucos dias da abertura do evento. A inauguração oficial marcada para 9 de maio foi cancelada. Por coincidência, 9 de maio, o mesmo dia do Desfile da Vitória, mas é mesmo uma coincidência que estou aqui também a realçar. Na semana passada, o júri da Bienal tinha anunciado que excluiria a Rússia e Israel de participarem nos prémios do evento por considerarem que os líderes destes países têm mandados de detenção pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e que, portanto, não deveriam participar. E os ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros de 22 países, entre os quais Bélgica, Suíça, França, Espanha, Alemanha e Ucrânia, manifestaram-se contra a presença da Rússia na Bienal, considerando a participação inaceitável nas actuais circunstâncias, algo que acabou também por ser condenado pela Comissão Europeia. Este ano, o Pavilhão da Rússia acolhe o projecto "The Tree is Rooted in the Sky". É comissariado por Anastassia Karniva para uma exposição que reúne cerca de 40 artistas.
E voltamos já a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.