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Seguimos com a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos analisar a imprensa ucraniana de quarta-feira, 14 de dezembro. Contamos, como sempre, com a ajuda do jornalista Miguel Cordeiro, num programa feito em colaboração com a Tânia Olinyk, natural da Ucrânia. E em destaque, Miguel, a Rússia realizou ataques com drones esta manhã em Kiev.

A Rússia atacou com drones kamikaze, drones iranianos. Por volta das 6h desta quarta-feira, 14 de dezembro, foi anunciado um alerta aéreo na região de Kiev. Durante a manhã foram ouvidas algumas explosões. O exército russo lançou estes drones. Serhii Popko, chefe da administração da cidade militar de Kiev, disse que graças ao trabalho eficaz das unidades de defesa aérea e da defesa eletrónica, até às 8h56 conseguiram destruir 13 drones kamikaze lançados pela Rússia em Kiev e nos arredores de Kiev. Segundo Serhii Popko, Kiev sofreu duas ondas de ataques. Como resultado deste ataque, quatro prédios residenciais ficaram danificados no distrito de Shevchenkiv, em Kiev, e os distritos de um drone abatido também caíram numa habitação.

E Zelensky, Miguel, já reagiu ao ataque.

Sim, o presidente da Ucrânia reagiu a este ataque matinal com drones iranianos. No Telegram ele diz: "Esta manhã os terroristas atacaram com drones. Todos os 13 drones foram abatidos por os nossos sistemas de defesa aérea. Estou orgulhoso, caros cidadãos, agradecemos aos sistemas de defesa aérea". Há também reações internacionais. A embaixadora americana Bridget Brink e a embaixadora britânica Melinda Simmons comentam este ataque russo. Bridget Brink, a embaixadora norte-americana, diz que está a caminho da Ucrânia mais ajuda. Ela diz: "Drones em Kiev esta manhã. Sei que acordar com as bombas russas já se tornou um fenómeno muito frequente que os ucranianos estão a lidar com coragem e dignidade em toda a Ucrânia. Ainda mais ajuda está a caminho". Já Melinda Simmons, a embaixadora britânica, enfatiza que Kiev acordou com explosões. Segundo ela, tentou ficar afastada das janelas, estava sentada no corredor durante o ataque. Ela diz: "Sentei-me no corredor, sem janelas, e esperei que o ataque passasse". É o que diz a embaixadora britânica.

Grande parte dos ucranianos vai destinar parte do orçamento que devia ser canalizado para as festividades em apoio às Forças Armadas.

Aproxima-se esta altura das festividades. Não é que os ucranianos troquem propriamente prendas no Natal, os costumes não são iguais aos nossos, mas há sempre dinheiro gasto para estas festividades, em iluminações, em comida e até em prendas que são trocadas por esta quadra. Foi feito aqui um estudo sobre tudo isto. Sessenta e um por cento dos ucranianos, apesar da guerra, não podem desistir das compras de Ano Novo, desta altura das festividades. E mais de 60% dos ucranianos vão gastar pelo menos parte do orçamento para essas compras para ajudar as Forças Armadas ou para ajudar as vítimas da guerra. Isto surge num estudo feito a consumidores ucranianos, realizado pela Deloitte na Ucrânia. O estudo conclui que a maioria dos ucranianos, 61%, apesar de tudo, está a fazer essas compras de Ano Novo, de Natal, compram menos do que em 2021. Ao mesmo tempo, o orçamento de quase metade dos ucranianos, 49% dos ucranianos, para compras neste período de Ano Novo e de Natal varia de 1000 a 5000 hryvnias, ou seja, em moeda ucraniana, isto equivale a 25 a 125 €. É o orçamento. Nota-se que o foco das compras são bens essenciais, produtos alimentares, artigos pra criança, roupas, calçado. É aqui que está a ser investido grande parte do dinheiro. Sessenta e três por cento dos ucranianos dizem que não vão comprar produtos de empresas ou de vendedores que ainda não tenham deixado o mercado russo.

Miguel, já falámos disto esta semana aqui na Guerra Traduzida, mas há mais dados. Por causa dos aparelhos de aquecimento, o número de incêndios na Ucrânia já duplicou.

Sim, foram divulgados aqui novos dados. Nós falámos disto na segunda-feira, já com alguns números também, mas agora foi feita até uma conferência de imprensa por causa disto. Durante os primeiros 12 dias de dezembro na Ucrânia, o número de incêndios relacionados com fogões, com fornos, com sistemas de aquecimento aumentou quase 100%. Em particular, os incêndios relacionados com o uso de botijas de gás, de geradores, tornaram-se muito frequentes na capital, em Kiev. O que é que temos? Temos quebras de eletricidade, temos pessoas a utilizar botijas de gás e fogões a gás ou fornos em situações em que não devem ser utilizados, ou equipamentos antigos, ou equipamentos não certificados, e depois aumenta, é claro, o risco de incêndio e acabam mesmo por acontecer esses incêndios. O assessor de imprensa do Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia, Oleksandr Khorunzhyy, diz: "Por 11 meses de 2022, mais de 75 mil incêndios aconteceram na Ucrânia. 1327 pessoas morreram, incluindo 31 crianças. 1500 pessoas ficaram feridas, incluindo 106 crianças. O maior motivo destes incêndios é a utilização descuidada do fogo. Agora estamos a registar um aumento de incêndios devido àquilo que são violações das regras durante a instalação e a operação de instalações elétricas ou instalações a gás, incluindo, por exemplo, curtos-circuitos devido à sobrecarga de redes elétricas. Em novembro, em relação a outubro, houve um aumento de 10%". Isto é o que diz estes serviços. Um aumento que pode chegar até 83%, contabilizando todos os dados até novembro. E se forem comparados apenas os primeiros 12 dias de dezembro com os primeiros 12 dias de novembro, o aumento é de 100%. Ou seja, duplicaram os casos de incêndios caseiros por causa da utilização de equipamentos a gás ou equipamentos elétricos de forma incorreta ou equipamentos que não estão em condições.

Um aumento significativo e é desta forma que terminamos a Guerra Traduzida de quarta-feira. Analisámos nos últimos minutos a imprensa ucraniana.