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Guerra traduzida na Rádio Observador. Em tempo de conflito trazemos tudo o que dizem os jornais russos e os jornais ucranianos. Já temos conosco aqui em estúdio a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.

Boa tarde, João.

Vais começar hoje pela imprensa ucraniana e com essa incontornável notícia da conversa entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump. Os dois líderes estão ao telefone desde mais ou menos das 14h, no momento em que estamos aqui, Diana, já lá vai uma hora de conversa em que o presidente norte-americano estará a falar com Zelensky sobre o telefonema que teve com Putin.

Sim, ao mesmo tempo que estou contigo, estou também a olhar para os ecrãs para ver se há alguma notícia de que essa conversa tenha terminado. Mas de facto, se a conversa entre Trump e Vladimir Putin ontem durou cerca de uma hora e meia, não se prevê que com Volodymyr Zelensky dure muito menos do que isso. O tema da conversa foi revelado pelo próprio chefe de Estado ucraniano. Vão falar os dois sobre esse telefonema que Putin teve ontem com Donald Trump.

"Hoje vou falar com o presidente Trump. Vamos discutir este assunto com ele hoje e penso que já temos os pormenores dos próximos passos. Foi um encontro muito bom entre as nossas equipas e penso que tudo estava a correr bem, se não fosse a Rússia, que está sempre descontente quando as coisas correm bem para nós".

O encontro que correu bem e que é aqui descrito por Zelensky corresponde à reunião entre as delegações dos Estados Unidos e da Ucrânia, que decorreu na Arábia Saudita. Zelensky afirmou que os próximos passos não podem ser tomados sem a Ucrânia e revelou que vai falar sobre isso mesmo hoje com o homólogo norte-americano. O líder da Ucrânia também mostrou abertura para uma participação ucraniana no encontro previsto na Arábia Saudita, que vai reunir as comitivas da Rússia e dos Estados Unidos, ainda que nesta altura não seja claro se foi feito um convite nesse sentido. Na última vez, não foi.

E ainda sobre o cessar-fogo, Diana, Zelensky rejeita a exigência de Putin, que quer o fim do apoio militar à Ucrânia, assim como o fim da partilha de informações secretas por parte dos Estados Unidos.

São algumas das exigências do presidente russo para uma eventual trégua, quer que o Ocidente deixe de fornecer armas a Kiev. Zelensky discorda. O presidente sublinha que ninguém pode influenciar os Estados Unidos da América ou outro aliado ucraniano, uma vez que se trata de uma decisão dos líderes de cada país. Zelensky sublinha que uma pausa no fornecimento de armas significaria o enfraquecimento das posições ucranianas. No entanto, é estranho, diz Zelensky, se a Rússia não planeia continuar a guerra e quer verdadeiramente a paz, por que teme o exército ucraniano? Por que fazer tudo para minar o exército da Ucrânia ou enfraquecer a posição do povo? Questiona o chefe de Estado, que defende que, pelo contrário, é preciso fortalecer o apoio ao país como um sinal de que a Ucrânia está pronta para quaisquer surpresas por parte da Rússia.

Diana, e vamos olhar para o que se passa no terreno. Dois hospitais da região de Sumy foram atingidos por drones russos. Isto poucas horas depois de Putin ter concordado em interromper os ataques à rede elétrica da Ucrânia.

As duas unidades hospitalares foram atingidas durante uma série de ataques à Ucrânia, o que levou o presidente Zelensky a acusar Vladimir Putin de rejeitar realmente qualquer alívio nas hostilidades. No local estão equipas de socorro, até agora sem vítimas a registar. Certo é que imediatamente depois da conversa entre Putin e Trump, começaram a soar as sirenes de ataque aéreo na Ucrânia, que foi alvo de várias explosões. Zelensky confirma que os ataques tinham como alvo a infraestrutura civil. Relatórios locais indicam que a infraestrutura energética de Sloviansk, em Donetsk, foi danificada, causando apagões parciais.

E se esta noite a Rússia disse ter derrubado sete drones próprios para manter o cessar-fogo energético, Kiev veio rejeitar esta informação, diz que Moscovo lançou 145 drones contra a Ucrânia.

Do lado da Rússia, é o Ministério da Defesa a garantir que abateu os próprios drones. Só que a Ucrânia assegura que Moscovo lançou, para além desses equipamentos, seis mísseis contra a Ucrânia. Mais de 70 drones foram abatidos e quase 60 desapareceram dos radares. De acordo com o Ministério da Defesa russo, os sete drones que estavam no ar tinham sido enviados para atacar instalações de energia ucranianas em Mykolaiv. Seis foram supostamente abatidos por um sistema de defesa aérea e um por um jato de caça russo. O Kremlin acusa ainda a Ucrânia de lançar três drones contra uma instalação de energia russa em Krasnodar Krai, que terá resultado num incêndio. Moscovo chamou ainda o ataque de provocação com o objetivo de interromper os esforços de paz de Donald Trump. O Kremlin acusa a Ucrânia de sabotar essa pausa nos ataques. Os militares ucranianos não comentam este suposto ataque no Krai de Krasnodar. O "Kyiv Independent" não conseguiu verificar estas alegações.

E nós voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.