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Guerra traduzida na Rádio Observador. Apresentamos agora os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista José Rafael Lopes. Eu sou a Beatriz Canato. Vamos começar com os jornais da Rússia e com um artigo que dá conta das perdas norte-americanas na guerra com o Irão.
É um artigo que está em destaque no KP russo, que faz as contas aos aviões norte-americanos que foram destruídos pelas forças iranianas. Escreve o jornal que os Estados Unidos perderam grande parte da Força Aérea disponível na guerra com o Irão. Apelidam mesmo a intervenção norte-americana como desastrosa e o pior golpe nas aspirações de Washington desde as guerras da Coreia e do Vietname. O KP diz que os Estados Unidos mentiram quando afirmaram que tinham destruído a Força Aérea do Irão e que as maiores baixas foram, efetivamente, nas forças norte-americanas. O jornal não aponta nenhuma fonte para dar conta destes números, fala em fontes próximas de Washington, sendo que os Estados Unidos em momento algum fizeram atualizações sobre as perdas militares. Apenas o caça que foi abatido na passada sexta-feira foi reconhecido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a imprensa russa escreve que as defesas iranianas têm sido extremamente eficazes e entre críticas à postura norte-americana e acusações de arrogância, o KP escreve que há perdas em drones, helicópteros, aviões de reconhecimento e até aviões de abastecimento em voo, o que não deixa de ser peculiar, uma vez que os aviões de reabastecimento ficam, por norma, bastante afastados do conflito. A imprensa russa insiste ainda na ideia de que terá sido um caça F-35 a ser abatido pelo Irão e não um F-15. Isto sobre a queda registrada na sexta-feira, que resultou numa missão de resgate levada a cabo pelos Estados Unidos da América a um dos pilotos que estava preso em terras iranianas.
Mas esta não é a única referência aos Estados Unidos na imprensa russa.
Na Agência RIA encontramos um artigo com o título "Donald Trump fez comentários curiosos sobre a Rússia e a NATO" e esta notícia lidera a tabela das notícias mais populares deste órgão da imprensa russa. Em causa estão palavras do líder norte-americano numa conversa com uma jornalista da ABC News. Rachel Scott publicou nas redes sociais sobre as palavras que trocou com Donald Trump e essa publicação acabou por chegar à imprensa russa. A RIA dá conta de que Donald Trump terá dito que Vladimir Putin e a Rússia não têm qualquer tipo de medo da NATO. Nessas palavras, onde o presidente norte-americano critica os aliados da NATO, Donald Trump fala em falta de meios nos países europeus, com o exemplo de navios de guerra que, para Trump, são poucos nos aliados da NATO. Há ainda uma menção à Rússia que fica em destaque neste artigo, relacionada com a ausência de medo e com uma garantia do Kremlin de que as forças russas estão confiantes na superioridade de armamento. Ainda assim, fica o título a citar as declarações de Donald Trump, bem como a referência do presidente norte-americano a tigres de papel, para dar conta da fraqueza, no entender de Trump, que existe entre grande parte dos países que compõem a NATO.
José, vamos agora avançar para um gasoduto que terá sido atacado.
E esse ataque está a ser classificado pelo Ministério da Defesa Russo como um ataque direto contra acionistas estrangeiros. O governante russo dá ainda responsabilidades deste ataque à Ucrânia. Por governante russo entenda-se o Ministério da Defesa russo. Estas palavras estão presentes em praticamente todos os jornais da Rússia. Em cima da mesa está um suposto ataque da Ucrânia a instalações da empresa internacional de transporte de petróleo, a Caspian Pipeline Consortium, feitos para provocar o máximo de prejuízo econômico. É o que defende o Ministério da Defesa da Rússia. A imprensa russa destaca ainda que o sistema de oleodutos deste consórcio tem capacidade total de 83 milhões de toneladas de petróleo por ano. É uma das maiores rotas de transporte de combustíveis da região para os mercados globais. O ataque ucraniano terá danificado o oleoduto, bem como o cais de carga e ainda quatro tanques de armazenamento de petróleo que pegaram fogo. Curiosamente, todos os artigos terminam com frases muito semelhantes. Escrevem os jornais russos que o regime de Kiev procurou destabilizar o mercado global de energia, mas falhou.
E vamos terminar com as preocupações de Vladimir Putin devido a inundações.
Que estão a verificar-se no Daguestão. O Daguestão é uma pequena divisão russa situada no sudoeste do país. É uma das maiores regiões da Rússia no norte do Cáucaso, tanto em área como em população, e está a sofrer com inundações. A resposta, de acordo com a TASS e a Agência RIA, foi uma ação determinada. É o termo utilizado de Vladimir Putin para acelerar que a ajuda chegue a tempo e horas. A imprensa russa escreve que o presidente russo ordenou aos responsáveis pelas regiões para acelerarem os esforços, de modo a prestar toda a assistência necessária e que pediu relatórios constantes por telefone. A primeira onda de mau tempo que atingiu o Daguestão no final de março trouxe chuva forte, que levou a que os rios transbordassem, o que levou, em seguida, à subida do nível da água. E há também o registro de um dique que se rompeu, o que piorou ainda mais a situação no Daguestão. Este é o relato que se pode ler na imprensa russa, que dá conta de danos calculados em centenas de casas e também vários carros que foram arrastados pela água.
Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.