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Destaque agora para a imprensa russa de segunda-feira, 19 de dezembro. Estamos na Guerra Traduzida com o jornalista Miguel Cordeiro, um programa feito em colaboração com a Larissa Takhmazian. Para começar, Miguel, Vladimir Putin está em Minsk, na Bielorrússia.

Vladimir Putin voou para Minsk para se encontrar com o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko. Putin foi recebido pessoalmente pelo presidente da Bielorrússia e pelo filho Nikolai. Vladimir Putin não ia à Bielorrússia há três anos e, de acordo com o jornal Vesti, foi hoje calorosamente recebido. Após uma troca de apertos de mãos, os presidentes dos dois países entraram em limusines, foram até à residência de Lukashenko. Os chefes de Estado vão discutir a cooperação bilateral e questões internacionais. Isto é o que é dito pelo gabinete do Vladimir Putin. De acordo com o secretário de imprensa do presidente russo, as questões da distribuição de gás vão estar na agenda. Em particular, Lukashenko diz que o processo de criação de um mercado único de gás está em cima da mesa. Uma conferência de imprensa está agendada depois destes encontros de negociações. Mais cedo, o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, chegou também a Minsk. Ele também participa nestas conversas entre os líderes dos dois países. Peskov, o porta-voz do Kremlin, nega que durante estas negociações de Putin e Lukashenko, Putin vá tentar persuadir Lukashenko a participar diretamente na operação militar na Ucrânia. De acordo com a Agência Interfax, Peskov definiu essa hipótese como absolutamente estúpida.

No xadrez militar, as Forças Armadas russas garantem que conseguiram alcançar uma posição mais vantajosa em Donetsk, na Ucrânia.

Durante uma ofensiva, as tropas russas ocuparam linhas mais vantajosas na direção de Donetsk. Isto foi dito pelo tenente-geral Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia. Ele também refere que a artilharia impediu várias tentativas de militares ucranianos de realizar reconhecimento em combate das posições das tropas russas na direção das regiões de Novgorodskoe, de Vodyanoe, Leninskoye e também Nevskoe, na República Popular de Donetsk. A Rússia diz que, como resultado, o inimigo perdeu mais de 130 militares, dois tanques, três veículos blindados de combate e outros três veículos.

Lado a lado, a Rússia e a China vão realizar exercícios navais conjuntos.

De 21 a 27 de dezembro, Rússia e China vão realizar exercícios navais com disparos de mísseis e artilharia no mar da China Oriental. Isto foi informado pelo Ministério da Defesa da Rússia. Um destacamento de navios de guerra da Frota do Pacífico partiu de Vladivostok para participar num exercício naval conjunto russo-chinês, Naval Interaction 2022. Vai se realizar então de 21 a 27 de dezembro, no mar da China Oriental. Os militares vão realizar disparos conjuntos de mísseis, também de artilharia, vão praticar operações antissubmarinas com a utilização de armas. O principal objetivo deste exercício é fortalecer a cooperação naval entre a Rússia e a China e, diz também o Ministério da Defesa da Rússia, manter a paz e a estabilidade na região Ásia-Pacífico. Além da componente naval, também algumas aeronaves e helicópteros da aviação naval da Frota do Pacífico vão estar envolvidos no exercício. Da Marinha Chinesa estão envolvidos dois contra-torpedeiros e dois navios de patrulha, um navio de abastecimento e um submarino a diesel. A Rússia e a China realizam constantemente patrulhas aéreas estratégicas na região da Ásia do Pacífico, bem como patrulhas navais conjuntas.

A Rússia que promete destruir o armamento grego enviado para Kiev.

O equipamento militar enviado pela Grécia para a Ucrânia não vai chegar ao seu destino. Esta frase é da representante oficial do Ministério das Relações Exteriores, dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova. Ela diz: "Ninguém deve ter dúvidas de que todo o equipamento militar enviado a Kiev vai ser rastreado e destruído pelas Forças Armadas da Federação Russa". É o comentário do Ministério das Relações Exteriores da Rússia sobre estes planos da Grécia de fornecer a Kiev sistemas S-300 e outras armas russas e soviéticas. Zakharova chamou essa intenção de abertamente hostil em relação à Rússia. Diz que viola grosseiramente o acordo intergovernamental russo-grego sobre a cooperação técnico-militar, um acordo de 1995. Esse acordo proíbe a Grécia de reexportar equipamentos militares entregues sem o consentimento da Rússia.

Para fechar, Miguel, elementos da banda Pussy Riot foram detidas no Catar.

Sim, foram detidos três integrantes do grupo Pussy Riot que pretendiam realizar um protesto ontem, durante a final do Mundial. A notícia foi avançada pelo jornal alemão Deutsche Welle. Está hoje também esta notícia no jornal Meduza e na imprensa independente russa. Entre os detidos estão Pyotr Verzilov, Veronica Nikulshina e ainda outro ativista cujo nome não foi divulgado. Membros da banda Pussy Riot pretendiam correr pelo campo de futebol da final do Mundial, ou seja, no Estádio Lusail. Queriam protestar contra a guerra na Ucrânia, também contra a detenção de Alexei Navalny e contra a supressão de direitos das mulheres no Irão. Esta ação foi interrompida pelas forças de segurança do estádio. Verzilov, um dos ativistas, disse à imprensa independente russa que os ativistas já foram, entretanto, libertados na noite de ontem. Eu recordo que, já em 2018, durante a final do Mundial da Rússia, no Estádio Luzhniki, em Moscovo, membros da banda Pussy Riot fizeram um protesto, correram para o campo enquanto vestiam fardas da polícia. Na altura, foram multados e presos. Ontem tentaram fazer o mesmo, mas foram impedidos antes de conseguir entrar no relvado.

Uma tentativa gorada e é desta forma que terminamos a Guerra Traduzida desta segunda-feira. Analisámos nos últimos minutos a imprensa russa.