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Três dias de luto nacional.
Jornal das quatro, com a edição do Miguel Videira. E Miguel, o governo espanhol decretou três dias de luto nacional, na sequência do acidente ferroviário que provocou, num balanço provisório, 68 mortos.
Número avançado há cerca de uma hora pelo presidente da Comunidade Autonómica de Castela-La Mancha, no local do acidente, em Toledo. Já está Pedro Sánchez, o chefe do governo espanhol, lamentou o acidente, salienta o segundo no ano.
Se tivermos, e devemos, de reforçar ainda mais a segurança para reconstruir a confiança no nosso sistema ferroviário de alta velocidade, fá-lo-emos. Porque o que é inaceitável para um país como Espanha, é sofrer dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano, como sofremos. Assim, serão tomadas todas as medidas consideradas oportunas e com toda a firmeza para reconstruir essa confiança no nosso sistema de alta velocidade.
A promessa e garantia de Pedro Sánchez. Pouco tempo depois, o líder da oposição, presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, vai salientar precisamente isso, a necessidade de reforçar a segurança da ferrovia.
Não vou entrar agora a discutir responsabilidades políticas, não é o dia, mas vou concentrar-me em dar uma garantia aos espanhóis. Espanha tem o direito de saber o que se está a passar com as suas infraestruturas, em que estado se encontram as vias e os sistemas de segurança, que avisos foram recebidos de Andaluz e que medidas foram adotadas.
Alberto Núñez Feijóo, a evitar as críticas ao governo espanhol, mas sublinhando esta ideia: é o segundo acidente ferroviário com desfecho trágico em Espanha num ano.
E o ministro com a pasta dos Transportes confirma que na origem do acidente esteve uma falha humana.
Sim, uma instrução errada que acabou por ter um desfecho trágico. O Miguel Pina Andrade tem estado a acompanhar as últimas informações que nos chegam de Espanha. Miguel, a Guarda Civil já está a interrogar o operador do centro de controle que deu ordem para o comboio avançar.
O tal erro humano que deu origem à colisão. O interrogatório foi realizado, ou está a ser realizado, pelos agentes da Guarda Civil e acontece no âmbito da investigação aberta pela Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários. Esta é uma informação que está a ser avançada pela Europe Press, por fontes ligadas à investigação. A imprensa espanhola já tinha revelado que o controlador em causa estava a receber apoio jurídico e psicológico, dada a gravidade da situação, está agora a ser interrogado. Ainda assim, o ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, recusa apontar responsabilidades a um indivíduo em concreto.
Pela gravidade do que aconteceu e as circunstâncias em que aconteceu e também pela responsabilidade que tem de ser apurada, ainda não falámos com a pessoa. Está, obviamente, sob investigação.
O ministro espanhol dos Transportes, no ponto de situação aos jornalistas, em que Óscar Puente classifica a ordem para o comboio da Renfe avançar, mesmo com um sinal vermelho, como inexplicável.
É o centro de controle, através dos operários, que toma a decisão de retomar a marcha. E como digo, em circunstâncias, do nosso ponto de vista, inexplicáveis. Toma a decisão de retomar a marcha quando está um comboio parado com o sinal vermelho à entrada da estação de Urta. O que deveria ter sido feito é o que se chama marcha à vista, ou seja, dar a ordem para circular a uma velocidade que permita ao motorista parar o comboio em caso de emergência.
Apesar de ser o segundo acidente no espaço de um ano, o ministro espanhol dos Transportes garante que o sistema rodoviário espanhol é fiável, apesar de admitir aqui, Miguel, algumas limitações.
O sistema é ferroviário. E Miguel, a Guarda Civil já montou, entretanto, quatro pontos de recolha de ADN para ajudar na identificação das vítimas.
Isto porque há, pelo menos, meia dúzia de corpos que ainda não foram recuperados dos destroços. Para auxiliar esta recuperação, a Unidade Militar de Emergências já enviou para o local três guindastes. O governo espanhol ainda desconhece o número exato de desaparecidos. Ao "El País", fontes governamentais dizem que já procederam à identificação das primeiras vítimas e, pese embora, ainda se desconheça a identidade de todas, parte-se do princípio que o número de mortes ainda continue a aumentar. De acordo com o jornal espanhol, que cita fontes envolvidas nos trabalhos de resgate, entre as vítimas encontram-se estrangeiros. Processa-se agora ainda e a Rádio Observador vai tentar apurar se há portugueses entre as vítimas mortais. Daram ainda conta, Miguel, que entre os mortos está um membro da Guarda Civil de 31 anos, que seguia no comboio de alta velocidade da Renfe, que colidiu com o comboio que estava parado.
Miguel Pina Andrade com as últimas informações que chegam de Espanha. Ora, o Miguel dava aqui conta de vítimas estrangeiras. Foi precisamente isso que foi perguntado ao primeiro-ministro português, Luís Montenegro, que falou aos jornalistas nos Passos Perdidos, à margem do debate na generalidade do Orçamento do Estado. Foi questionado sobre se há indicação de portugueses entre as vítimas. A resposta do chefe do Governo.
Não temos ainda detalhes. Como sabem, estivemos também empenhados no debate que ocorreu esta manhã aqui na Assembleia da República, mas temos todas as nossas equipas setoriais e também as entidades portuguesas a diligenciar e dialogar com os seus congéneres espanhóis.
Há um acompanhamento próximo da situação em Espanha. O governo português também já disponibilizou ajuda às autoridades de proteção civil do lado de lá da fronteira.
Emiliane, no Parlamento, já foi retomado o debate na generalidade do orçamento do Estado para o próximo ano.
Depois da pausa para almoço da parte da manhã, o anúncio feito pelo Chega e pelo Livre, vão votar contra a proposta, o PAN abstém-se. Nada que mude o rumo da votação, tendo em conta que o PS já anunciou que se vai abster, permitindo desta forma a viabilização na generalidade do orçamento. Rumamos até à Assembleia da República, casa durante dois dias do coordenador de política do Observador, Miguel Viterbo Dias. Miguel, este debate na generalidade do orçamento do Estado tem estado muito centrado na habitação, também na resposta das autoridades policiais à manifestação. O ministro da Defesa, Nuno Melo, voltou a falar da atuação da PSP nas manifestações dos últimos dias.
Sim, como até ver, Luís Neves ainda não usou da palavra. Nuno Melo fez a defesa das forças de segurança, à boleia dos elogios às Forças Armadas, dizendo que Portugal é um dos países mais seguros do mundo. Nuno Melo elogiou também as forças e serviços de segurança, aproveitando para destacar o trabalho da Polícia de Segurança Pública durante os últimos dias das manifestações em Lisboa e no Porto.
A atuação da PSP nos últimos dias voltou a demonstrá-lo. Perante a provocação, respondeu com profissionalismo. Perante a tensão, com firmeza e contenção. Levou a paciência até ao limite, mas quando foi necessário agir, agiu, e agiu com determinação.
A validação da atuação das forças de segurança por parte do ministro da Defesa, que disse ainda, já em resposta aos deputados, que vai condecorar no dia 25 de novembro, todos os comandos vivos que participaram nesse dia, nesse movimento militar do 25 de novembro de 1975, colhendo aplausos das bancadas do Chega, do PSD, da Iniciativa Liberal e, claro está, do CDS. Nuno Melo terminou ainda com uma provocação para as bancadas à esquerda, ao dizer que já os quiseram meter no campo pequeno. "Não nos meterão", disse o ministro da Defesa nesta intervenção, com um tom mais ideológico e em que aproveitou para voltar a validar a ação das forças de segurança.
Daqui a pouco a sessão de encerramento deste debate na generalidade do orçamento do Estado para o próximo ano, com votação e aprovação garantia, tendo em conta a informação que já aqui demos conta, a abstenção do Partido Socialista, é o momento que vamos acompanhar em direto aqui na antena do Observador.
E Miguel, seguimos com as eleições legislativas em Israel. Ainda há votos por contar.
Numa altura em que nenhum dos blocos liderados por Benjamin Netanyahu e Yair Lapid conseguiu os tão desejados 61 lugares no Parlamento que garantem a maioria absoluta. Seguimos sem demora até Tel Aviv, ao encontro do enviado especial do Observador, Pedro Jorge Castro. Pedro, boa tarde. Quem segue na frente e associado a esta questão, algum dos blocos ainda tem possibilidade de chegar à maioria absoluta?
Continua a ser um dia muito intenso na política israelita. Eu vou tentar sintetizar aqui os últimos desenvolvimentos com um pedido, um sinal, uma queixa e uma conta. Portanto, vou deixar as contas para o fim. O pedido é do presidente de Israel, Isaac Herzog, que é o homem que vai começar a ouvir os líderes dos partidos com representação parlamentar e que lhes pediu para entrarem nas conversas com ele de mente aberta. Ele elogiou muito esta altíssima taxa de participação, que se verificou, diz que é uma espécie de medalha da sociedade israelita que comprova o desejo de democracia, mas pede aos partidos para evitarem novas eleições e para fazerem tudo para evitar isso. Depois, o sinal é um primeiro sinal, diria eu, de esforços conjuntos entre o bloco de Yair Lapid, o bloco da oposição, e os partidos árabes, para se entenderem, ainda não propriamente para formar governo, mas é um primeiro sinal, para tentar afastar o atual presidente do Parlamento, que é o Knesset. O atual presidente do Parlamento israelita é do Likud e há aqui negociações e conversações entre eles para juntarem os seus votos para afastarem este presidente do Parlamento e há até uma ideia de um dos líderes dos partidos que integra este bloco, que é Avigdor Lieberman, para aprovar legislação rapidamente que impeça políticos sob acusação criminal de assumirem o cargo de primeiro-ministro. Estás a ver alguém na política israelita a quem isto se aplique, não é? Benjamin Netanyahu. Há aqui esta manobra. Depois, também queria falar de uma queixa. Há este facto estranho. O Likud, que venceu as eleições, o partido de Benjamin Netanyahu, diz que os resultados foram roubados pelos partidos árabes. Têm aqui uma série de queixas, centenas de queixas de corrupção, de manobras de intimidação junto a assembleias de voto, e fez uma queixa para a Comissão Nacional de Eleições Israelita para averiguar estes factos. Vamos ver também, acompanhar com expectativa o que é que vai dar isto. E agora vou à tua primeira pergunta, que é a contas. Neste momento, continuamos sem nenhum dos blocos a conseguir essa maioria. Os dados vão sendo atualizados e neste momento temos aqui a oposição, o bloco da oposição de Yair Lapid com 48, 49 lugares, continua abaixo do bloco da coligação que apoia Benjamin Netanyahu, que tem 53, 54 assentos e os partidos árabes ali à volta dos 18 deputados. Atenção que soube-se, entretanto, que falta contar mais de 400 mil votos dos militares e dos polícias, que segundo as contas da Comissão de Eleições, vão valer cerca de 12 assentos parlamentares. Portanto, atenção, 12 assentos parlamentares é muita coisa. Pode ser determinante para fazer pender esta balança para qualquer um dos lados. Vamos ver para que lado isto vai cair e vamos continuar, obviamente, a acompanhar este assunto aqui na Rádio Observador.
Pedro Jorge Castro, enviado especial do Observador a estas eleições israelitas com o fotojornalista João Porfírio, aqui nos vão dar conta do desfecho deste importante ato eleitoral que teve um recorde de participação, eleições legislativas israelitas, as primeiras depois do ataque de 07 de outubro.
Miguel Videra com o Jornal das Quatro.