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"Guerra" traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o José Rafael Lopes. Eu sou a Filipa Duarte. José, boa noite. Vamos começar pela imprensa russa e com o anúncio de novos avanços por parte das forças de Moscovo.
Sem surpresas, a guerra continua a ser o principal tema da imprensa russa, embora o termo não seja guerra, mas sempre o de operação militar especial. A imprensa russa cita informações do Ministério da Defesa da Rússia para dar conta desses avanços no terreno. Os comunicados do Ministério da Defesa afirmam que as forças russas conquistaram novas posições no leste da Ucrânia, embora sem detalhar quais é que foram essas províncias conquistadas, nem a dimensão do avanço russo. O ministério diz ainda que foram levados a cabo ataques de alta precisão contra instalações militares ucranianas. Aqui o detalhe da imprensa vai para o Mar Negro pela defensiva. É dada especial atenção aos ataques ucranianos com drones no Mar Negro, apresentados como tentativas de comprometer as exportações russas de cereais, sendo que as informações do Ministério da Defesa Rússia é que foram negados esses ataques com sucesso e que as forças ucranianas viram goradas as ambições militares no sul da região. Moscovo garante ainda que as forças russas continuam a controlar toda a situação. A imprensa estatal sublinha que os bombardeamentos russos visam exclusivamente alvos militares e infraestruturas ligadas ao esforço de guerra de Kiev.
A imprensa russa tem ainda vários artigos sobre a resistência russa às sanções.
Presentes em mais do que um jornal, embora com ângulos diferentes. Um dos artigos na TASS, a título de exemplo, dá conta de que os russos aumentaram a produção de armamentos, drones, munições e veículos blindados. Uma situação que é vista como prova de que a economia conseguiu adaptar-se às sanções ocidentais. A mensagem dominante é que a Rússia produz actualmente mais equipamento militar do que os países europeus e que a estrutura de defesa da Rússia continua a aumentar a capacidade para suster operações prolongadas. Outro dos ângulos aborda a economia civil. Os jornais económicos russos insistem que a economia está estável, apesar de todas as restrições impostas pelo Ocidente. O foco está no crescimento da produção industrial, na baixa taxa de desemprego na Rússia e também na substituição de importações. Também é referido o reforço das relações comerciais com a China, embora também haja destaque para a Índia e outros parceiros asiáticos. A narrativa dominante é que as medidas ocidentais acabaram por acelerar a reorientação económica do país, que está a olhar para outros parceiros.
E nesse sentido, as relações com a China continuam a ser apresentadas como prioridade estratégica.
A imprensa russa destaca a aproximação entre Moscovo e Pequim. São referidos contactos diplomáticos, a cooperação económica a nível energético e também tecnológico. A relação China-Rússia é já vista e apontada como um dos pilares da nova ordem internacional para a Rússia. Ambos os países continuam a coordenar posições em questões internacionais e apresentam esta relação como uma resposta ao isolamento promovido pelo Ocidente. Importa recordar que a semana passada foi também marcada por esta relação, marcada por exercícios militares conjuntos levados a cabo pela Rússia e pela China.
Donald Trump está também presente na imprensa russa, José.
Os jornais russos têm vindo a acompanhar de perto as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump. A cobertura centra-se na possibilidade de Washington aumentar a pressão sobre Moscovo, sobretudo depois do encontro entre o presidente norte-americano e Volodymyr Zelenskyy, na cimeira da NATO. Ainda assim, a imprensa russa recorda as críticas de Trump aos elevados custos do apoio militar à Ucrânia para dar conta de que não há um claro apoio norte-americano à causa da Ucrânia. Estas posições são apresentadas como sinais de divisão dentro do Ocidente e acompanhadas com muita atenção pela imprensa russa, que diz que qualquer alteração na política externa norte-americana pode afectar o espaço que existe para futuras negociações, sobre que tema for, entre Moscovo e Washington.
As principais notícias dos jornais russos com o José Rafael Lopes. Voltamos já a seguir com a imprensa ucraniana.