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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Neste momento é a altura de falar sobre o que está em destaque na imprensa russa com José Rafael Lopes. E começamos com a notícia de que o Parlamento russo não quer um cessar-fogo, apesar do regresso às negociações de paz.
O Kremlin afasta esse cenário de cessar-fogo associado ao regresso das negociações de paz com a Ucrânia. Esclareceu também o Parlamento russo que a retoma das negociações trilaterais, ou seja, negociações que envolvem a Rússia, a Ucrânia e também os Estados Unidos, não implica qualquer limitação das operações militares. Esta posição foi transmitida pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, está presente em praticamente todos os jornais russos. Peskov disse também que as forças russas vão continuar as operações militares na Ucrânia. Esta declaração surge no mesmo dia em que a imprensa russa dá conta de um ataque com drones contra Voronezh, que Moscovo atribui a Kiev. Já falaremos desse ataque. Ainda assim, apesar das perspectivas da retoma do diálogo, a posição oficial russa não aponta para uma suspensão das hostilidades enquanto estiverem a ser negociadas possíveis condições de paz.
E vamos precisamente falar desse ataque ucraniano.
A imprensa russa coloca entre os principais assuntos do dia esse ataque com drones contra a região de Voronezh. Um ataque ucraniano em território russo terá acontecido durante a noite e durante as primeiras horas do dia de hoje. Segundo as autoridades regionais, citadas pela Interfax e por outros meios de comunicação russos, este ataque provocou incêndios em instalações industriais e também danos em alguns edifícios em Voronezh. O balanço divulgado pelo governador, Alexander Gusev, aponta para pelo menos dois mortos e mais de 15 feridos. A cobertura russa destaca ainda as consequências para a população e para os transportes, depois de terem sido registados atrasos em vários pontos da região. Moscovo atribui este ataque à Ucrânia.
E para Moscovo, José, este ataque prejudica o ambiente diplomático.
A imprensa russa destaca precisamente as declarações do representante especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros russos sobre o impacto do ataque contra Voronezh na perspectiva diplomática. Este representante diz que os ataques ucranianos contra cidades russas estão a criar um ambiente desfavorável na preparação das futuras negociações de paz, tanto no plano político como no plano humanitário. Esta declaração surge no momento em que Moscovo admite a retoma do diálogo com Kiev e com Washington, mas já anunciou que vai manter essas operações militares. Já falámos disso nesta edição da "Guerra Traduzida". Trata-se da posição de um representante oficial russo sobre as consequências políticas do ataque ucraniano e não de uma confirmação de que as negociações tinham sido canceladas ou suspensas.
E o Kremlin admite discutir questões territoriais nas negociações de paz.
Isto numa altura em que estão em cima da mesa possíveis conversas entre a Ucrânia e a Rússia. Essas negociações sobre a Ucrânia podem incluir a discussão de questões territoriais. A possibilidade foi admitida por Dmitry Peskov, que diz que o Kremlin não pretende, ainda assim, antecipar publicamente os detalhes do diálogo para não prejudicar o eventual processo de paz, para já guardado a sete chaves, o que vai ser falado com a Ucrânia. O porta-voz russo indicou que os diferentes temas relacionados com a resolução do conflito podem ser abordados durante as conversações. É um primeiro indicador. Estas palavras surgem nessa altura em que Moscovo e Kiev têm posições bastante divergentes sobre as condições para terminar a guerra, ou seja, não se preveem conversações fáceis entre os dois países. A notícia não estabelece qualquer compromisso concreto, nem confirma a existência de um acordo sobre fronteiras ou territórios, mas abre a porta a isso mesmo.
E Moscovo afirma ter conquistado mais território ucraniano.
Entre as notícias militares divulgadas na Rússia, está também o anúncio de que as forças russas passaram a controlar a localidade de Obuchne, na região de Zaporizhzhia. A informação foi incluída no noticiário do portal russo Noviden, que reproduz comunicados militares sobre a evolução das operações. O anúncio é relevante para a leitura russa da situação na frente sul, onde as forças de Moscovo estão à procura de consolidar posições e tentar avançar sobre territórios ainda na luta com a Ucrânia. Ainda assim, a informação disponível nesta publicação não permite confirmar de forma independente a mudança de controle de localidade, nem determinar a extensão territorial desta operação que a Rússia diz ter levado a cabo com sucesso, sendo que na imprensa ucraniana não há nenhuma referência a esta perda na região de Zaporizhzhia. Por isso, a notícia é apresentada como uma reivindicação das autoridades russas e não como uma alteração da linha da frente já verificada por fontes independentes.
E é desta forma que fechamos a "Guerra Traduzida". Amanhã há nova edição.