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Seguimos com Guerra Traduzida na Rádio Observador. Connosco o jornalista Rui Casanova. Vamos falar da imprensa russa desta segunda-feira, sendo que a Rússia acusa a Ucrânia de um monstruoso ato terrorista em Donetsk.

Sim, o mercado em Donetsk foi ontem alvo de bombardeamentos das tropas ucranianas. De acordo com os últimos dados das autoridades russas, 25 pessoas morreram e pelo menos 20 ficaram feridas, incluindo duas crianças. Em reação, já hoje, o porta-voz do Kremlin fala num monstruoso ato de terrorismo. Dmitry Peskov afirma que o regime de Kiev continua a demonstrar uma face selvagem, é esta a expressão utilizada, ao realizar estes ataques contra civis. Ressalva que a Rússia condena naturalmente este ataque e diz que, perante este tipo de situações, a operação militar especial vai continuar para proteger o povo russo contra este perigo provocado pela Ucrânia.

A imprensa estatal russa hoje destaca também que Zelensky propôs ao Parlamento alargar as regras da nacionalidade.

Um anúncio feito por Volodymyr Zelensky nas últimas horas, no dia em que se celebra o Dia da Unidade Nacional da Ucrânia. O presidente ucraniano anunciou uma proposta legislativa que visa alargar as regras de atribuição de nacionalidade, ou seja, Zelensky quer, na prática, introduzir cidadanias múltiplas e permitir aos que são ucranianos no coração, serem-no também no passaporte. Foi o que escreveu Volodymyr Zelensky nas redes sociais. Mas há uma exceção, diz Zelensky, os cidadãos do país agressor, ou seja, os cidadãos russos não serão abrangidos por esta lei. E é precisamente este o ângulo da notícia do jornal RBK, passo a citar o título: "Zelensky propôs dar cidadania a todos, exceto àqueles que vivem na Rússia". É uma forma interessante da imprensa estatal russa noticiar esta proposta anunciada por Zelensky esta manhã.

Seguimos com as notícias relacionadas com as operações militares no terreno nas últimas 24 horas.

E vamos à boleia da agência de notícias Interfax Rússia, que destaca que os militares de Moscovo anunciaram que abateram um avião de ataque ucraniano SU-25 na região de Kharkiv. Também nas últimas horas, os militares russos interceptaram seis mísseis cruzeiro modelo Storm Shadow e destruíram 76 drones ucranianos. São dados do Ministério da Defesa, um relatório do Ministério da Defesa que compila estes dados e que são noticiados pela agência estatal Interfax Rússia.

Rui, parece que há um artista russo que alegadamente defendeu Alexei Navalny numa canção. Isto está também em destaque na imprensa, principalmente na imprensa independente russa. Esta história tornou-se viral na internet.

Sim, é uma história contada pelo canal livre russo Meduza. Na semana passada, Shaman, este artista russo, lançou uma nova música com um videoclipe, chama-se "Alive". A descrição do vídeo diz o seguinte, passo a citar: "Esta história pode acontecer num passado distante ou num momento no futuro, ou talvez esteja a acontecer agora". Neste vídeo, no videoclipe, o artista Shaman aparece como um prisioneiro algemado, interpreta a personagem de um prisioneiro e canta versos como: "Voltei para casa vivo e vitorioso". Vamos ouvir um pouco em fundo. Estamos a ouvir este tema Alive em fundo. Nas redes sociais e também nos comentários do YouTube, surgiu uma teoria da conspiração. Dizem os utilizadores da internet que a música é uma mensagem de apoio a Alexei Navalny, o principal opositor do regime de Vladimir Putin, que está preso. Nos comentários lê-se: "Obrigado por defenderes Navalny", "Que mensagem corajosa", "Muito bem, Shaman", "Parabéns". Também houve críticas, mas sobretudo elogios e mensagens de apoio. O vídeo tornou-se viral, tem mais de dois milhões de visualizações e também esta história, este alegado apoio de Shaman a Alexei Navalny, tornou-se viral nas redes sociais.

E o que diz o artista?

A resposta é curiosa. Foi questionado pelos jornalistas sobre este caso. Diz que a canção é dedicada aos heróis de mil anos de história Rússia e diz também que a imaginação das pessoas é ilimitada e que cada um vê o que quer ver. Portanto, aqui, de certa forma, Shaman descarta-se desta teoria de apoio a Navalny, mas fica no ar se estará ou não a apoiar o principal opositor de Vladimir Putin. É uma história que, como dissemos no início, é contada pelo canal livre e independente russo Meduza.

É com a canção de Shaman, que provoca polémica na Rússia, que fechamos este episódio de Guerra Traduzida com destaque para a imprensa russa.