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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos analisar nos próximos minutos a imprensa russa deste dia 14 de dezembro. É um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, feito em colaboração com a Larissa Tovmazian, natural da Rússia. Miguel, boa tarde. Para começar, Dmitry Peskov diz que o Kremlin não está a planear uma trégua no Natal.

E diz mais.

Ano Novo.

Sim, Ano Novo, festividades, na altura das festividades. Diz mais, diz que nenhuma proposta formal desta trégua de Ano Novo, de festividades, foi recebida vinda de Kiev. Sabemos que Zelensky pede ao Kremlin para fazer uma trégua durante as festividades, mas Peskov diz que não recebeu nenhum pedido formal. Isto é o que diz o porta-voz presidencial Dmitry Peskov. Ele também diz que no dia anterior, já tinha dito ontem, falámos disso aqui no programa, que a retirada de tropas russas da zona de operações especiais da Ucrânia até o final do ano estava fora de questão. Além disso, além de criticar o facto de Kiev não ter enviado qualquer proposta para uma trégua, além de dizer que a Rússia não vai retirar ninguém por causa destas festividades, Peskov também quis olhar para o plano de Volodymyr Zelensky para a paz para dizer que esse é um plano que, na verdade, tem a intenção de continuar as hostilidades.

É também a notícia esta quarta-feira, juízes ucranianos que estão a ser formados no Reino Unido.

Vamos à publicação Meduza, publicação independente, que escreve: "90 juízes ucranianos passaram por treino patrocinado pelo Reino Unido para conduzir julgamentos de crimes de guerra contra militares russos". A informação é da Sky News. Segundo a publicação britânica, o primeiro grupo de juízes ucranianos já passou por um treino intensivo num local secreto na semana passada. Mais juízes vão ser treinados nos próximos meses. No total, de acordo com a Sky News, as autoridades do Reino Unido alocaram dois milhões e meio de libras para o treino de juízes ucranianos. A formação de especialistas da Ucrânia está a ser comandada pelo juiz britânico Howard Morrison, que trabalhou no Tribunal Penal Internacional e participou no Tribunal Penal Internacional para a Jugoslávia e para Ruanda. Em particular, ele foi o juiz no caso do ex-líder sérvio-bosnio Radovan Karadzic. Em março, foi relatado que ele tornou-se um conselheiro da ex-procuradora-geral da Ucrânia, Irina Venediktova. Espera-se agora que a maioria dos julgamentos de crimes de guerra aconteçam em território da Ucrânia. Isto é o que diz a Sky News. E agora sabe-se que 90 juízes ucranianos passaram por treino patrocinado pelo Reino Unido.

Vamos agora falar sobre a situação pandémica na Rússia. Putin tomou a vacina contra a gripe e pede que todos façam o mesmo.

Nós falámos disto no programa de ontem. De facto, a Rússia está a lidar com uma pandemia tripla. Está a lidar com a gripe, está a lidar com a Covid e está a lidar também com gripe A, que já é uma epidemia na Rússia. As autoridades já confessam que a gripe A veio em grande força e que está a preocupar as autoridades. Perante toda esta situação, perante o que se está a passar nos hospitais, perante pessoas a ficarem doentes, algumas a morrerem, sem dados ainda concretos sobre essa situação, claro, o presidente russo Vladimir Putin comunicou hoje que foi vacinado contra a gripe. Foi vacinado ontem. Ele deu a notícia numa reunião com membros do governo durante o dia de hoje. Popova, que é a diretora-geral de Saúde da Rússia, vamos traduzir assim, é a pessoa responsável pela saúde na Rússia, para além do ministério, dessa diretoria-geral, ela agradece a Putin ter tomado a vacina e ter comunicado que tomou a vacina, aconselha todos os colegas a seguir o exemplo. Putin quis ainda dizer que, para dar o exemplo que está bem em tomar a vacina, acrescentou que hoje manhã ia praticar desporto como de costume, que está tudo bem, apesar de ter tomado a vacina. Anteriormente, esta chefe do Departamento de Saúde russo, Popova, disse que até esta altura 52% da população do país já foi vacinada contra a gripe. São cerca de 70 milhões de pessoas. Já a gripe suína, essa gripe A, que agora se está a espalhar por várias regiões russas, ontem já estava confirmada em 82 regiões russas, está a ser tratada com um medicamento que surgiu entre 2009 e 2010 e está agora a ser tratado.

Entretanto, a diretora de Saúde confirma uma epidemia de gripe suína.

É isso, é o que estava a referir. Ou seja, está a ser tratado, mas agora está confirmada essa epidemia. Anna Popova informou nesta reunião o presidente russo Vladimir Putin sobre esta situação epidémica no país. Tornou-se mais tensa. Os especialistas registaram o aumento da incidência de Covid-19 pela quarta semana consecutiva. Os especialistas preveem que a tendência negativa continue. Putin diz que a incidência da Covid-19 e da gripe está a crescer quase 30% a 35% por semana. Também na Rússia, seis anos depois, a gripe A, H1N1, voltou. Há uma epidemia confirmada. O país é dominado por este vírus da gripe suína, identificado em 2009. Segundo a diretora de Saúde, o positivo é que nesta altura quatro vacinas russas resistem totalmente ao vírus da influenza, o vírus da gripe. A proporção de vacinados entre aqueles que têm gripe na Rússia é inferior a 1%, ou seja, entre pessoas que tomaram a vacina, apenas 1% acaba por propagar a doença. A situação da gripe A na Rússia está a ser combatida com medicamentos já testados, é o que garante Popova. Ela acredita que é necessário também, e recomenda que esta medida avance, testar o vírus da influenza em todas as pessoas que têm sintomas de Covid-19 ou de gripe A, ou seja, aumentar também a testagem.

Entretanto, o Parlamento russo aprovou uma medida que prevê a prisão perpétua para atos de sabotagem.

É um problema que surge essencialmente em situações de guerra e de conflito, ou seja, pessoas que tentam sabotar operações do governo ou das Forças Armadas. E agora a Duma Estatal está a tentar aprovar uma lei para combater quem pratica estes atos de sabotagem. Portanto, hoje a Duma do Estado russa aprovou a primeira leitura de um projeto de lei sobre a punição criminal por atividades subversivas. A pena máxima prevista nos artigos do Código Penal é prisão perpétua. No texto do projeto de lei propõe-se complementar o Código Penal da Federação Russa com novos artigos, assistência à atividade de sabotagem, treino para fins de realização de atividades de sabotagem e organização de uma comunidade de sabotagem. Além disso, a punição criminal também é prevista para qualquer assistência, envolvimento em tais atividades e o financiamento ou propaganda deste tipo de ações. A responsabilidade criminal, de acordo com o projeto de lei, pode ser evitada se a polícia for informada sobre a sabotagem iminente em tempo útil, e aí a pena pode não chegar a essa prisão perpétua.

E é com esta mão pesada que terminamos o "Guerra Traduzida". Analisámos nos últimos minutos a imprensa russa.