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"Guerra Traduzida", estamos de volta com a jornalista Diana Rosa e com os destaques da imprensa russa. Diana, hoje em grande destaque está a visita do primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, que já chegou a Moscovo.

Li Qiang foi recebido no aeroporto pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo e por uma guarda de honra. Foram entoados os hinos dos dois países, é o que relata a agência Ria Novosti. O representante chinês vai estar reunido com o homólogo russo, também com o presidente Vladimir Putin. O porta-voz chinês do Ministério dos Negócios Estrangeiros diz que nesta visita vai ser discutida a cooperação empresarial entre Rússia e China. O Kremlin vai mais longe e revela que vão ser abordadas questões de expansão e cooperação nas esferas comercial, económica, cultural, também humanitária, promovendo projetos conjuntos na indústria, mas também na energia, na agricultura e nos transportes. Depois da reunião, está prevista a assinatura de documentos bilaterais. Quando aterrou em Moscovo esta manhã, Li Qiang disse que os laços entre os dois países estão cada vez mais fortes e resistentes a vários momentos de turbulência. Depois da Rússia, o primeiro-ministro do Conselho de Estado da China segue para a Bielorrússia.

E as forças ucranianas podem ficar sem tropas de elite depois da incursão em Kursk, é o que anteveem os analistas britânicos citados hoje pela imprensa russa, Diana.

Um ataque à região de Kursk corre o risco de se tornar o pior cenário para o exército ucraniano, sem os melhores militares e sem equipamento. São os receios manifestados pelo analista militar Patrick Barry, da universidade britânica de Bath. Segundo este especialista, as tropas russas pretendem pressionar as forças de elite ucranianas para actuar em Kursk e destruí-las com a superioridade que têm em termos de equipamento. Outra hipótese seria a Ucrânia recuar para uma posição mais segura, perdendo terreno, mas mantendo tropas vitais. A principal decisão que a Ucrânia terá de tomar, de acordo com este especialista, é escolher as perdas que está disposta a sofrer nestas brigadas de elite para manter território. De acordo com o Komsomolskaya Pravda, as Forças Armadas ucranianas perderam até agora 3800 militares e 58 tanques de batalha na região de Kursk desde o início da incursão.

E além deste especialista britânico, a imprensa russa cita também o Washington Post, que publica um artigo a dizer que o avanço das tropas russas no Donetsk indica potenciais erros de cálculo na estratégia ucraniana na região de Kursk.

E na verdade, André, é sim, isso mesmo que diz na imprensa russa, mais propriamente no Izvestia, mas eu andei à procura desse artigo no Washington Post e o que lá está escrito não é bem assim. O Izvestia diz que os especialistas militares entrevistados falam em progressos constantes da Rússia, que significam, de facto, a fraqueza de Kiev, mas na verdade, o que lá está escrito é que a Ucrânia está a demonstrar com esta incursão que é capaz de gerir operações de elevada complexidade e que virou o tabuleiro do jogo. Portanto, um pouquinho diferente do que o Izvestia, que é um jornal controlado pelo regime russo, quer dar aos leitores. Há ainda uma referência deste jornal a um militar austríaco, que supostamente diz que as reservas ucranianas em termos de recursos humanos, mas também de equipamento, estão no limite, mas o que diz, neste artigo do Washington Post, é que a Ucrânia corre o risco de ter de deslocar mais soldados para Kursk. No entanto, a quantidade de reservas que a Rússia usa para conter o ataque no seu próprio território pode não superar a força ucraniana. Tanto na imprensa russa, André, como na imprensa ucraniana, é muito comum, os jornais estão cheios de notícias que são puxadas de meios de comunicação social estrangeiros. Quando são verídicos, normalmente têm uma hiperligação, tal como nós fazemos também aqui no Observador, para que se consiga ler o artigo original. Aqui não era o caso. E a "Guerra Traduzida" serve também para isso, para ver as contradições daquilo que se publica, quer na imprensa russa, quer na imprensa ucraniana. Sabemos que são dois países em guerra, nem sempre aquilo que é dito é bem assim.

E com a imprensa muitas vezes também um pouco limitada.

Exatamente.

Diana, fechamos com um apelo por parte do Ministério Russo da Administração Interna, que desaconselha a utilização de câmaras de vigilância nas regiões fronteiriças que estão a ser atacadas pela Ucrânia. Falamos de Belgorod, Bryansk e também Kursk.

A primeira reação quando se lê esta notícia pode ser de espanto, uma vez que podia ser útil até ter estes registos, mas o governo russo diz que existe o perigo de recolha de dados pelos militares ucranianos. Diz o Ministério Russo da Administração Interna que a Ucrânia está a identificar de forma massiva o IP dos cidadãos, depois conecta-se remotamente às câmaras de vigilância e consegue visualizar tudo, desde pátios privados até estradas e ligações rodoviárias de importância estratégica. Portanto, a menos que haja uma necessidade urgente, então é melhor não usar estas câmaras. Há ainda recomendações aos funcionários da indústria energética, incluindo a indústria nuclear. São aconselhados a ocultar informação sobre a empresa onde trabalham nos perfis das redes sociais para não chamarem a atenção dos serviços de informação da Ucrânia. Também os militares são orientados para não abrirem links enviados por estranhos em mensagens do WhatsApp ou SMS e também a evitarem utilizar telefones com grande quantidade de informações oficiais e pessoais. É uma notícia do Kommersant.

E fica por aqui este episódio da "Guerra Traduzida". Estamos de volta amanhã, como é habitual, contigo, Diana Rosa. Até amanhã.

Até amanhã.