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Guerra traduzida na Rádio Observador, mais um episódio em que trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Já temos aqui conosco em estúdio a jornalista Diana Rosa.
Boa tarde, João.
Boa tarde. Neste capítulo vamos falar da imprensa ucraniana. Vamos começar pela reunião do G7. Há fundo branco, há acordo à vista, vai sair um empréstimo de €50.000 milhões para a Ucrânia.
Os fundos dizem respeito a ativos russos congelados na sequência da agressão russa à Ucrânia. São bens que ascendem aos €280.000 milhões e estão a gerar juros sem destino. A notícia faz destaque no Kyiv Independent. O montante vai ser enviado até ao final do ano. O fundo vai ser supostamente criado no âmbito de uma organização internacional com o Banco Mundial, com contribuições sob a forma de empréstimos de aceleração extraordinária de receitas.
E seguimos, Diana, com uma notícia do Kyiv Post. Um novo estudo revela que a Rússia provocou fome deliberadamente aos cidadãos de Mariupol para matar o maior número possível de pessoas.
O relatório da Global Rights Compliance foi apresentado ao Tribunal Penal Internacional. Diz que Moscovo usou essa tática durante o cerco a Mariupol em 2022, deixando os civis sem comida, sem água, gás e eletricidade durante vários dias, quando as temperaturas atingiam os 10 graus negativos. Isto pode constituir um crime de guerra. De acordo com este estudo, a Rússia pôs em prática uma estratégia de quatro fases, começando com ataques a infraestruturas civis, ainda cortes de eletricidade, aquecimento e abastecimento de água. Impediu depois os corredores humanitários e chegou a atacar os comboios que tentavam deixar a cidade. Parece que foi já há muito tempo. Lembramo-nos perfeitamente disto, foi em 2022. Neste plano, a terceira fase consistiu no ataque sistemático às restantes infraestruturas críticas, aos civis que faziam fila para receber ajuda humanitária e aos pontos de água que foram estabelecidos em toda a cidade. Na quarta fase da ofensiva, a Rússia lançou ataques estratégicos para destruir ou capturar a pouca infraestrutura que ainda restava.
Esse ataque faseado do Kremlin a Mariupol indica que a Rússia planeava capturar a cidade sem dó nem piedade para com a população civil. Ali, em Mariupol, moravam cerca de 450 mil pessoas, Diana.
E depois, 90% das casas e das unidades de saúde foram destruídas ou danificadas, assim como os pontos de distribuição de alimentos e rotas humanitárias, como já aqui dissemos. A fome e a negação de bens essenciais são considerados crimes de guerra, como disse, mas esta continua a ser, no entanto, uma área relativamente nova no direito internacional e nenhum dos agressores foi até agora processado. Esta é uma notícia que está em destaque no Kyiv Post.
E outro estudo diz que 60% dos ucranianos acreditam que a Rússia pretende com esta agressão destruir completamente a Ucrânia.
É a conclusão de um inquérito recente realizado pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev. A maioria dos ucranianos acha que a Rússia não se quer apoderar do território, mas sim, como dizias, aniquilá-lo completamente. Na sondagem publicada hoje pode ler-se que outros 34% dos inquiridos veem o conflito como tendo um objetivo de genocídio e erradicação física da maioria dos ucranianos, enquanto outros 26% veem-no como uma tentativa de alterar a identidade nacional ucraniana. Há ainda 6% dos inquiridos a pensarem que o objetivo da Ucrânia é capturar todos os territórios ucranianos, mas permitir alguma autonomia cultural dentro da linha russa. Entretanto, 12% acreditam que o objetivo é derrubar o governo ucraniano e estabelecer um regime chamado fantoche. Apenas 7% dos participantes neste estudo pensam que a Rússia pretende manter o controle sobre o território que já conquistou, sem procurar mais terras ucranianas. Agora, há 5% dos entrevistados que selecionaram uma opção que refletia as alegações de propaganda russa de desnazificação e desmilitarização, sem minar a independência da Ucrânia, este que é um ponto de vista promovido pelos meios de comunicação estatais russos. É uma informação que consta de um artigo publicado no New Voice of Ukraine.