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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, o espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa em tempo de guerra. Boa noite, Diana Rosa.
Boa noite, Vasco.
Começamos pela imprensa ucraniana, porque há um grande foco nas eleições da Hungria. Depois da derrota de Viktor Orbán, a Ucrânia tem a esperança de que as medidas europeias de apoio a Kiev encontrem menos bloqueios.
Foi, de resto, isso mesmo que o novo primeiro-ministro húngaro já fez saber. Pretende ser mais cooperante com a União Europeia e desbloquear as medidas de apoio à Ucrânia. Dizer, para já, que a Rádio NV realizou uma pesquisa com os respectivos ouvintes sobre o que esperar da Hungria depois da vitória de Péter Magyar. A pesquisa teve mais de 620 participantes. Cerca de 7% afirmam que todos os problemas ficaram para trás e vai haver amizade entre a Ucrânia e a Hungria. Entretanto, 69% acreditam que a Hungria vai desbloquear 90 mil milhões de euros em ajuda da União Europeia para a Ucrânia e outros 24% dizem que a Hungria vai exigir dentro de uma semana que a Ucrânia reabra o oleoduto russo.
E como a maior parte desses ouvintes espera, a derrota de Viktor Orbán nas eleições da Hungria provavelmente vai desbloquear esse empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia para a Ucrânia.
Assim como, Vasco, a candidatura à adesão à União Europeia, mas isso não significa que o progresso seja instantâneo ou livre de novos obstáculos. Ainda assim, a vitória de Péter Magyar representa uma mudança positiva para a Hungria e para a Europa, bem como para a Ucrânia, reduz o risco de bloqueios políticos no Conselho e cria mais espaço para que as decisões avancem. Em última análise, diz um artigo do Kyiv Independent, a saída de Orbán, por si só, é uma boa notícia para a Ucrânia. O maior defensor de Moscovo na mesa dos líderes europeus já não está lá, que era Viktor Orbán. Em Bruxelas, muitos foram aqueles que suspiraram de alívio, é o que afirma um diplomata europeu ao Kyiv Independent.
E Péter Magyar adianta desde já o que pensa sobre uma eventual cedência de terras ucranianas, considera indigno que a Ucrânia seja forçada a fazê-lo.
"A Ucrânia tem todo o direito de se defender contra a agressão russa e não pode ser forçada a ceder território", é o que afirma o novo primeiro-ministro húngaro à imprensa ucraniana. Acrescenta ainda que esse é um discurso ultrajante e cínico, indigno dos heróis e lutadores húngaros pela liberdade de 1956, fazendo aqui comparações com a revolução anticomunista húngara desse mesmo ano. Questionado pelo Kyiv Independent sobre a pressão do presidente dos Estados Unidos sobre a Ucrânia para chegar a um acordo de paz com a Rússia, Magyar disse que nenhum país tem o direito de dizer ao outro para ceder território depois de uma guerra de quatro anos. Sublinha ainda a necessidade de garantias de segurança para a Ucrânia, com o apoio dos Estados Unidos, e alerta contra a repetição dos erros do Memorando de Budapeste de 1994, pelo qual Kiev cedeu o arsenal nuclear da era soviética. Em troca, os governos da Rússia, dos Estados Unidos e do Reino Unido comprometeram-se a respeitar a independência, a soberania e as fronteiras existentes da Ucrânia e abster-se da ameaça ou do uso da força contra o país. Como sabemos, isso depois acabou por não acontecer.
Entretanto, Diana, a Ucrânia afirma que a Rússia violou o cessar-fogo da Páscoa ortodoxa quase 11 mil vezes.
Uma trégua que esteve em vigor durante um período de 32 horas este fim de semana. Vladimir Putin anunciou o cessar-fogo depois de rejeitar a proposta de trégua apresentada por Kiev no final de março. Em resposta, a Ucrânia afirmou que também respeitaria esse cessar-fogo, mas que retaliaria caso fosse violado. De acordo com Kiev, a Rússia violou então esse acordo 470 vezes apenas nas primeiras seis horas. De acordo com o Estado-Maior, não foram registados ataques com mísseis, aviões ou drones de longo alcance durante o período de trégua. No entanto, as forças russas realizaram mais de 1500 ataques de artilharia, perto de 120 ações de assalto e mais de 9 mil ataques com drones kamikaze de curto alcance. No domingo, por exemplo, foram registados quase 110 confrontos armados ao longo de toda a linha da frente.
Foram os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com o que diz a imprensa russa.